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Quem é quem

O judoca brasileiro Tiago Camilo vai pisar nos tatames
de Pequim em busca do único título que ele ainda
não possui: o ouro olímpico. No caminho, o atual
campeão mundial deverá enfrentar um forte oponente:
o italiano Giuseppe Maddaloni que, há oito anos,
derrotou Camilo na final olímpica em Sydney.
Conheça o perfil dos dois atletas e saiba quais são
as chances deles nos próximos Jogos Olímpicos.


 Tiago Henrique de Oliveira Camilo
 Judoca da Sociedade de Ginástica Porto Alegre
 26 anos (Tupã, Brasil, 24 de maio de 1982)
 1,81 metro de altura e 81 quilos
 Técnico: Antônio Carlos Pereira, o Kiko, 39 anos

 Giuseppe "Pino" Maddaloni
 Judoca do Universal Center (Nápoles, Itália)
 31 anos (Nápoles, Itália, 10 de julho de 1976)
 1,72 metro de altura e 81 quilos
 Técnico: Giovanni Maddaloni, 51 anos

A medalha de ouro é a única conquista que falta na estante de troféus de Tiago Camilo. É por isso que o judoca brasileiro tem se preparado como nunca para disputar os Jogos Olímpicos de Pequim. "É uma motivação a mais para mim. Estou melhor fisicamente, taticamente e psicologicamente. Estou até dormindo e me alimentando melhor para chegar à China no auge", diz o atleta. Ambição Além de voltar para a Itália levando na mala uma medalha de ouro, Giuseppe quer ver seus companheiros de seleção fazendo o mesmo.
Ele acredita que Giovani Casale e Paolo Bianchessi têm boas chances de se tornarem campeões olímpicos - e já disse que espera três medalhas de seu país. Maddaloni também pretende reencontrar Tiago Camilo nos tatames olímpicos.


Meio-médio (até 81Kg)
Categoria

Meio-médio (até 81Kg)
Copas do Mundo: em 2007, ouro na copa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e bronze em Budapeste, na Turquia. Vice-campeão da Super Copa do Mundo de Hamburgo, na Alemanha, em 2004, e medalhista de bronze na edição 2008. Medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Foi campeão mundial no mesmo ano. Resultados recentes Medalhista de bronze no Campeonato Europeu de Judô realizado em Portugal, em 2008. Quinto lugar no Campeonato Mundial, em 2007, no Rio de Janeiro. Campeão dos Jogos Mediterrâneos em 2005, na Espanha. Segundo e terceiro lugares nos campeonatos europeus de 2001 e 2002. Bicampeão europeu em 1998 e 1999.
Em setembro de 2007, Camilo foi eleito o melhor judoca do mundo, numa eleição disputada por 776 atletas. O prêmio Troféu Ippon foi um reconhecimento do excelente resultado de Tiago na disputa do Campeonato Mundial, realizado no Rio de Janeiro. O atleta venceu as sete lutas que disputou com golpes que atingiram a pontuação máxima do judô, o ippon.
Melhor momento
Um dos momentos mais marcantes da carreira do italiano aconteceu antes mesmo de ele se tornar um lutador da categoria sênior, a principal do esporte. Enquanto disputava a categoria júnior, ele conseguiu ser tricampeão italiano em 1994, 1995 e 1996. Os títulos vieram com uma marca histórica: conseguiu ser o único judoca a jamais sofrer uma derrota na competição.
Em 2004, Tiago Camilo e Flávio Canto travaram uma verdadeira batalha para decidir qual judoca brasileiro representaria o país na categoria meio-médio nas Olimpíadas de Atenas. A disputa terminou na Justiça. A seletiva, realizada pela Confederação Brasileira de Judô, era em confronto direto. Flávio venceu a melhor-de-três por 2 a 1. A terceira luta, porém, foi alvo de contestações. Tiago estava vencendo, mas acabou punido, a dois segundos do final da luta, por falta de combatividade. Camilo chegou a ir aos tribunais para pedir a anulação do resultado, mas acabou sem a vaga para os Jogos. Pior momento Em fevereiro de 2004, numa competição na Alemanha, Giuseppe rompeu o músculo adutor da perna direita, o que o impediu de participar de pelo menos três torneios essenciais para que acumulasse pontos na fase de classificação para os Jogos de Atenas. Na ocasião, o atleta se irritou com a cobrança da imprensa e do público sobre sua participação. "O que posso fazer? Devo permanecer calmo e encarar a má sorte", afirmou. "A verdade é que as regras (de classificação para a disputa dos Jogos) são injustas. Um campeão olímpico da edição anterior deveria conseguir a vaga automaticamente."

A estréia de Tiago Camilo em Olimpíadas foi nos tatames de Sydney, em 2000, quando ele tinha 18 anos. O judoca trazia consigo o título do Mundial Júnior do ano anterior. Na ocasião, o brasileiro chegou à final, mas acabou sendo derrotado justamente por Giuseppe Maddaloni, e ficou com a medalha de prata. Tiago ainda competia na categoria leve, até 73 quilos.

