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Edição
1967, 2 de agosto de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Biologia
Bicho
preso, mas dócil
Da
aldeia pré-histórica ao laboratório:
siga com a garotada o processo de seleção artificial
| Fotos
Ana Araujo e Kim-ir-sen |
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| Pôneis:
a baixa estatura resultou do processo artificial
de escolha |
| Fotos
Ana Araujo e Kim-ir-sen |
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| Cavalos
pantaneiros: seleção baseada na
resistência do casco à umidade |
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Seleção
natural e seleção artificial


Perceber
como, ao longo de milhares de anos, vem sendo
praticada a seleção artificial
dos seres vivos |
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A
reportagem de VEJA focaliza experimentos genéticos
– realizados na antiga União Soviética
– que aparentemente fundamentam a tese segundo a qual
a domesticação de animais, iniciada na Pré-História,
foi bem mais rápida e menos árdua do que se
imagina: o homem só precisou conviver com os bichos
que toleravam sua presença.
Dessa relação harmoniosa, novas raças
teriam surgido e originado parte da fauna que conhecemos hoje.
Os estudos também apontam para a hipótese da
existência de uma base genética comum a muitos
animais domesticados, senão a todos eles. E, de acordo
com alguns pesquisadores mais radicais, inclusive aos seres
humanos, espécie da ordem primata que se autodomesticou.
Com o tempo, essas idéias audaciosas serão confirmadas,
descartadas ou modificadas, no todo ou em parte: é
assim que progride o conhecimento científico. Enquanto
isso não acontece, examine com os alunos de que forma
as pessoas comuns e os cientistas costumam se valer do banco
gênico de uma determinada espécie, conhecido
ou não por eles, para obter seres vivos diferentes
– raças, subespécies ou variedades. O
processo se dá por meio de uma técnica multimilenar:
a seleção artificial.
Atividades
1ª
aula - Após a leitura do texto, explique à
moçada que a seleção artificial é
a adaptação e/ou escolha dos seres vivos (animais
e vegetais) que mais interessam ao homem com o objetivo de
realçar algumas características dos organismos,
como a produção de carne, leite, lã,
seda e frutas. Para esse fim foram, e são, produzidas
diversas raças ou subespécies domésticas,
caso de cães, gatos, aves, bois, peixes e plantas ornamentais.
Nessa situação, a luta pela vida – ou
seleção natural – é substituída
pela opção pelos espécimes que melhor
atendem às necessidades humanas.
Proponha pesquisas a respeito de seres vivos que tiveram seu
processo de seleção natural modificado pelo
homem. Basta lembrar de um boizinho, divulgado pela mídia
há uns dez anos, que media cerca de 50 centímetros
de altura e não pesava mais de 30 quilos. Informe que,
na época, ele foi chamado de Salário Mínimo
por motivos óbvios. Hoje, existem inúmeras propriedades
rurais especializadas na criação comercial de
minigado das mais diversas raças: minicharolesa, minigir,
mini-holandesa etc. Os pôneis também surgiram
dessa forma, bem como o cavalo pantaneiro, selecionado por
intermédio de numerosas reproduções programadas
em busca de animais com cascos resistentes à alta umidade
da região. Em Israel, por sua vez, cruzamentos controlados
resultaram na criação de um frango sem penas,
com menor teor de gordura e – por esse motivo –
carne mais saudável.
A seguir, lance questões para debate.
O fato de esses indivíduos serem selecionados artificialmente
levou a uma alteração no material genético
da espécie? Por quê?
O que aconteceria se os animais selecionados artificialmente
fossem colocados outra vez em seu ambiente natural? Peça
comentários.
A realização rotineira desse processo pode
levar à extinção da espécie original
ou selvagem? Por quê?
2ª
aula – Encarregue a classe de cumprir, em grupo,
a tarefa descrita no quadro da página ao lado.
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Primos
ricos e pobres
Realize
com seus colegas uma atividade simples (embora demorada),
que pode trazer informações valiosas sobre
seleção artificial e metodologia científica
de observação. O primeiro passo consiste
em capturar alguns guarus, peixinhos muito comuns em
açudes e lagos. Eles são os “primos
pobres”, isto é, as formas selvagens dos
coloridos lebistes ou guppys (Poecilia reticulata).
Sua equipe também deve visitar uma loja de aquários
e comprar um pequeno número de casais de lebistes
– eles são baratos e o dimorfismo sexual
é claro. Investigue a melhor forma de criá-los,
perguntando ao dono da loja ou consultando a internet
(há vários sites voltados para a criação
desses peixes).
A maioria dos grupos ficará responsável
pela manutenção de um aquário e
seus casais de lebistes, enquanto outros dois devem
se encarregar da criação dos guarus, em
ambiente o mais próximo possível de seu
habitat natural
– inclusive com trocas periódicas de água
do local onde foram encontrados. Organizem-se.
À medida que os peixes se multiplicarem (cada
fêmea pode gerar algumas dezenas de filhotes por
mês), selecione os espécimes de características
próximas às dos guarus (tamanho e cor
da cauda, por exemplo) e coloque-os nos aquários
dos guarus. Acompanhe
a reprodução desses “novos habitantes”
em relação aos antigos.
Determine com os colegas um prazo para o início
e o fim do experimento. No começo, são
elaboradas hipóteses sobre o desenvolvimento
dos lebistes e guarus em aquários separados e
naqueles em que ambos estiverem juntos. O professor
deve ajudar na reflexão sobre as questões
que podem influenciar a criação: condições
climáticas semelhantes em todos os aquários,
quantidade de comida e periodicidade de alimentação
e luminosidade e aeração satisfatórias
– como forma de diminuir o número de variáveis
capaz de interferir no processo.
Os grupos vão fazer anotações periódicas
sobre as modificações encontradas, como
data de nascimento dos filhotes, quantidade de alimento
disponível, controle do pH da água, variáveis
que surgiram ao longo das observações
etc.
No final, debata com a classe as questões listadas
a seguir.
Que tipos tiveram mais sucesso reprodutivo, os lebistes
separados, os guarus separados ou as duas variedades
juntas?
Quais características, além daquelas
escolhidas, se modificaram ao longo do experimento?
Foi vantajosa a seleção artificial dos
lebistes que tiveram suas características aproximadas
dos traços dos guarus?
Se as duas variedades pertencem à mesma espécie,
que vantagens o lebiste leva por possuir cauda enorme
e muito colorida e o guaru, cauda pequena e pouco colorida?
Se mantivermos as mesmas características dos
lebistes e guarus e trocarmos os ambientes, isso será
favorável para ambas as variedades ou somente
para uma delas?
Saiba que esse processo se
deu naturalmente no lago do Parque Ibirapuera, em São
Paulo:
ao longo de sucessivas gerações, lebistes
de cauda multicor originaram guarus de cauda
curta e cores discretas, porém
mais rápidos e ágeis.
| Fotos
Wil meindrts/minden pictures/stock Photos |
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| Lebiste
ou guppy: variedade de aquário, de cauda
enorme e multicolorida |
| Fotos
Wil meindrts/minden pictures/stock Photos |
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| Guaru:
a forma selvagem do lebiste, de cauda curta, é
mais ágil |
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Internet
O site minibovinos.vilabol.uol.com.br
traz informações sobre as principais raças
de minigado criadas no Brasil

Aula criada por Miguel Castilho Junior, professor
de Biologia da Escola Lourenço Castanho, de São
Paulo
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