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Edição
1980, 1º de novembro de 2006
Linguagens e Códigos
e suas Tecnologias - Língua Portuguesa
Verbos
que dizem tudo
Ajude
a turma a identificar e compreender o alcance dos dicendi,
um recurso lingüístico poderosíssimo

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Conceituação
e uso dos verbos dicendi


Compreender
a função e as possibilidades
de utilização dos verbos dicendi |
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A
reportagem assinada por Bel Moherdaui, elaborada em tom irônico
e, por vezes, sarcástico, brinca com os exageros tropicalistas
da moda folclórica do “país dos papagaios”.
O texto apresenta depoimentos de diversos estilistas da nova
geração e, após as aspas de cada citação,
abusa dos verbos dicendi, agregando julgamentos de valor.
Examine esse recurso lingüístico com os estudantes.
Ao identificar e compreender seu alcance, eles estarão
mais preparados para usá-lo nas próprias redações.
Atividades
1ª
aula - Antes
de promover a leitura coletiva de VEJA, pergunte quem sabe conceituar
os verbos dicendi. Ouça as intervenções
dos alunos e, se for o caso, explique que a expressão
vem do latim e significa dizer. Também conhecidos como
ilocutórios, esses verbos precedem ou sucedem transcrições
de falas. No discurso jornalístico, tais palavras costumam
acompanhar as declarações de entrevistados. A
utilização de testemunhos diretos em textos informativos
geralmente revela a preocupação do autor em fornecer
a versão de quem presenciou os fatos reportados ou participou
diretamente deles. Deixe bem claro que os dicendi podem oscilar
da quase neutralidade até formas bem mais opinativas
e sugestivas. Escreva um exemplo no quadro-negro:
“Eu te amo”, falou o namorado.
Depois, substitua o verbo falou por segredou, provocou, declarou-se,
desmanchou-se, insistiu, berrou, gaguejou, desabafou e mentiu.
Agora, divida a turma em pequenos grupos e partilhe o conteúdo
de “Alegres Trópicos”. Mostre que as aparentemente
ingênuas informações sobre novos parâmetros
da moda brasileira não se esforçam em ocultar
uma crítica ácida a quem faz a moda e, desavisado,
serviu de suporte para o que a jornalista queria dizer e de
fato disse.
Proponha que as equipes assinalem os verbos dicendi encontrados.
Enquanto isso, comente o caminho do texto. Apesar de querer
dar a impressão de que apenas escreveu as palavras dos
entrevistados - exatamente como foram ditas -, a autora responde
por essa seleção quando as recorta e cola na estrutura
de seu relato. Ela escolheu cada fragmento a ser “emoldurado”
por sua reportagem, assim como o ponto preciso de encaixe para
evocar cenas de comédia de pastelão.
Busque com a classe o que se esconde sob a suposta objetividade
jornalística. Deixe que os grupos procurem passagens
do texto que contaminam, pela manipulação, as
falas dos entrevistados, bem de acordo com a intencionalidade
autoral. Com o exemplário colhido, faça ver que
a situação de enunciação foi reconstruída
pela relatora, cujo recorte da realidade delimita o campo de
percepção do leitor. Por mais que seja fiel, o
discurso-matriz, recheado de fragmentos de imagens e textos
alheios, dispõe de todos os meios para dar um enfoque
personalístico à teatralização sofrida
pelos dados coletados para tal fim. Se possível, demonstre
como os dramaturgos fazem isso, com o cuidado de separar o como
imaginam os diálogos da movimentação cênica
dos personagens, com ênfase no ritmo, no timbre, na intensidade,
na velocidade e na melodia da fala, para que ganhem vida no
palco. Compare essa técnica com o que ocorre na reportagem.
Pergunte até que ponto a estereotipia é empregada
ali para retratar os estilistas.
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2ª
aula – Lembre os adolescentes de seu papel
de internautas, questionando quando e por que resolvem clicar
nas opções “fala para”, “grita
para” e “flerta com” dos bate-papos virtuais.
A seguir, examine com eles o que fez a jornalista com os verbos
dicendi, despojando-os de sua função de introdutores
de discurso direto. De posse do material elencado na aula
anterior, destaque momentos de intensa acidez e ironia das
descrições de espaço e pessoas, repletos
de juízos de valor, e questione se os verbos dicendi
deixam transparecer o envolvimento da autora com as declarações
citadas. Isso torna o texto didático ou persuasivo?
Reorganize a classe em três grandes grupos. Ocupe o
primeiro das relações entre o verbo dizer e
a veiculação de informações. O
segundo vai tratar do valor descritivo de verbos como responder
e concluir. A outra equipe deve estudar as informações
modificadas pelos dicendi. Solicite exemplos extraídos
de conversas habituais entre colegas, para provar que não
se trata apenas de um fazer jornalístico ou literário.
Conduza a percepção dos adolescentes sobre o
julgamento atribuído à narradora das ações
dos falantes registradas em seu texto. Peça que separem,
na reportagem, os verbos que denotam a força da enunciação
(do tipo suplicar, prometer, socorrer...), os que especificam
o modo de enunciação (murmurar, gritar, suspirar...)
e os que indicam o tipo de discurso (demonstrar, contar, comentar...).
Outra forma de verbo dicendi sugere um ver de pensamento:
acreditar, querer, desejar. Isso se dá no texto de
VEJA? Por quê?
Saliente que o emprego de dicendi pouco comuns cria, nesse
contexto, situações interessantes. Exiba as
ilustrações deste plano de aula e proponha que
os estudantes procurem explicar os mecanismos que as promoveram.
Por fim, desafie a garotada a reescrever “Alegres Trópicos”
com outros verbos dicendi, alterando o tom da mensagem da
crítica para o elogio. A brincadeira pode ser replicada
tomando como matéria-prima quaisquer textos desta edição
de VEJA.
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Roteiro desenvolvido por Angelo Masson Neto,
professor de Lingüística das FIAM, de São
Paulo
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