Publicidade


 

* Conteúdo exclusivo
para assinantes de
VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1967, 2 de agosto de 2006

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Física e Química

Visões do nanomundo

Analise e debata com os estudantes os modelos que explicam o universo das pequenas coisas


O Mergulho num Mundo Invisível
Especial Teconogia

Três aulas de 50 minutos


Nanotecnologia e microscópio de tunelamento


Examinar os papéis da ciência e da tecnologia de escala nanométrica e compreender o funcionamento dos microscópios de varredura

VEJA trata de um tema explorado com freqüência nos meios de comunicação, mas que nem sempre apresenta uma linha divisória nítida entre informação e promoção para o leitor. Você, professor, tem aí uma excelente oportunidade para discutir os papéis dos cientistas e dos tecnólogos, além de explorar em maiores detalhes a ciência e a tecnologia de escala nanométrica.

Para seus alunos

Esquema de um microscópio de tunelamento (STM)

Nos microscópios de varredura, a superfície da amostra é examinada ponto a ponto. A “imagem” é obtida após análise dos dados relativos à interação de um feixe ou de um elemento do próprio microscópio com a amostra. A variação de corrente, indicada no gráfico, corresponde ao “relevo” da superfície da prova. A distância entre a ponta da sonda, que deve ter a dimensão de um átomo, e a prova deve ser de cerca de 1 nanômetro. Nessas condições, elétrons fluem por tunelamento da amostra para a sonda.

Os valores dessa corrente são usados para formar a “imagem” da superfície.

Jardim


Atividades

1ª aula - Proceda à leitura da reportagem com a turma e destaque alguns pontos relevantes para discussão. Lembre que, não por acaso, Richard Feynman, o “patrono” da nanociência, foi um dos mais influentes físicos do século XX. Esse é o ponto de partida para uma panorâmica sobre a história da nanociência, que pode se estender desde as concepções dos antigos gregos (Leucipo, Demócrito, Epicuro etc.) até as atuais representações quânticas.

Não deixe de explicar que trabalhamos sempre com padrões físicos, tanto para o átomo como para as partículas subatômicas. Ressalte a “volatilidade” do conceito de elétron, que varia radicalmente de um modelo para outro: ora surge como partícula, ora onda, ora “nuvem de carga” ou entidade ainda mais estranha e diferente, que pode desaparecer e reaparecer, avançar e recuar no tempo. Eis a chance de esclarecer que, na realidade, ninguém sabe o que o elétron é. Muitos cientistas dedicaram a vida inteira, ao longo do século passado, a investigá-lo. Hoje, os pesquisadores acumulam muito mais perguntas não respondidas do que há cem anos, mas conhecem melhor suas propriedades e seu comportamento nas mais diversas situações. E, com esses dados, podem empregar os modelos de elétron e até criar outros. Em cada um deles, sabem exatamente o que é e como se comporta o elétron. E é aqui que os tecnólogos se apoderam do conhecimento para gerar tecnologia e nanotecnologia. Não interessa a eles, necessariamente, definir o que é o elétron ou qualquer outro conceito físico – é mais importante conhecer seu comportamento em dadas condições, algo semelhante à acupuntura, que funciona em determinadas situações, sabe-se lá por que ou como, mas, ainda que em casos específicos, resolve parte dos problemas.
A história mostra de que forma os devaneios predominantemente teóricos de um grande físico como Feynman puderam ser aplicados por meio de instrumentos tecnológicos – caso dos microscópios eletrônico e de tunelamento e seus variantes. Informações oportunas sobre a nanociência e as nanotecnologias estão disponíveis na internet (veja a indicação de site no final deste roteiro) e podem fundamentar pesquisas.

