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Edição 2016, 1º de agosto de 2007

Ciências Humanas e suas Tecnologias - História, Geografia e Economia

Nação emergente

Mostre que a guerrilha e o narcotráfico não impedem a Colômbia de buscar uma vida normal


Colômbia


Três aulas de 50 minutos


Aspectos históricos e socioeconômicos da Colômbia


Perceber como a Colômbia do século XXI se abre para a modernidade

Macondo e o Bogotazo, guerrilha e narcotráfico: essas imagens surgem em cores fortes no mosaico colombiano. Elas continuam presentes, mas nos últimos anos o caleidoscópio foi enriquecido por outras cenas, bem menos agressivas. A reportagem destaca alguns desses novos esboços, entre os quais as bem-sucedidas iniciativas pela diminuição da violência. Esforços ancorados em bibliotecas como a Luis Ángel Arango, de Bogotá, que se tornaram espaços de convivência harmoniosa, pólos de uma cultura da paz. Acompanhe com seus alunos o que os colombianos vêm fazendo para levar uma vida normal.

Tatiana Munoz / AFP
REFÚGIO
Biblioteca Luis Ángel Arango, em Bogotá: aberta durante
24 horas por dia


Atividades

1ª aula - Lembre que, quando ouvimos falar na Colômbia, especialmente em jogos da Taça Libertadores da América ou das eliminatórias para a Copa do Mundo de futebol, é recorrente a referência à altitude, que dificulta a atuação dos jogadores brasileiros. Isso porque algumas das principais cidades daquele país - como a capital, Bogotá - se localizam nos Andes. Nas terras altas próximas às montanhas, encontram-se algumas das principais riquezas colombianas. Dessas, valem menção as plantações de café, considerado um dos melhores do mundo. Mas a Colômbia abriga também uma importante região amazônica, cuja biodiversidade é, no mínimo, tão rica quanto a de sua vizinha, a porção brasileira da floresta. Proponha uma pesquisa sobre essa área, situando o potencial econômico, os tesouros naturais, o isolamento dos grupos indígenas e dos demais habitantes e os problemas sociais (é o caso da presença de guerrilheiros e o tráfico de drogas).

Chame a atenção para a situação geográfica do país, banhado pelos oceanos Pacífico e Atlântico. Esse aspecto resulta em nítidas vantagens econômicas, tanto no turismo como nas exportações - as legais, de café e outros produtos, e as ilegais, de cocaína. Encomende um estudo sobre os dois litorais colombianos, focalizando, por exemplo, o porto de Buenaventura, no Pacífico, e os núcleos caribenhos de Cartagena de Índias, fundamental desde o período colonial, e Barranquilla, cidade industrial e portuária. Textos e fotografias podem ser expostos na forma de painel.

Ensine que a posição estratégica da Colômbia fez dela o centro do projeto de integração latino-americano concebido por Simón Bolívar: o Estado da Grã-Colômbia, fundado por ele, reunia grande parte dos atuais territórios da Colômbia, da Venezuela, do Equador e do Panamá. No entanto, a Grã-Colômbia logo se fragmentou e, hoje, como aponta a revista, Colômbia e Venezuela trilham caminhos divergentes e se hostilizam reciprocamente. Lance um tema para a moçada debater: é possível pensar em integração sul-americana conservando a Colômbia à margem do processo? Como aproximar essa nação de seus vizinhos venezuelanos e brasileiros? Peça sugestões.

Pedro Ugarte / AFP
Qualidade garantida Seleção de grãos de café colombiano: produto de exportação


2ª aula - Distribua cópias do fragmento do romance Cem Anos de Solidão, apresentado no quadro acima, à direita, e solicite a realização, em grupo, da atividade prevista. A referência de García Márquez às diversas revoluções do Coronel Aureliano Buendia remete às numerosas guerras civis que ensangüentaram a história da Colômbia. O último conflito entre liberais e conservadores deu-se de 1948 a 1953. Teve início após o Bogotazo, conjunto de manifestações populares de revolta após o assassinato do líder liberal Jorge Gaitán, em 9 de abril de 1948, que se espalharam por todo o país durante vários dias, com centenas de mortos. Organize uma investigação sobre o Bogotazo - um tipo de confronto e um sufixo que lançaram raízes na América do Sul, reaparecendo na Argentina, em 1969, com o Cordobazo, e na Venezuela, duas décadas depois, com o Caracazo. Também vale a pena saber mais sobre a guerra civil iniciada em 1948: muitos combatentes liberais, como Manuel "Tiro Fijo", ajudaram depois a fundar as Farc.

Eric Feferberg / AFP
LONGE DE TUDO
Índio do grupo Yuhup, habitante da porção amazônica da Colômbia: isolamento



3ª aula - A reportagem assinala os esforços do governo e da sociedade colombianos para conter a violência dos cartéis da droga e dos grupos armados de esquerda e de direita. Conte que uma contribuição original foi a organização de atividades culturais como meio de promover uma cultura da paz. Uma empreitada bem-sucedida consistiu na distribuição gratuita e massificada de clássicos da literatura em edições populares, impressas em papel barato e formato menor. Outra foi o envio para a região amazônica, à qual o acesso é difícil, de livros em lombos de burro. O sucesso dessas atividades (assim como a abertura em horário integral das bibliotecas públicas, que se tornaram pólos de convivência pacífica) levou várias cidades de outros países a adotar o mesmo modelo. Sugira que os adolescentes pesquisem essa experiência e, para encerrar, abra uma discussão: as soluções colombianas contra a violência podem ser implementadas no Brasil? Como adaptar essa proposta às condições de nosso país?

Bettmann / Corbis / Latinstock
MÁRTIR LIBERAL
Jorge Gaitán, líder político assassinado em 1948: sua morte desencadeou o Bogotazo

Para seus alunos

Quatro décadas de realismo fantástico
Leia com seus colegas o fragmento abaixo, extraído do livro Cem Anos de Solidão, que valeu ao colombiano Gabriel García Márquez o Prêmio Nobel de Literatura em 1982.

"O Coronel Aureliano Buendia promoveu trinta e duas revoluções armadas e perdeu todas. Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um por um numa só noite antes que o mais velho completasse trinta e cinco anos. Escapou de quatorze atentados, setenta e
três emboscadas e um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma dose de estricnina no café que daria para matar um cavalo. Recusou a Ordem do Mérito que lhe outorgou o Presidente da República. Chegou a ser comandante geral das forças revolucionárias, com jurisdição e mando de uma fronteira à outra, e o homem mais temido pelo governo, mas nunca permitiu que lhe tirassem uma fotografia. Dispensou a pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de ouro que fabricava na sua oficina em Macondo. Embora lutasse sempre à frente dos seus homens, a única ferida que recebeu foi produzida por ele mesmo, depois de assinar a capitulação da Neerlândia, que pôs fim a quase vinte anos de guerras civis. Desfechou um tiro de pistola no peito e o projétil saiu-lhe pelas costas sem ofender nenhum membro vital."


Publicado em 1967 - há 40 anos, portanto -, o romance constituiu um dos marcos de uma nova corrente literária, o realismo fantástico. É oportuno estudar outras obras que expressam essa tendência e os vários autores
que se destacaram no chamado boom da literatura latino-americana, nas décadas de 1960 e 1970. Vocês podem apresentar os resultados do trabalho para toda a escola na forma de cartazes ou seminários.



Aula sugerida por Marco Antonio Villa, professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)


 
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