Publicidade


 

* Conteúdo exclusivo
para assinantes de
VEJA NA SALA DE AULA
     
 


VEJA 1929, 2 de novembro de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Política e Cidadania

Revele o que existe por trás do
caixa dois das campanhas eleitorais

A motivação desta aula é a denúncia de VEJA sobre os dólares ilegais que o PT recebeu de Fidel Castro


“Campanha de Lula Recebeu Dinheiro de Cuba”, págs. 46 a 53 de VEJA

Uma aula de 50 minutos


Financiamento de campanhas eleitorais


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Analisar as evidências sobre o financiamento ilegal de campanhas eleitorais no Brasil

Mais que manter a garotada ao corrente da política nacional, a abordagem sistemática dos acontecimentos é uma lição que deve começar agora para alcançar os frutos que todos desejamos: uma sociedade futura composta por cidadãos dotados de visão crítica em relação ao mundo, imbuídos de vontade para transformá-lo. É assim que pode ser encarada a nova denúncia sobre a origem cubana de parte do caixa dois que financiou a campanha de Lula nas últimas eleições. Seja verdadeira ou não a história contada a VEJA por Rogério Buratti e pelo economista Vladimir Poleto, o importante é percorrer com os estudantes os corredores do poder, de ontem e de hoje, para mostrar que, mesmo labirínticos, eles podem se desenovelar com o tempo.

Para começo de conversa

Após a leitura da reportagem com os alunos, apresente o artigo 31 da Lei 9.096:


“É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de:

I - entidade ou governo estrangeiros;

II - autoridade ou órgãos públicos, ressalvadas as dotações referidas no art. 38;

III - autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos, sociedades de economia mista e fundações instituídas em virtude de lei e para cujos recursos concorram órgãos ou entidades governamentais;

IV - entidade de classe ou sindical.”

Peça que a garotada, organizada em grupos, debata os itens da lei e as salvaguardas que eles oferecem. Muitas podem ser mencionadas naturalmente durante a discussão. Se isso não ocorrer, apresente algumas situações hipotéticas, como o financiamento de campanhas ligadas ao narcotráfico internacional, a grupos religiosos fanáticos ou com interesses estranhos ao país. Que riscos elas implicariam para a soberania e a segurança da nação?

Caso se confirme a ligação com Cuba, por melhores que fossem as intenções motivadoras do plano, convém destacar que:

• elas desobedecem à lei;

garantiram a ascensão ao poder pela força financeira e não pela formação de uma convicção popular, que é a prática histórica defendida pelas esquerdas; e

se pelos meandros políticos escaparem de uma rigorosa e reveladora investigação, vão acentuar o já amargo gosto de que a promessa de “cortar a própria carne”, tantas vezes repetida pelo presidente, não passa de retórica.

 

Para debater

A questão sobre o financiamento das campanhas eleitorais tem merecido a atenção de estudiosos e políticos, principalmente após a crise criada pelas denúncias do mensalão. As campanhas são extremamente caras e exigem o aporte de vultosas quantias. De onde deve vir o dinheiro para que os partidos divulguem suas ações e os propósitos de seus candidatos? Do setor público ou do privado? A situação de risco inerente em ambos os casos é um tema que os alunos podem levantar e aprofundar. Doações particulares abrem espaço para a interferência do poder econômico no Estado, como já ocorreu no caso dos Anões do Orçamento, denunciado por VEJA em 1993. Por outro lado, proibi-las favorece as tentações do caixa dois. Oriente a classe a procurar informações sobre como é realizado esse custeio em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, todo contribuinte pode decidir se uma parte de seu imposto deve ser destinada às agremiações políticas – o que não impede de que também lá ocorra a influência dos grupos econômicos.

Ressalte que a lei 9.096, de 31 de dezembro de 1995, procurou resolver essa questão no Brasil. Mas algumas lacunas permaneceram, permitindo as contas paralelas do presidente reeleito Fernando Henrique Cardoso, também apontadas por VEJA em novembro de 2000.

 

Exercícios e outras atividades

Lembre que a prática da cidadania depende, sobretudo, de informação. Sem a notícia, agrade-nos ou não, dificilmente poderíamos estabelecer uma crítica acerca dos acontecimentos. Comprovar isso é simples: convide a moçada a pesquisar nos últimos 20 anos o papel da imprensa em prol da divulgação da verdade à população. Eles podem começar com o exemplo do jornal The New York Times, que fez a autocrítica em relação ao caso Judith Miller (pág. 74 de VEJA), cumprindo o desígnio básico da atividade jornalística: a busca da verdade, doa a quem doer, mesmo que seja na própria carne.

topo


Aula sugerida pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
menu
copyright © 2008. Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados.