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Edição 1907, 1â de junho de 2005

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias – Biologia

Por que o evolucionismo ainda não é aceito universalmente? Examine com a garotada

Discuta as idéias defendidas por Richard Dawkins, aum dos maiores apólogos de Darwin da atualidade


“O Devoto de Darwin”, Páginas Amarelas de VEJA


Duas aulas de 50 minutos


Seleção natural, evolucionismo e o pensamento de Richard Dawkins


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Analisar e discutir as idéias do biólogo Richard Dawkins acerca da teoria evolucionista

Se hoje não se discute mais a universalidade das leis da física nem as teorias geológicas, o mesmo não ocorre com a teoria da evolução das espécies, sujeita continuamente a polêmicas de natureza política e social. Na entrevista concedida a VEJA, o biólogo Richard Dawkins, que muitos consideram um darwiniano fundamentalista, explica por que ainda há tanta reação às idéias evolucionistas e examina o papel da ciência na sociedade, confrontando-o com o da religião – uma conciliação pessoalmente impossível para ele. As observações do pensador britânico envolvem conceitos importantes e modernos, alguns deles talvez ainda desconhecidos da turma. Prepare-a para um estimulante ciclo de estudos.

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Para começo de conversa

Promova a leitura da entrevista em duas etapas, encerrando a primeira no trecho em que o autor inglês responde à questão sobre clonagem. Anote as dúvidas que surgirem para um exame aprofundado no final.

Deixe claro que a discussão em torno da entrevista de Richard Dawkins não significa postular idéias contrárias ao evolucionismo. O objetivo é examinar a argumentação do cientista.

Só de brincadeira, pergunte se alguém tem dúvida sobre o significado de verdade universal, mencionado pelo entrevistado. Seria aquela aceita por todo mundo? Defina a diferença entre aceitação e validade universais.

Desafie a turma a explicar as concepções de Darwin sobre genética, às quais o autor se refere como erradas. Depois, conte que embora o naturalista britânico presumisse a transmissão de características de uma geração para outra, ele desconhecia os mecanismos da hereditariedade.

Verifique o entendimento da classe a respeito do confronto entre acaso e seleção natural. Embora todos possam compreender o funcionamento desse fenômeno, muitos ainda têm arraigados conceitos contraditórios sobre ele.

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Para debater

Dawkins refere-se à idéia de um Deus criador da vida como um complicador. Discuta o que essa afirmação encerra em termos de procedimento científico. Destaque que o papel do pesquisador é explicar o mundo pela observação dos fenômenos naturais, utilizando o instrumental disponível e universal que a ciência oferece. O que estiver além disso é mera especulação. Isso permite entender, em parte, a repartição cerebral que o biólogo britânico atribui aos cientistas religiosos. Ao mesmo tempo, no entanto, ele manifesta sua dificuldade em simpatizar com a manutenção de crenças contraditórias. Quais seriam elas? Religião e ciência? Podemos nivelá-las como crenças? Aí vale perguntar: O que seria dos estudos científicos se todos os seus militantes tivessem de resolver primeiro esse problema interno para depois elaborar suas teorias? Einstein teria tempo para formular a teoria da relatividade? Deve-se ressaltar também a conotação valorada do termo simpatizar. Isso não conduz o assunto ao plano do gosto pessoal?

Em seguida, peça que todos reflitam sobre o radicalismo intelectual do autor quando sugere não ser recomendável o uso que fez da palavra “religião”, no mesmo sentido empregado por Einstein, a fim de evitar deturpações. Qual a função do divulgador científico, ofício tão bem desempenhado por Dawkins? É formular as idéias e explicá-las ou evitar as que podem levar a interpretações perigosas? É essa a melhor forma de disseminar os conhecimentos? Não debater com os criacionistas não é comparável à posição da Igreja ou a das escolas americanas que barram os estudos sobre seleção natural? Afinal, é nesse debate que está a base de uma educação científica, tão necessária, como defende o entrevistado, para que vinguem as discussões racionais e o pensamento inteligente.

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ExercØcios e outras atividades

Encomende uma pesquisa para aprofundar a biografia de Richard Dawkins, levantando algumas de suas obras e o conteúdo delas. Na entrevista, o zoólogo refere-se a meme. Examine novamente o significado do termo – cunhado por ele –, associado a uma unidade de imitação. Um símbolo, como um rosto estilizado sorrindo, é um meme, pois traduz uma idéia que passa de uma mente para outra. Além da religião, proponha que os alunos busquem outros memes conhecidos. Aponte o critério subjetivo de Dawkins quando se refere a bons memes e compara os contrários a vírus de computador. O que os estudantes acham dessa comparação?

Em seguida, analise os conceitos de egoísmo e altruísmo postulados como comportamentos de propósitos inconscientes. O autor de O Gene Egoísta refere-se a eles como mecanismos que aumentam as possibilidades de sobrevivência de genes de um indivíduo às custas de outro. Assim, tais chances são reduzidas ou ampliadas como efeito de um comportamento.

Para finalizar, passe para a segunda etapa da leitura e levante para discussão o pensamento de Dawkins em relação aos temas polêmicos da genética moderna. Destaque a posição do ser humano para a biologia atual.

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Roteiro proposto pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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