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O tempo do corpo

O funcionamento do organismo é cronometrado por proteínas que definem o ritmo dos hábitos regulares

Eram 5 da manhã da segun­da-feira 2 quando o telefone tocou na casa do biólogo americano Michael Rosbash, em Waltham, próximo a Boston. Firme para seus 73 anos, ele despertou tonto de sono com a notícia de que fora premiado com o Nobel de Medicina, ao lado de outros dois companheiros de pesquisa, Jeffrey Hall, de 72 anos, e Michael Young, de 68. “Estou chocado com a notícia, sentado de pijama”, reagiu. O susto da madrugada, a cortar-lhe a noite na cama, foi como sentir na pele o tema que o levou à glória: os mecanismos de funcionamento do chamado relógio biológico, que dita o tempo de vigília e sono do ser humano.

O trio de americanos identificou uma coleção de genes e proteínas responsáveis pelo funcionamento molecular do que cientificamente é chamado de ciclo circadiano. O sistema tem impacto em hábitos do cotidiano. Ao longo das 24 horas do dia, ele regula os padrões do sono, a liberação de hormônios e a pressão arterial (veja o quadro abaixo). Hoje se sabe que o descompasso temporário entre o ciclo e o ambiente externo está associado a desconfortos de saúde. O jet lag, m­­al-estar causado por uma viagem quando se cruzam vários fusos horários, é um deles. A irregularidade crônica pode deflagrar doenças neurodegenerativas e até alguns tipos de câncer.

(Arte/VEJA)

Publicado em VEJA de 11 de outubro de 2017, edição nº 2551