Em seguida, descreva alguns dos principais aparatos tecnológicos que permitem a observação e manipulação em escala nanométrica, como os microscópios eletrônicos de varredura (SEM), de varredura por tunelamento (STM), de varredura por sonda (SPM) e de força atômica (AFM), entre outros. Como exercício de ordens de grandeza, peça que a turma associe os objetos do quadro “Que Vença o Menor” (págs. 18 e 19) com os meios de magnificação exibidos na tabela abaixo. Isso remete ao exame dos sistemas de unidades de medidas, como o SI.

2ª aula – Divida a turma em grupos e distribua cópias dos dois quadros que detalham o funcionamento dos microscópios de varredura por tunelamento. Destaque que o grande “herói” da nanotecnologia foi o STM, que funciona graças a um comportamento impressionante dos elétrons, denominado tunelamento, concebido para “explicar” o decaimento radioativo beta no início do século XX. É interessante discutir algumas das diversas interpretações, todas incompletas, que se podem dar ao “efeito túnel”. Atualmente, telefones, televisores e até equipamentos menos nobres como ferros de passar roupa fazem uso dos transistores de efeito de campo (FETs) e dispositivos eletrônicos também que se valem do tunelamento.
Outra questão interessante a ser analisada diz respeito à “imagem” que temos dos átomos usando as técnicas nano. Pergunte se os 35 pontinhos em azul que formam o logotipo da IBM se parecem com aquilo que supomos como átomos de xenônio. Convém lembrar que as figuras obtidas com esses microscópios são representações com base em dados (essencialmente correntes elétricas) processados e reorganizados de modo a fazer sentido para nós. É mesmo possível visualizar um átomo?
O alarde do feito tem outro lado a ser examinado – o da propaganda da instituição, em que não se escondem interesses, como o da obtenção de verbas. É conveniente que seja assim? O que a educação científica, em particular, tem a ver com a liberação de verbas públicas e, principalmente, privadas para pesquisa e desenvolvimento?

3ª aula – Vale a pena ilustrar macroscopicamente, por analogia, a interface entre a nanotecnologia e a Química. Para isso, reúna de 20 a 30 pequenas barras imantadas, de 3 ou 4 centímetros cada (podem ser usadas também agulhas ou pedaços de arame de aço, imantáveis por corrente elétrica). Coloque-as dentro de uma caixa de sapato e chacoalhe-a por alguns segundos. Ao abri-la, a moçada perceberá a maioria delas orientada mais ou menos em determinada direção, ligadas alternadamente por seus pólos. Isso equivale a uma combinação de elementos semelhante à que a Química descreve para combinação de átomos. Nessa analogia, cada barra é um átomo. Em tal situação, elas podem ser dispostas de modo a formar letras, unidas ainda por seus pólos alternados, sem violar nenhuma “lei natural”, mas numa configuração extremamente improvável.

Para seus alunos

Deslocamento de partículas

Divulgação

Os microscópios de varredura permitem fazer com que a sonda interaja com a amostra de modo a alterá-la. O primeiro experimento com o uso de nanotécnica foi realizado para escrever o logotipo da IBM com 35 átomos de xenônio sobre substrato de níquel (acima). A sonda coletou e posicionou átomo por átomo e os depositou sobre a superfície de níquel. Isso é feito com a ponta da sonda suficientemente próxima da amostra, de forma que a tensão de tunelamento seja superior à barreira de potencial que mantém unidos os átomos da superfície. Nessa situação, a partícula atraída da amostra acompanha o movimento da sonda.

Jardim
Ponta da sonda próxima à amostra

Jardim
O átomo da amostra é empurrado pela tensão de tunelamento

 


Bibiografia
Nano, a Ciência Emergente da Nanotecnologia: Refazendo o Mundo – Molécula por Molécula, Ed Regis, Ed. Rocco, tel. (21) 3525-2000

Internet
O site www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/suntos.php?assunto=nanotecnologia traz informações sobre nanotecnologias

Plano de aula elaborado por Renato da Silva Oliveira, professor de Física e coordenador do Planetário Móvel AsterDomus, de São Paulo

 
 
menu
copyright © 2006. Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados