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Edição
1980, 1º de novembro de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Química
e Biologia
Venenos
ou remédios?
Investigue
com os estudantes a ação de diversas toxinas
sobre o organismo humano

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Química
forense e equilíbrio químico


Analisar
e perceber as aplicações da
Química analítica |
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O
relato de VEJA sobre a morte do campeão do turfe Phar
Lap, inicialmente atribuída a um suposto atentado mafioso,
desvenda o motivo real do incidente: um erro na dose do tônico
à base de arsênico e estricnina. Entre remédio
e veneno - reza um velho ditado -, a diferença está
na dose. Essa noção pode servir de estímulo
para a turma estudar as características químicas
de algumas substâncias capazes de alterar o funcionamento
do sistema nervoso humano (e de muitos bichos).
O
segredo dos Bórgias
O uso de substâncias tóxicas
é prática tão antiga quanto a humanidade.
Flechas e lanças primitivas eram impregnadas com
extratos de vegetais e peçonhas de animais para
ter sua letalidade aumentada. No Renascimento, os Bórgias,
com justiça ou não, ganharam fama de que
eliminavam seus inimigos com sofisticados artifícios.
Diz a lenda que Lucrécia Bórgia possuía
um anel oco onde guardava os pós fatais –
misturas de sais de cobre, arsênico e fósforo,
extrato de cicuta e beladona (planta composta por três
alcalóides perigosos, entre os quais a atropina).
Essa última está presente em alguns fármacos
humanos atuais, porém em baixas concentrações.
Por esse tempo, muitos nobres se faziam acompanhar de
provadores de comida que, imunizados contra os venenos
por ingeri-los seguidamente em pequenas doses, podiam
perceber o sabor alterado do alimento... quase sem maiores
conseqüências.
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Atividades
1ª
aula - Faça a leitura de VEJA com a garotada e
chame a atenção para duas aplicações
da Química ali referidas: a investigação
da causa da morte do animal e o uso de substâncias tóxicas
com finalidades médicas.
O primeiro assunto remete à Química forense,
a aplicação da disciplina na investigação
de crimes. Isso pode gerar um sem-fim de episódios,
extraídos da ficção ou da vida real.
Partilhe com todos o conteúdo do quadro ao lado para
alimentar os debates. Depois, conte que as metodologias de
análise desenvolvidas na Química forense são
as mesmas usadas para exames antidoping. Ressalte também
que a atividade de uma substância tóxica não
depende do mecanismo de intoxicação, mas de
sua concentração no organismo. Ensine que os
metais pesados têm efeito cumulativo e, ao longo do
tempo, transformam-se em veneno. As concentrações
detectadas numa investigação variam entre:
Maiores – mais de 1%;
Menores – entre 0,01 e 1%;
Micros – menos de 0,01%; e
Traços – ppm, ppb, ppt etc.
Há casos em que traços de uma substância
química são letais, risco ao qual se submetiam
os provadores de comida.
Lembre que, por outro lado, as drogas podem ser benéficas.
Da mesma forma que o tratador de Phar Lap utilizava arsênico
e estricnina para aumentar o rendimento do alazão nas
corridas, a indústria de alimentos se vale de fármacos
veterinários, agentes prebióticos e probióticos
e outros, em dosagens mínimas. Essa prática
tem o objetivo de aumentar a eficiência alimentar e
acelerar o crescimento dos bichos. Isso não significa
que tenhamos de ficar intranqüilos em relação
aos produtos industriais de origem animal que consumimos,
uma vez que eles passam por rígidos controles de qualidade.
2ª
aula – Distribua reproduções
do quadro ao lado para exemplificar alguns casos de venenos
contidos em animais e vegetais. Em seguida, discuta com a
moçada os itens da tabela de intoxicações
alimentares. Com base nas substâncias citadas, promova
uma investigação de sua classificação
(orgânica ou inorgânica), das estruturas químicas,
da toxicidade em ratos e do mecanismo de atuação
em seres humanos.
3ª
aula – Um dos experimentos de Química forense pode
ser realizado em classe. Ele consiste em determinar as espécies
químicas por métodos colorimétricos. Trata-se
da identificação do íon férrico
de coloração
amarelo-pálida, mediante a reação:
O íon tiocianato de enxofre (SCN) é incolor e
a reação produz um composto ferroso de coloração
vermelho-sangue.
Discuta o equilíbrio químico envolvido no procedimento
a seguir:
Tome dois tubos de ensaio de mesmo diâmetro, com
reagentes em diferentes concentrações, de modo
que em ambos tenha lugar o equilíbrio:

As concentrações do íon complexo nos dois
casos podem ser comparadas quantitativamente pela cor.
Com um conta-gotas, retire de um dos tubos a solução
mais concentrada (é aquela que apresentar coloração
mais intensa). Observe, pela boca dos recipientes, se as soluções
em ambos apresentam a mesma intensidade de cor. Para facilitar
a visualização, envolva os tubos em papel branco
e coloque-os sobre uma placa translúcida iluminada por
baixo. Meça, então, a altura das colunas de líquido
em ambos. Mostre que a menor altura de solução
corresponde à maior concentração de
(responsável pela cor vermelha). Por exemplo, a razão
de 1/3 nas alturas significa fator 3 nas concentrações.
Divida a classe em diversos grupos, encarregue-os de executar
a tarefa e registre os resultados de cada um. Em seguida, converse
sobre as possíveis fontes de discrepância entre
os resultados, tais como:
1. Incertezas nas medições de
volumes em decorrência da menor divisão da pipeta
graduada utilizada.
2. Perda de solução no processo
de adição.
3. Erro de visão na comparação
das cores das soluções.
4. Incertezas nas medidas das alturas das soluções
nos dois tubos.
O
segredo dos Bórgias
O uso de substâncias tóxicas
é prática tão antiga quanto a humanidade.
Flechas e lanças primitivas eram impregnadas com
extratos de vegetais e peçonhas de animais para
ter sua letalidade aumentada. No Renascimento, os Bórgias,
com justiça ou não, ganharam fama de que
eliminavam seus inimigos com sofisticados artifícios.
Diz a lenda que Lucrécia Bórgia possuía
um anel oco onde guardava os pós fatais –
misturas de sais de cobre, arsênico e fósforo,
extrato de cicuta e beladona (planta composta por três
alcalóides perigosos, entre os quais a atropina).
Essa última está presente em alguns fármacos
humanos atuais, porém em baixas concentrações.
Por esse tempo, muitos nobres se faziam acompanhar de
provadores de comida que, imunizados contra os venenos
por ingeri-los seguidamente em pequenas doses, podiam
perceber o sabor alterado do alimento... quase sem maiores
conseqüências.
| Fotos
Alexandre Campbell; José Antônio
e Stephen Frink/
Corbis/ Latinstock |
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Aula criada por Claudia A. Bortolato, mestre
em Físico-Química pela Unicamp, de Campinas
(SP)
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