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Edição
2006, 2 de maio de 2007
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Química
e Física
Culinária
sob pressão
Desvende
com os estudantes os mistérios da
cozinha catalã sob o ponto de vista científico

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Pressão;
evaporação e vaporação


Analisar
e discutir os conceitos científicos
envolvidos na cocção de alimentos |
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A
gastronomia está diretamente relacionada ao prazer,
à qualidade de vida e ao conhecimento científico
e cultural. Não basta misturar alimentos, é
preciso conhecer suas características organolépticas
para obter resultados cada vez mais gostosos. É assim
que os famosos e experientes chefs catalães e brasileiros
mencionados por VEJA desenvolvem técnicas e tecnologias
para utilização na culinária. A panela
de pressão é um bom exemplo e seu funcionamento,
totalmente baseado na mudança de temperatura e pressão,
pode ser o fio condutor de uma lição para mostrar
aos jovens que sabor e ciência andam juntos.
Atividades
1ª
e 2ª aulas - Uma boa leitura coletiva do texto
pode gerar o clima necessário para despertar a curiosidade
de todos em torno do assunto. Destaque a importância
da gastrovac inventada pelos gêmeos catalães
e confira o que a classe sabe a respeito das panelas de pressão
comuns. Para entender bem como elas funcionam, é preciso
conhecer a diferença entre evaporar e vaporar. Embora
os dois conceitos se relacionem ao vapor d’água,
os processos são distintos. A evaporação
ocorre com o auxílio de fenômenos naturais. A
água pode evaporar quando suas moléculas mais
superficiais escapam para o ar. Isso se dá por causa
do aumento de sua energia cinética, provocado pela
temperatura da atmosfera. Outro fator que colabora para a
evaporação é a superfície de contato.
Quanto maior a área do líquido exposta ao ar,
maior o número de moléculas que escapam.
Já na vaporação, a água entra
em ebulição depois de ser aquecida até
alcançar uma temperatura determinada - a temperatura
de ebulição ou vaporização. Quando
todos compreenderem a diferença entre os dois processos,
proponha a realização de um teste para determinar
a temperatura de ebulição da água pura
e do mesmo líquido contendo uma certa quantidade de
sal de cozinha. Para tanto, basta que aqueçam em um
béquer 100 mililitros de água destilada e, com
um termômetro, meçam a temperatura de ebulição
quando o líquido começar a borbulhar. Peça
que repitam o experimento dissolvendo uma colher de café
de sal de cozinha no mesmo volume de água. Os adolescentes
devem perceber que, no segundo caso, o tempo para atingir
a ebulição é maior e a temperatura, cerca
de dois a três graus Celsius mais elevada.
Sugira que tentem explicar o fenômeno físico
responsável por essa alteração. Oriente-os
com algumas perguntas.
Algo deve estar dificultando a passagem das moléculas
de água para o ar. O que será? Leve os alunos
a concluir que as moléculas do sal, agora dissociado
em íons, “atrapalham” a saída das
moléculas de água, que necessitam por isso atingir
maior temperatura.
Conte que a água ferve a mais ou menos 100 graus Celsius
ao nível do mar em panela aberta. Independentemente
do tempo de aquecimento, essa temperatura se mantém
até que a substância passe para o estado gasoso.
Chame a atenção para o fato de que manter a
chama alta após a água ter entrado em ebulição
é desperdício de gás, pois o líquido
está fervendo e continuará assim qualquer que
seja a altura do fogo. E mais: o alimento imerso no líquido
levará o mesmo tempo para cozinhar, pois a temperatura
vai permanecer em 100 graus.
Comente, então, que a temperatura de ebulição
é menor em altitudes mais elevadas em conseqüência
da menor pressão atmosférica nessas regiões.
Assim, consegue-se reduzir o tempo de cozimento - ou melhor,
a velocidade de cozimento de alimentos sob pressões
mais altas. Explique que, com o aumento da temperatura da
água, a pressão interna torna-se maior que a
externa, que vale cerca de 1 atmosfera ao nível do
mar. Assim, o próprio vapor d’água no
interior do recipiente dificulta a ebulição.
A temperatura nessas panelas pode variar de 105 a 120 graus
Celsius. Dito isso, distribua cópias do quadro abaixo
e discuta as partes que compõem a tampa da panela.
Coloque em evidência a válvula de segurança,
o pino com válvula e a borracha de vedação.
Informe que essa tecnologia tão utilizada nas cozinhas
se deve ao físico francês Denis Papin. De 1861
- data de sua invenção - até os dias
de hoje, a panela de pressão vem sendo aprimorada por
grandes chefs como Ferran Adrià, que procura entender
certos fenômenos científicos para fazer boa cozinha.
Sua gastrovac, exibida na reportagem, trabalha com baixa pressão
e ausência de oxigênio (ou seja, a vácuo).
Lembre que um sistema capaz de reduzir a pressão, formando
vácuo, é a trompa de água, indicada no
quadro da página ao lado. Entregue cópias aos
alunos e debata os segredos do funcionamento desse dispositivo.
Depois, revele que Adrià é também criador
da nitromousse de chá verde e limão, uma espuma
que sai do sifão utilizado em garrafas para fazer chantilly.
Mergulhada em nitrogênio líquido - um gás
que, em baixas temperaturas, congela um dedo a ponto de quebrar
-, a espuma ganha uma casca firme e finíssima sobre
um creme de sabor marcante.
Sinalize que o emprego da diferença de pressão
parece ser uma constante nas invenções do chef
espanhol. A turma tem como comprovar isso após a leitura
do quadro acima.
Se houver interesse, o professor de Física pode propor
uma avaliação papalela da pressão interna
de uma panela por meio de cálculos baseados no peso
do pino e no diâmetro da válvula. Verifique se
é claro para a moçada que o vapor começa
a escapar quando a pressão interna se torna maior do
que a soma da pressão atmosférica mais aquela
exercida pelo pino.
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| Fabio
Mangabeira |
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O
segredo da panela
| Ilustrações
Beto Uechi / Pingado |
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A tampa da panela de pressão é dotada de
uma válvula de segurança, uma válvula
com pino móvel e uma borracha de vedação.
O que mantém a válvula central fechada é
o pino, uma peça metálica, pesada, mas que
pode ser movimentada. O movimento desse pino quando a
panela está em uso é causado pela pressão
do vapor da água no interior da panela. Quando
isso ocorre, tem início a cocção
do alimento (figura 1). A pressão do vapor aumenta
- atinge quase 2 atmosferas - e, em certa temperatura,
é suficiente para vencer a pressão externa
somada à do peso do pino. Os vapores em excesso
são liberados pela válvula (figura 2) e,
caso ela esteja entupida, saem pela válvula de
segurança, o que evita a explosão da panela.
O gráfico dá uma idéia da variação
da pressão em função da temperatura
interna.
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Roteiro elaborado por Elisabete Rosa, professora
de Química do Colégio Bandeirantes, de São
Paulo
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