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Edição
1980, 1º de novembro de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História e Cultura
Fraldinhas
e modelitos
Examine
por que, para muitas crianças, os padrões da
adolescência chegam cada vez mais cedo

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História
da infância


Entender
como se deu o tratamento da infância
ao longo do tempo e compará-lo com
o tratamento atual dado às crianças |
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Já
não se fazem meninos maluquinhos como antigamente.
Meninas maluquinhas, então, nem pensar. A imagem da
criança brasileira que se veste como tal - mesmo que,
por vezes, coloque panelas e outros adereços estranhos
na cabeça, como o personagem de Ziraldo - dá
lugar a garotas e rapazes que parecem ter passado diretamente
das fraldas para as roupinhas de grife. Como explicar a precocidade
desse segmento pueril? Como essa petizada vai conviver com
seus contemporâneos que ingressaram desde cedo no mundo
do trabalho ou, ainda mais grave, na marginalidade? O texto
de VEJA serve de base para um exame da trajetória da
infância no país, suas mudanças e permanências
no decorrer do tempo e o comportamento dos atuais adolescentes-do-prezinho.
| Ziraldo |
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Atividades
1ª
aula - Após
a leitura da reportagem, proponha uma discussão partindo
dos seguintes questionamentos:
A turma conhece alguma situação semelhante
àquelas descritas no texto?
Como era a relação com os pais quando seus
alunos tinham a idade das crianças citadas na reportagem?
Os pais de ontem eram mais controladores?
Que papel os filhos assumiam em casa? Eles tinham o direito
de escolher o tipo de roupa ou os objetos que queriam consumir,
ou essa decisão cabia exclusivamente aos pais?
As respostas a essas perguntas permitem delinear diferentes
perfis: aqueles que tinham mais liberdade no ambiente familiar,
outros cujas opiniões eram mais ouvidas pelos pais e
também os que não tinham direito a opinar dentro
da própria casa. Isso tudo, vale lembrar, na faixa etária
abordada pela revista - que vai dos 4 aos 7 anos.
Esclareça que VEJA focalizou um entre muitos aspectos
do mosaico da infância no Brasil. As crianças retratadas
são tipicamente de classe média urbana, cujos
pais podem sustentar o padrão de vida descrito na reportagem.
Será que os garotos e as garotas de outros estratos sociais
exercem a mesma possibilidade de escolha dentro de casa?
2ª
aula – Conte que o historiador francês
Philippe Ariès talvez tenha sido um dos primeiros acadêmicos
a abordar a questão da infância. Para ele, até
o início do Período Moderno não havia
um sentido de meninice como um estágio específico
do desenvolvimento humano. O processo de definição
da infância como uma fase distinta da vida adulta também
abriu a possibilidade de análise do novo lugar assumido
pela criança e pela família nas sociedades modernas.
O trabalho do pesquisador foi precursor, portanto, de um campo
que ficou conhecido como “história da infância”,
gerando uma série de estudos posteriores. De acordo
com sua obra mais conhecida, História Social da Criança
e da Família, a noção de infância
só apareceu no século XVII. Até essa
época, segundo o autor, o tratamento dado a ela era
marcado pela marginalização, discriminação
e exploração.
Organize a classe em grupos e encarregue cada um de investigar
características da infância em épocas
e lugares específicos - a Grécia antiga, por
exemplo. Explique que existem muitos escritos sobre a infância
em Esparta e em Atenas. Naquelas cidades-Estado, a criança
era vista como um miniadulto e assumia responsabilidades tão
grandes quanto as de uma pessoa madura: os meninos eram preparados
para a guerra e às meninas cabia assumir algumas funções
no ambiente doméstico.
Inclua na tarefa uma busca por pinturas, desenhos e esculturas
que retratem a garotada do passado e em culturas diversas.
Proponha que os estudantes façam uma leitura crítica
dessas obras, avaliando seus aspectos estéticos e históricos.
Eles vão verificar de que modo os pequeninos são
retratados, como estão vestidos e quais são
as semelhanças e diferenças mais notáveis
em relação às crianças atuais.
Recomende, entre outras, a análise da tela O Rosa
e o Azul, pintada por Renoir em 1881, presente na coleção
permanente do Museu de Arte de São Paulo. Nesse quadro,
duas meninas de ar angelical estão vestidas de acordo
com sua época, com uma indumentária impecável.
Sugira que a turma compare as modelos usadas por Renoir com
a garotinha Bettina, mostrada na reportagem. O que elas têm
em comum? O que as diferencia?
3ª
aula – Peça que os jovens redijam, individualmente,
textos opinativos nos quais avaliarão as características
da infância de hoje. Num primeiro momento, eles devem
compará-la com o que ocorria no passado. Depois, vão
tratar dos contrastes sociais entre as crianças brasileiras.
Para facilitar a exploração desses aspectos,
distribua cópias dos dois quadros deste plano de aula.
Debata o alcance da TV, que leva aos pequeninos de todas as
origens sociais informações nem sempre adequadas
à sua idade. Será que a telinha contribui para
o fim da infância, ao colocá-la em contato prematuro
com o mundo adulto?
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) dão conta do grande número de meninas
que, mal menstruam, já se iniciam na vida sexual. Tanto
que o censo de 2000 incluiu a faixa etária de 10 a
14 anos nas estatísticas de maternidade.
Discuta problemas relativos à gravidez na pré-adolescência.
Garotas que brincam de boneca e assumem o papel de mãe
são comuns em várias partes do país.
O que esse fenômeno acarreta para a nossa realidade
social?
Trabalho
e droga
Infância roubada: a primeira
foto mostra garotos trabalhando na dura colheita do sisal,
nociva à saúde; a outra exibe um pequeno
fumando crack, prática ainda mais prejudicial.
Na sua opinião, crianças obrigadas a trabalhar
desde cedo se identificam com os pré-adolescentes
que consomem roupas de grife? E o que dizer da garotada
de rua, habituada a conviver com as drogas?
| Fotos
Egberto Nogueira e Cesar Diniz / AE |
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Top
models mirins
Imagens de nosso tempo: meninas
em desfile de moda e o filho do ator Fábio Assunção
vestindo um terno idêntico ao do pai. Examine a
influência da mídia no comportamento das
crianças, tanto no consumo quanto na forma de ser
das mesmas. Em que medida a televisão, a publicidade
e até mesmo desfiles dirigidos ao público
infantil contribuem para a erotização e
o amadurecimento precoce da criança?
| Fotos
Wagner Santos e Marcos Ribolli |
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Veja
também
Bibliografia
- História
das Crianças no Brasil, Mary del Priore
(org.), Ed. Contexto, tel. (11) 3832-5838
- História
Social da Criança e da Família, Philippe
Ariès, Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2108-0808
Internet
- O
site www.vejanasaladeaula.com.br
dá acesso ao texto “Dê uma Aula sobre
os Tweens de Ontem e de Hoje”, publicado originalmente
no Guia do Professor, edição 2, ano 6, sobre
os impulsos de consumo dos pré-adolescentes

Aula sugerida por Ricardo Barros, professor
de História do Colégio Paulista, de São
Paulo
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