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Edição 1907, 1â de junho de 2005

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias – Biologia

Revele a importância das novas
espécies para a biodiversidade

Debata as causas que facilitam as descobertas e examine o valor desse conhecimento para a conservação ambiental

Sinclair Stammers/Science Photo Library/Stock Photos
Opilião: uma nova espécie desse artrópode foi descoberta e identificada recentemente em Minas Gerais, durante estudos da biodiversidade nas cavernas do Estado


“40 Novas Espécies por Dia”, págs. 106 e 107 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Biodiversidade e descoberta de espécies


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Compreender a importância estratégica da biodiversidade e ter contato com as tecnologias e os conhecimentos científicos necessários para a sua determinação

A cada hora, um biólogo encontra-se em alguma área de preservação natural ou num laboratório, trabalhando para catalogar a diversidade biológica e apresentando uma nova espécie animal. A reportagem de VEJA relata os bons resultados desse esforço crescente da comunidade científica para a documentação da biodiversidade. Qual a importância de identificar espécies e traçar suas características? Por que o ritmo de descobertas está aumentando? Convoque a garotada para examinar essas questões e conhecer as conquistas em favor do ambiente em que vivemos.escolares.

 

Para começo de conversa

Após a leitura da reportagem, comente que, além das ferramentas tecnológicas hoje disponíveis, o grande número de pessoas envolvidas nas pesquisas ajudou a aumentar a velocidade das descobertas de espécies animais e vegetais. Isso bem pode ser um reflexo da preocupação geral com o impacto que as atividades humanas produzem sobre a natureza.

Embora talvez todos tenham uma idéia do que é biodiversidade, vale a pena aprofundar-se no tema e discutir como ela é mensurável ou descrita. Conte que esse conceito pode ter várias dimensões, dependendo do olhar do examinador. O mais tradicional é descrever a biodiversidade pelo número de espécies. Apresente alguns exemplos.
Nos arredores de Manaus deve haver mais espécies de borboletas do que na totalidade das Ilhas Britânicas – isso é uma medida da biodiversidade tropical.

Os vertebrados formam um grupo com cerca de 50000 espécies. Comparados aos artrópodes, com 957000 espécies, eles constituem uma parcela bem pequena da diversidade da biosfera. De cada dez espécies que habitam o planeta, seis são artrópodes. Certamente uma parte importante dessa biodiversidade é constituída por insetos.

Ao falar sobre esses animais, mostre que outra particularidade mensurável é a biomassa – ou seja, a quantidade de matéria viva de uma determinada espécie. Existem cerca de 15000 espécies de formigas, que constituem apenas 10% da diversidade de insetos. No entanto, a quantidade delas (ou biomassa) é imensamente grande. Desafie a classe a calcular quantas formigas existem num metro quadrado de floresta tropical ou qual seria o peso somado delas. Depois, conte que a biomassa média de formigas nesse ambiente é cerca de quatro vezes a dos vertebrados terrestres. Isso dá uma idéia da importância relativa desses insetos numa floresta tropical. O que pensar, então, dos vermes e das bactérias?

A biodiversidade pode ser medida também por meio das diferenças genéticas entre os indivíduos de uma espécie. A pequena variabilidade genética que ocorre em algumas espécies, como a dos guepardos, representa risco de extinção. Uma doença pode ser fatal, pois os indivíduos são muito semelhantes. Assim, a estratégia de conservação deve se preocupar com a manutenção ou o aumento da variabilidade das populações naturais dessa espécie.

Outra questão fundamental a considerar é a biodiversidade fisionômica dos ecossistemas. Pergunte aos estudantes se é possível comparar um quilômetro quadrado de Mata Atlântica com a mesma área de campo rupestre, uma formação vegetal aberta típica do alto de serras como a Chapada Diamantina. Se eles acharem que os campos rupestres são bem mais pobres, explique que isso não corresponde à verdade, pois a biodiversidade vegetal é imensa nesses locais. Entretanto, existem diferenças fisionômicas de peso entre os dois ambientes.

Jardim
Hippeastrum: reprodução de uma açucena rara encontrada na Floresta Amazônica

 

Para debater

Alguns alunos talvez ainda não estejam convencidos de que a conservação de todas as espécies é necessária. Confronte a importância que a classe atribui às espécies de cereais e às de besouros luminescentes. Seriam esses animais praticamente irrelevantes? Exóticos? Caprichos da natureza? Ressalte o valor intrínseco da biodiversidade, fundamentalmente ético. Os organismos têm o direito de viver independentemente de qualquer valor humano. Cada espécie desempenha um papel nas relações que mantêm a teia da vida coesa e funcional. Levante também a questão de prioridades. O que é mais urgente: o investimento em biotecnologia ou em documentação e preservação da biodiversidade? O primeiro tem efeitos diretos na questão da saúde e no desenvolvimento agrícola. No entanto, a perda da biodiversidade significa a extinção de espécies únicas, de importância médica, agrícola e tecnológica, além do comprometimento planetário, dada a influência da biosfera no funcionamento da atmosfera.

Kevin Raskoff
Biodiversidade marinha: encontrada no Ártico, essa narcomedusa talvez seja uma nova espécie de água-viva

 

Exercícios e outras atividades

Divida a classe em dois grupos e atribua a cada um a elaboração de uma lista de espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção no Brasil. Examine o conceito de endemismo – a ocorrência de algumas espécies exclusivamente em determinados locais. Sugira que as equipes apontem regiões do país estratégicas para a conservação. Finalize mostrando as áreas de preservação no território nacional e enfatizando os critérios e as dificuldades para a escolha e a demarcação desses territórios.

Organize um “dia da diodiversidade”. Separados em grupos numa área de preservação ambiental próxima à escola, os alunos devem fazer um inventário da biodiversidade local, por meio de fotografias e coleta de sementes ou evidências concretas, respeitando as leis de proteção que regulam essas atividades.

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Para saber mais

Amizade microscópica

Em 1995, um novo filo veio somar-se aos 35 já conhecidos no século XX. Trata-se do Cycliophora, nome dado em referência à coroa de cílios encontrada em sua boca. Essa categoria possui uma única espécie, a Symbios pandora (veja o desenho esquemático abaixo), denominação que deriva de sua relação simbiôntica com as lagostas e sua estranha larva assexuada. Esse organismo mede menos de 1 milímetro e vive em grupos fixados nos pêlos dos apêndices bucais das lagostas comuns no mar do Norte. Os animais dessa espécie apresentam um complexo ciclo de vida em sincronismo com o dos crustáceos. Os machos estão sempre presos a uma forma assexuada chamada pandora. As fêmeas aparecem por pouco tempo e possuem vida livre.

 


Aula sugerida por Ricardo Vieira dos Santos Paiva, professor do Colégio Santa Cruz, de São Paulo

 
 
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