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Quem é quem

Em agosto, Michael Phelps, o maior nadador do mundo, buscará um recorde em Pequim: o maior número de medalhas de ouro em uma única edição dos Jogos Olímpicos. Ele deverá se encontrar, em cinco provas, com o maior destaque das piscinas brasileiras, Thiago Pereira. Este busca quebrar um jejum de 12 anos sem uma medalha olímpica individual para um nadador do país. Conheça melhor os atletas e prepare-se para a disputa.


 Michael Fred Phelps II
 Nadador pelo Club Wolverine (Michigan, USA)
 22 anos (Baltimore, Maryland, 30/6/1985)
 1,93 metro de altura e 88 quilos
 Universidade de Michigan
 Índice olímpico para Pequim nas provas de 200m
 e 400m medley, 100m, 200m e 400m livre,
 100m e 200m costas, 100m e 200m borboleta
 Técnico: Bob Bowman, 43 anos
 Site oficial: www.michaelphelps.com

 Thiago Machado Vilela Pereira
 Nadador pelo Minas Tênis Clube (Belo Horizonte)
 22 anos (Volta Redonda, RJ, 26/1/1986)
 1,85 metro de altura e 82 quilos
 Ensino Médio completo
 Índice olímpico para Pequim nas provas de 200m
 e 400m medley, 200m livre, 200m peito, 100m e
 200m costas e no revezamento 4x200m livre
 Técnico: Fernando Vanzella, 41 anos
 Site oficial: www.thiagopereira.com.br

Superar a marca histórica do nadador americano Mark Spitz, que conquistou sete medalhas de ouro nos Jogos de Munique, em 1972. Em Atenas, 2004, Phelps subiu no topo de seis pódios. Em busca da meta, já garantiu a disputa de nove provas individuais em Pequim. Ambição Conquistar uma medalha olímpica em prova individual. Os últimos nadadores brasileiros a atingirem esse objetivo foram Gustavo Borges (prata e bronze) e Fernando Scherer (bronze), nos Jogos de Atlanta, em 1996 (em 2000, nos jogos de Sidney, o revezamento foi bronze).
Em 2000, ao 15 anos, Phelps estreou nos Jogos de Sydney com o quinto lugar nos 200m borboleta. Quatro anos depois, em Antenas, alcançou a marca histórica do ginasta Russo Aleksandr Dityatin: oito medalhas em uma mesma edição olímpica, seis delas de ouro. Histórico em Olimpíadas A estréia de Thiago Pereira nas Olimpíadas aconteceu em 2004, quando tinha 18 anos. Pereira competiu em duas provas: os 200m e 400m medley. Na primeira, conquistou o 5º lugar. Na segunda, ficou com a 17º posição. As duas provas foram vencidas por Phelps.


