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Edição
1945, 1é de março de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias
Física
Como
voam os balões e dirigíveis
Explique as leis da Física que empurram
os aerostatos e conte a história desses veículos
mais leves que o ar

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Leis
de Newton e Teorema de Arquimedes


Entender
a dinâmica de vôo dos balões
e dirigíveis e acompanhar sua evolução
histórica |
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Voar
é um dos sonhos mais fascinantes já concretizados
pela humanidade. E o desenvolvimento dos mecanismos que nos
permitiram sair do chão constitui um capítulo
à parte dessa aventura. Segundo a mitologia grega,
Ícaro criou asas de cera para escapar da prisão
e tentar sem sucesso aproximar-se do Sol. Na
Renascença, Leonardo da Vinci projetou uma espécie
de embrião dos atuais helicópteros. Com o 14-Bis,
Santos Dumont provou que o céu é mesmo o único
limite. A reportagem de VEJA anuncia que, num futuro próximo,
um transatlântico voador inspirado nos antigos zepelins
cruzará a troposfera a 250 quilômetros por hora,
levando a bordo até 250 passageiros confortavelmente
instalados. Batizada de Aeroscraft, a aeronave vai dispor
de restaurante, salas de relaxamento, suítes luxuosas
e até cassino. Pode parecer loucura, mas não
custa lembrar que tal expressão foi usada por muitos
no passado para descrever outras invenções flutuantes.
Aproveite essa nova promessa da indústria aeronáutica
americana para explicar à turma os princípios
físicos envolvidos no deslocamento dos dirigíveis.
Identifique além disso o combustível ideal para
essas máquinas maravilhosas.
Preparação
da aula
Providencie dois balões
de borracha, desses usados em festas de aniversário,
idênticos. Um deve estar cheio de hélio e o outro,
vazio.
Para
começo de conversa
Uma vez concluída a leitura
do texto de VEJA, solicite que os alunos destaquem aspectos
físicos como velocidade e peso do Aeroscraft, pressão
do ar nas cabines, potência das turbinas e quantidade
de gás necessária para encher o invólucro
do dirigível. Em seguida, relembre o Teorema de Arquimedes:
"Todo corpo, total ou parcialmente imerso em um fluido
(líquido, gás ou vapor), recebe deste uma força
vertical, de baixo para cima, denominada empuxo". Recorde
ainda que a intensidade ou módulo da
força empuxo é igual ao módulo do peso
do fluido deslocado. Portanto, a intensidade do empuxo (E)
depende da densidade (d) e do volume (V) de fluido deslocado
e da aceleração da gravidade (g). O conceito
é representado pela fórmula E = d·V·g.
Revise ainda a primeira lei de Newton, também conhecida
como princípio da inércia: "Todo corpo
tende a manter seu estado de repouso ou de movimento retilíneo
e uniforme a menos que seja obrigado a alterar esse estado
por ação de uma força resultante externa".
Desenhe no quadro o esquema abaixo
para explicar como um balão dirigível se move
na posição vertical. As forças atuantes
são o peso do invólucro, o peso do gás
que o preenche e o empuxo aplicado pelo ar. Se preferir, considere
só uma força peso, dada pela soma dos pesos
do invólucro e do gás em seu interior. Na situação
de equilíbrio, quando o balão fica em repouso
ou está em movimento retilíneo e uniforme, o
empuxo deve equivaler ao peso do conjunto balão + gás.
Se o módulo do peso do conjunto é maior que
o módulo do empuxo, o balão desce. Caso contrário,
ele sobe.
Atividades
Apresente à sala o balão
com hélio, segurando-o pelo nó que o fecha.
Peça que um estudante encha o outro balão, soprando-o
até que atinja o tamanho do primeiro. Só então,
o jovem deve fechá-lo. Forneça a densidade
ou massa específica dos gases: 1,29 kg/m3 para
o ar e 0,18 kg/m3 para o hélio. Ressalte que as duas
bexigas estão sujeitas a empuxos de mesma intensidade,
pois deslocam volumes praticamente iguais de ar. Por isso,
ambas são forçadas para cima com forças
de intensidade idêntica. Pergunte o que acontece se
soltarmos os dois balões de uma mesma altura. Ouça
as hipóteses e confirme que a bexiga cheia de hélio
é mais leve que a outra. Assim, a primeira apresenta
uma força resultante dirigida para cima e sobe mais
rápido.
Explore a linha do tempo que
ilustra este plano de aula. Diga que os veículos mais
leves que o ar chamam-se aerostatos e podem ser de dois tipos.
Pergunte quais são e o que os diferencia. Ensine que
os balões não precisam de impulso para sair
do chão. O primeiro deles, projetado por um padre brasileiro
no século XVIII, voava com auxílio de ar quente
emitido por uma fogueira. O invento foi exibido em Portugal
e não agradou à Inquisição. Já
os dirigíveis, para subir, exigem que seus invólucros
sejam preenchidos com gases específicos. A variação
semi-rígida desses veículos, desenvolvida simultaneamente
no final do século XIX na França e no Brasil,
foi fundamental no estudo da relação entre atmosfera
e altitude. Nos dirigíveis rígidos, armações
metálicas sustentam o invólucro. Depois da tragédia
que destruiu o Hindenburg, em 1937, os dirigíveis saíram
de circulação por um bom tempo. Nos modelos
atuais, o hidrogênio foi substituído por hélio.
A classe sabe por quê? Mesmo tendo a densidade mais
leve do universo, o primeiro possui uma altíssima reatividade.
O outro, segundo gás menos pesado da natureza, é
do tipo inerte: não reage nem mesmo com chamas ou faíscas.
Por isso revelou-se o combustível ideal dos dirigíveis
que desde os anos 1990 sobrevoam as principais capitais do
país. Nesses outdoors aéreos, usados por uma
emissora de TV, jornalistas observam o trânsito e cinegrafistas
gravam partidas de futebol e desfiles de Carnaval. Além
do Aeroscraft, o que o futuro reserva para esses veículos?
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Leves
e soltos
Os
aerostatos surgiram no século XVIII e até
hoje foram fundamentais para o estudo das relações
entre atmosfera e altitude. Estes são alguns
dos principais balões e dirigíveis
já criados. Apresente-os à garotada
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1709
Passarola
Primeiro balão da história,
criado pelo padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão,
levantou vôo em Lisboa. Poucos desenhos seus sobreviveram
à censura da Inquisição
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1785
- Balão de calor
Inflado por ar quente proveniente de fogueiras, também
surgiu na Europa. A imagem remete ao primeiro aerostato
que cruzou o Canal da Mancha
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1852
- Dirigível semi-rígido
Era guiado por um leme e impulsionado por um motor a
vapor.
O primeiro vôo ocorreu na França, quando
o veículo percorreu
um trajeto de 24 quilômetros
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1900
- Graf Zeppelin
Abastecido por hidrogênio, foi fabricado na Alemanha.
Carregava os passageiros numa gôndola suspensa.
Visitou
diversos países mundo afora inclusive
o Brasil em 1930
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1936
- Hindenburg
O maior charuto flutuante do mundo transportava até
235 toneladas.
Em 1937, explodiu quando tentava atracar na torre
do aeroporto de Nova Jersey, nos Estados Unidos
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1996
- Dirigível publicitário
Tem capacidade para até seis pessoas. Desse outdoor
voador usado por uma emissora de TV, são feitas
imagens
aéreas de jogos de futebol e desfiles de Carnaval
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Roteiro proposto por
Paulo Cesar Martins Penteado, professor de Física do
Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis
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