Adeus, gasolina

A sueca Volvo, controlada por um grupo chinês, decide dar fim aos carros movidos apenas a combustão. A partir de 2019, haverá somente elétricos ou híbridos 

A disputa pelo título de montadora mais valiosa do mundo está entre mamutes tradicionais e a Tesla, minúscula fabricante do setor — mas seu valor imenso está num ponto específico: a Tesla fabrica carros elétricos, e o mundo acha que quem superar os motores a combustão levará o prêmio. Por isso, todas as grandes empresas estão investindo pesado em modelos elétricos. Na semana passada, a corrida atingiu seu ponto mais alto.

A sueca Volvo deu um passo ousado ao anunciar que não lançará mais nenhum carro movido exclusivamente a combustão a partir de 2019. Trata-se da primeira grande montadora a adotar tal postura. Todos os novos modelos da Volvo serão elétricos ou híbridos (quando há um motor convencional e outro assistente, alimentado pela eletricidade). Faz todo o sentido que tenha sido a Volvo a desbravar a nova tendência. Antes comandada pela Ford, a montadora foi comprada pela chinesa Geely, em 2010. O mercado chinês é o maior consumidor de automóveis elétricos e híbridos do mundo. No ano passado, foram vendidos mais de 260 000 carros movidos a bateria no país asiático — mais que o dobro do registrado em toda a Europa. O nível de poluição, altíssimo por lá, é o grande incentivo para o investimento em motores “limpos”. Por esse motivo, a China está despontando como potência em tecnologia para veículos elétricos. Os novos modelos da Volvo serão fabricados ali, em uma planta da Geely que já produz elétricos.

Dona da Mercedes, a Daimler está investindo 655 milhões de euros em uma fábrica chinesa que fornecerá baterias a todos os carros elétricos da marca a partir de 2020. Até mesmo a Tesla tem planos de construir uma fábrica perto de Xangai. Diversos países, como Noruega, China, Japão e Estados Unidos, oferecem subsídios generosos a quem optar por um carro elétrico ou híbrido. Mas o principal entrave para a popularização desses veículos continua sendo o de sempre: o preço. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que o custo de produção das baterias caiu 80% nos últimos sete anos. Ainda assim, um modelo elétrico pode sair mais caro que um sedã de luxo convencional. Reverter isso deve ser questão de tempo. Em duas décadas, estima-se, os elétricos e híbridos vão representar oito em cada dez novos veículos rodando no mundo.

Publicado em VEJA de 12 de julho de 2017, edição nº 2538