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Edição
1856, 2 de junho de 2004
Linguagens
e Códigos e suas Tecnologias Língua
Portuguesa
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Joseph
Devenney/ Getty Images
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Chiclete
ou goma de mascar? Segundo o dicionário, tanto
faz:
o léxico incorporou as duas formas
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Como
marcas comerciais viram
substantivos comuns e verbos
Pisar
num chiclete ou xerocar uma foto são ações
que o léxico incorporou há tempos. Examine esse
processo
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Vocabulário;
processos de enriquecimento do léxico
e sociedade de consumo


Dominar
a norma culta da Língua Portuguesa
e relacionar diferentes variantes do idioma
com seus contextos de produção


Identificar
e analisar a ocorrência de nomes de
marcas comerciais que foram incorporados ao
vocabulário da Língua Portuguesa
como nomes genéricos |
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Histórias de marcas de sucesso sempre
tiveram lugar nas páginas de VEJA. Em muitos casos,
o nome comercial se transformou em sinônimo de gênero
de produtos. Isso vale para chiclete (goma de mascar), gilete
(lâmina de barbear), cândida (água sanitária),
durex (fita adesiva), band-aid (curativo) e outros. Na seção
de cartas desta edição, a revista informa que
o representante legal do Google no Brasil não gostou
da associação entre o nome do portal de pesquisa
na internet e o verbo googar. Caretice dos responsáveis
pelo site ou medo de que a valiosa marca enfraqueça
e perca poder junto aos usuários? Eis um bom mote para
rever com a garotada como se formam neologismos. Discuta o
processo de transformação de nomes comerciais
em termos genéricos do nosso léxico.
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Preparação
da aula
Faça uma revisão dos processos
de formação vocabular. Providencie cópias
do quadro da página ao lado e distribua para a turma.
E leve para a classe exemplares de um bom dicionário.
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Para
começo de conversa
Fale
sobre as constantes incorporações de termos
pelo nosso idioma. Lembre que ao léxico original se
juntaram palavras de raízes diversas: germânicas,
árabes, indígenas, africanas, italianas, francesas,
inglesas etc. Além disso, a própria língua
possui mecanismos de formação que não
cessam de originar expressões tais como o célebre
imexível, criado por um então ministro, e o
inconvivível, citado no discurso de um ex-presidente
da República. Explique que outra possibilidade de ampliação
do vocabulário ocorre com a criação de
neologismos semânticos. Nesse processo, as palavras
passam a assumir sentidos diferentes ou mais abrangentes do
que tinham inicialmente. Isso se dá quando um substantivo
próprio funciona também como comum. A primeira
acepção do termo caxias, por exemplo, é
apresentada pelo Dicionário Houaiss como aquele
que cumpre com extremo rigor suas obrigações
e responsabilidades. A expressão provém,
segundo a mesma obra de referência, de Duque de Caxias,
título conferido ao militar do Exército Luís
Alves de Lima e Silva, célebre pelo rigor, pela aplicação,
disciplina e exigência que caracterizavam suas ações.
Alguém da turma já havia pensado em tal associação
ao empregar a palavra? Ouça os comentários e
ajude os alunos a perceber as semelhanças entre esse
caso e aqueles relacionados às marcas comerciais que
se convertem em sinônimos genéricos de uma categoria
de produtos. Aqui se enquadra o uso do verbo googar para definir
uma busca na web. Informe que o mesmo ocorre com maisena (amido
de milho cuja marca mais famosa é grafada com z) e
brama, forma acolhida pelo Houaiss para indicar cerveja
de qualquer marca.
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Para
debater
O
que os adolescentes pensam do imbróglio narrado na
seção Cartas de VEJA? Apresente as imagens que
ilustram estas páginas e peça que a moçada
procure no dicionário outros exemplos de transformação
de marcas em substantivos comuns ou verbos. Mencione durex,
vitrola, isopor, forde, baquelite, tubaína, xerox
ou xérox e jipe (cuja pronúncia em inglês
remete às iniciais G.P., de general purpose, ou uso
geral).
Diga
que fusca é a forma que os brasileiros encontraram
para pronunciar o nome Volks, reduzido do alemão Volkswagen.
Com o tempo, o fabricante assumiu o apelido como marca de
um carro, o modelo VW 1300. O termo xerox, por seu turno,
incorporou-se à nossa língua e deu origem ao
verbo xerocar. Explore o caminho percorrido pelas palavras
e ensine que algumas são utilizadas oralmente, mas
ainda não foram registradas pelos dicionaristas. É
o caso de modess (absorvente íntimo feminino). Outras
expressões já caíram em desuso: calça
lee (como sinônimo de jeans), keds (tênis) etc.
Discuta as relações entre esses nomes e a presença
dos produtos no cotidiano das pessoas. Será que há
ligação entre a popularização
das marcas e o sucesso de campanhas publicitárias?
A palavra fenemê foi riscada do nosso repertório
juntamente com a histórica Fábrica Nacional
de Motores?
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Volte
à revista e peça que os alunos relacionem a
questão envolvendo a marca Google com os casos citados
neste plano de aula. Um especialista em marketing, Jack Trout,
insiste na tese de que as marcas devem conquistar a mente
do consumidor. Trout diz que as empresas devem se esforçar
para distinguir-se das demais um nome comercial ganha
mais, portanto, quando se destaca e se individualiza. O representante
do Google certamente conhece essa linha de raciocínio.
Mas não soa antipático ou careta
ditar regras num universo democrático como a internet?
Estimule a turma a pensar nesse paradoxo para lá de
atual.
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Exercícios
e outras atividades
Lance
mão do quadro ao lado. Peça que a moçada
identifique nos textos nomes comerciais mencionados como substantivos
comuns. Aqui esses termos surgem como índices da constatação
de que o mundo do consumo se apoderou de tal forma da nossa
vida, que não há como interpretar a realidade
sem os produtos e as marcas que a todo momento nos impõem
comportamentos e formas de pensar. Poetas e compositores
entre outros autores servem-se dessas palavras para
expor o modo como fomos conquistados.
Divida
a classe em grupos e sugira uma pesquisa sobre novos exemplos
de textos literários que fazem referência a marcas
de produtos transformadas em termos de sentido geral
ou não. Oriente uma reflexão sobre os casos
levantados e sugira que as equipes escrevam poemas ou pequenos
contos inspirados nos conteúdos discutidos em classe.
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Para
saber mais
Explique
que no decorrer do tempo o homem vem desenvolvendo um longo
e penoso trabalho de domesticação de plantas
e animais. Esse empenho nos permite afirmar que dificilmente
alguém passaria fome, não fosse a má
distribuição dos alimentos entre os povos. Para
os mais favorecidos, a enorme disponibilidade de nutrientes
acabou fazendo com que a satisfação física
da fome se associasse cada vez mais ao prazer intelectual
da gula. Assim, uma série de estímulos externos
favorece a preferência por uma ou outra comida.
Conte
que a aparência, o odor, o sabor e a textura do prato
são fatores decisivos para a sua palatabilidade. Os
cozinheiros e as indústrias alimentícias sabem
disso muito bem. Pratos bem feitos, coloridos e com as mais
variadas formas artesanais incentivam muito a vontade de comer.
Em competições culinárias, o aspecto
e a forma de servir são importantes critérios
de avaliação. As fábricas do setor desenvolvem
pesquisas relacionadas a aditivos alimentares com a função
de manter intactos os aromas, as cores, as texturas e as consistências
dos alimentos, ampliando assim a possibilidade de que sejam
consumidos. Caso tal apelo não importasse, talvez os
grandes exploradores da Idade Média nunca tivessem
deixado a Europa em busca de temperos e condimentos. E os
mapas demorariam bem mais para incluir o chamado Novo Mundo...
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| Textos
de apoio |
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Diariamente
de Nando Reis
Pra
lavar a roupa: Omo (...)
Para Adidas o Conga: nacional (...)
Para dormir a fronha: Madrigal (...)
Para beber uma coca: drops (...)
Para a galocha: Verlon (...)
Para aumentar a vitrola: sábado (...)
Para que serve a calota: Volkswagen (...)
Para parecer mais nova: Avon (...)
Para quem se afoga: isopor (...)
Para a menina que engorda: Hipofagi

