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Edição
1945, 1é de março de
2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Educação
e Cultura
Ensino
com muito jogo de cintura
Mostre aos alunos como as carências
e a criatividade se combinam no sistema educacional brasileiro
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Mauricio
Nahas
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Paulo
Freire: palavras do mundo sociocultural do estudante
usadas para a alfabetização
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Inovações
na educação brasileira


Perceber
como as próprias carências no
sistema educacional estimulam a criatividade
e novas soluções |
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No
artigo "Qualidade
ou Inovação?", sobre a educação
brasileira, há um raciocínio que vale também
para analisar outras áreas. Trata-se da combinação
de ausência e carência, desorganização
com criatividade, inteligência e soluções
para problemas. No Brasil, país enorme e com diversidade
de recursos para investir em economia, infra-estrutura e serviços
sociais, ocorre um baixo predomínio dos sistemas padronizados.
Assim, os empreendimentos econômicos têm dimensões
múltiplas e funcionam de muitas formas. Isso acaba
sendo ruim, pois as técnicas mais avançadas
de administração passam ao largo de boa parte
dessas iniciativas. Mas, por outro lado, a situação
obriga educadores e gestores a improvisar, a inventar. Apesar
dos problemas, essa criatividade meio forçada se transforma
numa virtude do sistema. O texto de Claudio de Moura Castro
e este plano de aula podem ajudar seus alunos a examinar as
diversas dimensões do tema.
Para
começo de conversa
Em qualquer discussão
sobre os problemas socioeconômicos do Brasil, são
mencionados aspectos como a pobreza de uma parcela considerável
da população, a dependência tecnológica,
a baixa qualificação do trabalho e da gestão
das empresas etc. Sem dúvida, a educação
brasileira tem seu naco de responsabilidade por esse quadro
sombrio. Mas será que nosso sistema de ensino, juntamente
com suas deficiências notórias, tem virtudes
que podem ser pontos de apoio para sua qualificação?
Esse sistema impediu que a criatividade e o sentimento de
solidariedade humana de um teórico da importância
de Paulo Freire se manifestassem? Eis o eixo deste roteiro.
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Luis
Moraes
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Educação
de jovens e adultos: esforço oficial
para alfabetizar todo mundo
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Atividades
Que tal sugerir a realização
de pesquisas sobre a rádio e a TV educativas, o Provão
e as demais inovações da educação
brasileira apontadas no artigo de VEJA? Quais delas os estudantes
já conheciam? O esforço oficial para trazer
jovens e adultos de volta à escola também merece
atenção. Para colaborar com a turma, você
pode adiantar alguns dados sobre Freire e o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), maior complexo
de educação profissional da América Latina.
Conte que a obra do pernambucano
Paulo Freire constitui um bom exemplo da capacidade de compensar
carências com improvisos e invenções,
destacada pela revista. Foi seu trabalho na área da
alfabetização que o tornou célebre nos
anos 1960. Seu método rompia com formas padronizadas
de letramento que ignoravam as necessidades, os interesses
e o contexto cultural dos estudantes (crianças e pessoas
de todas as idades). Alfabetizar com palavras do mundo do
aluno e não com outras, vindas de situações
estranhas foi sua convicção e ação.
Parece muito simples? Na singeleza desse ato se encontra a
origem de algo fundamental: o envolvimento dos aprendizes,
sem o que a educação perde grande parte de sua
potência.
Explique que, se a alfabetização
é feita com base no universo do estudante, mais do
que aprender a ler e escrever palavras, ele se interessa pelo
ambiente em que vive. E percebe na linguagem escrita um instrumento
de comunicação com o mundo, e não uma
mera técnica a ser aprendida. Para Freire, educar é
construir, libertar o ser humano. É um ato comunicante,
de participação conjunta de professores e estudantes.
Por isso, algo banal em nossos dias também se deve
em alguma medida a esse revolucionário. Trata-se da
substituição do formato convencional das salas
de aula pela distribuição de professores e alunos
em círculos e o emprego de técnicas de grupo
(a conversa, as equipes de estudo e de ação,
o fórum, o grupo de debate etc.) como alternativas
à conferência e à exposição
didática. Esses recursos inovadores preparam o clima
para o diálogo e a descoberta, pelos atores, de conhecimentos
já existentes entre eles, mas não percebidos
como saberes. Peça que a turma investigue se na escola
são utilizadas técnicas não hierarquizadas
de ensino, que remetem às criações pedagógicas
de Paulo Freire e outros educadores progressistas.
Informe que Freire começou
sua trajetória como professor inquieto e idealizador
de novas formas no Sesi do Recife. Essa pode ser a ponte para
o exame dos componentes do chamado Sistema S, entre os quais
o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Senai.
É uma área de excelência da educação
brasileira, que começou a se desenvolver na década
de 1950. Foi uma iniciativa do empresariado nacional, que
naquele período estabelecia sua hegemonia na sociedade
e lidava com os problemas associados ao modelo desenvolvimentista.
Conscientes de que o Estado não daria conta, isoladamente,
desses desafios, os setores industriais e comerciais resolveram
financiar, com recursos próprios, um conjunto de programas
sociais, educativos, culturais e de formação
profissional. O empreendimento foi consolidado com a criação
do Serviço Social do Comércio (SESC), do Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), além do
Sesi. São essas entidades, mais o Senai, criado em
1942, que constituem o núcleo histórico do Sistema
S.
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Roberto
Loffel
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Alunos
do Senai aprendem um ofício ligado ao
setor industrial: 2 milhões de matrículas
anuais
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Para
debater
Conte que a trajetória
do Senai que contabiliza mais de 2 milhões de
matrículas anuais e das demais instituições
do sistema permite comprovar um feito raro no país:
é uma solução simultânea para a
educação, a integração social
e o fomento cultural e não discrimina ninguém.
Elas talvez estejam entre as poucas entidades brasileiras
nas quais as diferenças de classe, etnia ou origem
regional não são importantes. Algo que o próprio
Estado não consegue fazer. Lance um tema para debate:
o nosso empresariado enfrenta hoje desafios da mesma magnitude?
Por que não?

Aula sugerida por
Jaime Tadeu Oliva, professor
de Geografia Urbana da UniFieo, de Osasco (SP)
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