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Edição
2006, 2 de maio de 2007
Linguagens e Códigos
e suas Tecnologias - Língua Portuguesa
Conversa
emprestada
O
que há por trás do excesso de estrangeirismos
que compõem o vocabulário dos chefs de cozinha

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Empréstimo
lingüístico


Descobrir
e construir a noção
de empréstimo lingüístico |
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Protagonistas
da reportagem de VEJA, os chefs comunicam-se por meio de uma
linguagem peculiar. Entre tapas e cochinillos crujientes,
eles pilotam fogões de nouvelles cuisines com o intuito
de satisfazer os gourmets mais exigentes. O texto, recheado
de expressões estrangeiras, é um prato cheio
para você explorar o conceito de empréstimo lingüístico.
Atividades
1ª
aula - Antes de discutir o assunto da aula, peça
que os alunos leiam “Comida Conceitual”, procurando
levantar as palavras que não pertencem ao nosso idioma.
Eles devem encontrar expressões em espanhol, francês,
inglês e até japonês, acompanhadas ou não
de suas explicações em português.
Uma vez concluída a tarefa, aborde a noção
de empréstimo como o fenômeno de uma língua
acolher vocábulos estrangeiros. Os termos emprestados,
nesse caso, não são traduzidos. Mas podem ser
adaptados às regras de ortografia ou de pronúncia
do léxico que os acolheu.
Tal prática não é recente. Explique que
ela espelha uma situação: tomamos emprestado
porque nos faltam palavras capazes de nomear objetos, atividades
ou produtos. Esses termos também servem para responder
a fenômenos da moda e são úteis quando
os locutores se deslocam.
Adotando os conceitos, adotamos as palavras. Dito isso, pergunte
que situação VEJA revela. Debata a necessidade
efetiva de empréstimo no universo dos alimentos, as
impossibilidades de tradução e a questão
da adoção por interesse de aproximação
a um universo de maior prestígio.
Explore a expressão nueva nouvelle cuisine. Converse
com a moçada sobre a importância da culinária
francesa no imaginário tupiniquim e forneça
dados sobre a ascensão da gastronomia catalã
contemporânea. Observe se, com base em suas orientações,
os estudantes conseguem compreender a ideologia subjacente
à expressão em exame.
Para mostrar que toda língua toma emprestados elementos
lexicais alheios, separe de antemão textos em outros
idiomas que incluam itens de terceiros. Você pode pesquisar
na internet páginas espanholas, francesas e italianas
que evidenciam palavras de língua inglesa relativas
ao mundo da informática - mouse, download, software
etc. É uma digressão, mas vale a pena, em nome
da clareza do tema, já que a cozinha franco-catalã
não é de domínio comum. A propósito,
esses batismos e rebatismos de pedaços de frango, pratos
de arroz com frutos do mar e nacos de carne de boi estão
a serviço de quê? Questione como o idioma pode
ser recurso seletivo, elevar conceitos e separar classes sociais.
2ª
aula – Esclareça que a intencionalidade
está presente nos empréstimos lingüísticos.
Quando o kiwi chegou ao mercado brasileiro, não existiam
opções em português para nomear a fruta.
Havia duas saídas: inventar um vocábulo ou usar
o original polinésio. Como se sabe, a segunda alternativa
prevaleceu. Da mesma forma, numerosas palavras que empregamos
no dia-a-dia não nasceram em solo nacional. São
forasteiras que adotamos, muitas vezes, sem saber de onde vêm.
Mas é sempre possível descobrir o que há
por trás dessa adoção. Proponha que os
jovens examinem a intencionalidade residente nas expressões
que extraíram da reportagem.
Ensine que, ao migrar para uma nova pátria, algumas palavras
podem ganhar sonoridade diferente da original, além de
carregar marcas do trajeto. Mencione tomatl, que é asteca
e chegou até nós pelo espanhol tomate. Cacahuatl
vem do idioma indígena nahuatl, pelo espanhol, para chegar
até nós como chocolate. No texto de VEJA há
elementos que apresentam tal comportamento. Tente, com a garotada,
resgatar-lhes o percurso.
Quando duas línguas estão em contato, é
raro que haja empréstimo mútuo da mesma quantidade
de vocábulos. Essa proporção geralmente
traduz uma relação de força entre as comunidades.
Uma delas é dominada no plano político, técnico,
econômico ou cultural, fazendo sucessivos apelos ao idioma
da outra. Preferir as palavras do vizinho às suas é
atestar ineficiência.
Faça um levantamento, por amostragem, do volume de vocábulos
estrangeiros emprestados ao português do Brasil. Em contrapartida,
informe sobre o volume de palavras, surgidas aqui, de uso corrente
em espanhol, catalão, francês e inglês.
Diga que quem pretende entender o papel da língua na
vida das pessoas precisa ir além do estudo de sua gramática.
Tem de entrar no mundo da ação social, onde as
palavras são encaixadas e constitutivas de atividades
culturais específicas. Verifique criticamente a relação
entre linguagem, pensamento e cultura.
Leve a turma a produzir textos que tratem de modo analítico
a idéia-matriz de argumentação segundo
a qual o léxico de uma comunidade organiza a própria
cultura, uma vez que:
Somente podemos ver, ouvir e experimentar a realidade que
nos cerca por meio das línguas, com suas categorias
e distinções; e
Essas categorias e distinções são
únicas em cada língua e incomparáveis
a outros sistemas lingüísticos. Não existem
limites para a diversidade estrutural das linguagens.
Em outras palavras, os conceitos e pensamentos de uma comunidade
se estabelecem de acordo com as características de sua
língua, e, por isso, comunidades lingüísticas
distintas percebem o mundo de maneira diversa.
Para concluir, socialize o conteúdo dos dois quadros
deste roteiro.
Tampa
comestível
A palavra tapa, nome genérico que designa os célebres
tira-gostos espanhóis, deriva do verbo tapar, sinônimo
de tampar, fechar (o que aproxima essas comidinhas do
couvert francês, vocábulo de mesmo significado).
Há quem diga que a expressão tem origem
num costume medieval segundo o qual os copos de vinho
eram servidos com uma fatia de presunto, queijo ou morcela
por cima durante o verão para evitar que caíssem
moscas na bebida. Outra tese sustenta que as iguarias
surgiram para que os freqüentadores dos bares, em
vez de apenas bebericar ao cair da tarde, recebessem aperitivos
de cortesia. De estômago forrado, eles não
cairiam de maduros sob o efeito do álcool. A Real
Academia de Língua espanhola define tapa como “qualquer
porção de alimento capaz de acompanhar uma
bebida”.
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Prato
do dia
| Beto
Uechi / Pingado |
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Qual é a intenção implícita
do chapeiro com aspirações a chef francês?
Dar um ar sofisticado ao boteco? Cobrar a conta em euros?
O que diz o texto do cavalete?
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Roteiro sugerido por Angelo Masson Neto,
professor de Lingüística das FIAM, de São
Paulo
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