Os Materiais da Vida
de
Carlos Drummond de Andrade
Drls?
Faço meu amor em vidrotil
nossos coitos serão de modernfold
até que a lança de interflex
vipax nos separe em clavilux
camabel camabel o vale ecoa
sobre o vazio de ondalit
a noite asfáltica plkx

Ópera
de Chico Buarque
Tem gilete, Kibon,
Lanchonete, neon,
Petróleo
Cinemascope, sapólio,
Ban-lon
Shampoo, tevê,
Cigarros longos e finos
Blindex fumê
Já tem napalm e Kolinos
Tem cassete e rai-ban
Camionete e sedan
Que sonho
Corcel, Brasília, plutônio
Shazam
Que orgia
Que energia
Reina a paz
No meu país
Ai, meu Deus do céu
Me sinto tão feliz
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Reunião
10 Livros de Poesia, Carlos Drummond de Andrade,
Ed. José Olympio, tel. (0_ _21) 2585-2074
Discografia
Mais,
Marisa Monte, EMI, tel. (0_ _11) 5505-2855
A Ópera
do Malandro, Chico Buarque, Universal, tel. (0_ _11) 3889-5842

Plano criado
por Ulisses Infante, autor de livros didáticos
de Língua Portuguesa e professor da Faculdade de Alagoas
(FAL), de Maceió
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