Histórico em Olimpíadas

Giuseppe foi campeão olímpico em Sydney, na primeira Olimpíada que disputou, em 2000. Ele derrotou o brasileiro Tiago Camilo na final da categoria leve. Os Jogos de Pequim marcarão a segunda participação de Maddaloni em Olimpíadas, já que uma série de lesões o impediram de participar da competição de 2004, em Atenas, na Grécia.

A rotina de treinos de Tiago inclui trabalhos pela manhã e à noite. Por volta das 10 horas, o judoca prioriza o condicionamento físico, com trabalhos de musculação, fisioterapia e corrida. Já às 20 horas, o treino é técnico, no tatame, ao lado da equipe de judô do clube que defende. Treinamento Os treinamentos de Maddaloni visam, sobretudo, fortalecer a musculatura e a força do atleta. Para tanto, faz exercícios de manhã e à noite. Além da parte técnica e física, o judoca busca em seus treinamentos exercitar também a parte emocional, para controlar os nervos nas lutas.


Seu ponto forte está no fato de ter conseguido adaptar em seu estilo de luta duas escolas diferentes do judô - a japonesa e a do leste europeu. Tiago é um atleta muito técnico, que consegue unir o melhor dos dois estilos.
Ponto forte

Para se destacar de seus adversários na disputa pelo ouro em Pequim, Maddaloni aposta na sua principal característica: a força física. É a potência de seus músculos a sua grande arma, aliada ao seu raciocínio rápido e velocidade.
O próprio Tiago acredita que a atmosfera que encontrará em Pequim pode se tornar um ponto fraco, caso ele não consiga controlar o nervosismo. Ele lutará também contra o clima de favoritismo. Tiago tornou-se um nome bastante forte na busca pelo ouro desde 2007. Ponto fraco Maddaloni tem sofrido uma série de graves lesões ao longo dos últimos anos, o que já fez o italiano ficar longe dos tatames por mais de um ano. Por isso, as últimas competições têm servido para que ele recupere seu ritmo de luta - que mesmo assim não vai ser o ideal em Pequim.
Para conseguir seus famosos ippons, Tiago faz uso do Uchi-mata, considerado o golpe clássico do judô. Foi com ele que Tiago venceu o cubano Jorge Benavides na final do Pan de 2007.

Melhor golpe É extremamente eficiente aproveitando-se dos erros do adversário para aplicar contra-golpes, como o sukashi-uchimata, com o qual venceu Tiago Camilo em Sydney.

Dentro do tatame um quer comer
o outro vivo, mas fora eu me relaciono
muito bem com os outros atletas.

Sobre o relacionamento com Flávio Canto, de
quem Tiago garante que não guarda mágoas,
em entrevista ao portal Terra.

Seria bom estar recebendo esse dinheiro desde o início do ano. Mas ainda não recebemos nada e daqui a pouco começa a Olimpíada.
Ao cobrar, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a ajuda de custo de 3.500 reais que cada judoca olímpico deveria receber da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), por intermédio do patrocínio da Infraero.

Frases
Penso que instalou em mim um microchip que me transmite força de vontade, garra, força, mas nunca o pensamento de desistir.
Sobre a importância de seu pai, Giovanni,
para a sua carreira como judoca, em entrevista
ao canal de TV italiano RAI.

Tiago Camilo é melhor do que eu.
Será difícil ganhar dele, mas se
chegar à final vou me esforçar ao
máximo para vencê-lo.

Demonstrando modéstia em suas expectativas
sobre um possível confronto com
o judoca brasileiro em Pequim, em
entrevista ao portal Terra.



Paulista de Tupã, Tiago Camilo foi criado em Bastos, também no interior de São Paulo. Sua paixão pelo judô nasceu quando o atleta tinha apenas 5 anos. O judoca foi assistir a um treino de seu irmão Luís e no dia seguinte já estava pronto para pisar no tatame. Tiago sempre levou o esporte a sério e não reclamava nem mesmo dos pesados treinamentos que enfrentava na Academia Bastos, onde a preparação incluía andar pelas ruas carregando pneus nas costas. Aos 16 anos conquistou o Mundial sub-20. Em busca do ouro olímpico, Tiago decidiu se afastar da agitação de São Paulo - treinava em São Caetano - e mudou-se para o Rio Grande do Sul.
História

Lutar judô é uma tradição da família de Giuseppe. Seu pai, Giovanni, é dono de uma academia. Seus irmãos, Marco e Laura, também fazem parte da seleção italiana de judô. Foi Giovanni o primeiro técnico de Giuseppe, quando o atleta tinha apenas quatro anos de idade. A paixão pelo esporte, porém, vem desde mais cedo. Aos dois anos, Giuseppe já freqüentava a academia do pai. Aos sete, transferiu-se para o centro de treinamento Universal Center, referência no ensino de judô. Em 1988, venceu seu primeiro campeonato, o italiano infantil. Em 1994, foi campeão júnior. Em sua estréia na categoria sênior, em 1997, foi também campeão italiano.

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