Nado Medley (200m e 400m)
Principal modalidade

Nado Medley (200m e 400m)
Entre o ouro nos 200m medley em Atenas, em 2004, e a vitória na mesma modalidade no Mundial de Melbourne, em abril de 2007, Phelps reduziu 2.16 segundos na prova. No mesmo período, conseguiu reduzir seu próprio recorde nos 400m medley, estabelecido em Atenas, em 2.04 segundos. São os índices de Melbourne que garantem sua presença em Pequim. Progressão Entre 2001 e 2007, baixou 16 segundos em seu tempo nos 200m medley. "Hoje o Thiago tem 22 anos, em 2001, tinha 15", diz o técnico Fernando Vanzella. "Estava na fase de crescimento, o que facilita a evolução do nadador". Vanzella exemplifica a evolução recente de Thiago com os 400m medley. Entre 2006 e o final de 2007, reduziu 7 segundos na prova.
O corpo de Phelps foi moldado para viver na água. Fora dela, o nadador parece um adolescente desajeitado. Principalmente por causa dos braços extremamente compridos - a distância entre uma mão e outra, quando está de braços abertos, é maior que a altura de seu corpo. Eles garantem braçadas excepcionalmente fortes. Além disso, Phelps possui pernas curtas, que oferecem menor resistência à água e auxiliam na flutuação. Corpo O diferencial de Thiago está na anatomia das pernas, ligeiramente curvadas. "Os tornozelos têm uma amplitude que permite executar qualquer tipo de pernada com muita eficiência", diz Vanzella. A hiperextensão de seus joelhos, segundo o técnico, também facilita na batida da perna na água. A potência dos membros inferiores do nadador, assim como a flexibilidade dos ombros, poupa a carga dos braços, garantindo menos cansaço.
Em janeiro, Phelps seguiu pata o Centro de Treinamento Olímpico dos Estados Unidos para um mês de preparação. Nadou cerca de 12.000 a 16.000 metros por dia, combinando a rotina com musculação, exercícios cardiorespiratórios e, principalmente, treinamentos para grandes altitudes. A rotina normal de treinamento de Phelps inclui, além das piscinas, musculação todas as manhãs e exercícios específicos de preparo físico, dentro e fora da água. Em meio aos treinos, Phelps inclui competições, como o Grand Prix de Ohio, em abril, escolhendo algumas provas como principais para medir seu desempenho em específico. Treinamento Thiago faz dez treinamentos semanais em piscina. Em quatro dias, faz um treino na manhã e outro na tarde. Na quarta e no sábado, entra na piscina uma vez. Fora da água, o nadador faz exercícios de prevenção duas vezes e musculação três vezes por semana, em dias alternados. Na quarta, passa por um trabalho de recuperação com fisioterapia e crioterapia, para suportar treinamentos fortes. Quanto mais próximo da competição, a carga de esforço diminui e aumentam os trabalhos de estratégia. Seu último ciclo de preparação para Pequim acontece em Sierra Nevada, na Espanha, onde faz um treinamento em altitude.
Phelps é o principal garoto-propaganda do LZR Racer, o supermaiô criado com tecnologia da Nasa, a agência espacial americana, pela Speedo, que patrocina o nadador. Ao diário italiano La Gazzetta dello Sport, ele disse que o polêmico lançamento ajuda, sim, a reduzir "alguns centésimos". Mas também afirmou que "sem trabalho duro [os maiôs] não são o suficiente". O supermaiô Nas Olimpíadas de Pequim, Thiago deverá pular na água com o LZR Racer, o supermaiô da Speedo, motivo de polêmicas esportivas e comerciais. O modelo, se macacão ou calça, ainda será escolhido. "Ele está experimentado qual será o melhor", diz o técnico Vanzella. O nadador é patrocinado pela empresa, o que elimina as chances de utilizar outra marca.
Se há algo errado, é o nado peito, onde Phelps não acumula bons resultados - embora o técnico Bob Bowman tenha dito que o nadador já avançou muito nesta modalidade. Quando fala sobre um ponto fraco, Bowman cita a mesma anatomia que funciona tão bem dentro da água. Os grandes braços, abertos, ultrapassam a altura do corpo. Em terra firme, Phelps é desajeitado e se machuca com freqüência. Por isso, seu treinador não o deixa correr ou fazer atividades físicas intensas, temendo lesões. Ponto fraco Segundo Vanzella, ainda falta aprimorar a finalização de Thiago nas provas de medley, onde ele sempre utiliza o nado crawl. "Isso deixa a impressão de que este é o seu pior nado, o que não é verdade", diz o técnico. "Devemos melhorar o crawl na prova de medley, que exige do atleta uma capacidade adaptação na troca de nados". A freqüência da braçada de Thiago após a troca é muito baixa, o que o impede de acelerar com a mesma eficiência de quando utiliza o crawl em provas de nado livre.


Campeonato Pan-Pacífico, em 2006: ouro nos 400m e 200m medley, 400m livre e 200m borboleta. Campeonato Absoluto Americano de Natação, em Indianápolis, 2007: seis ouros, nas provas de 400m medley, 400m e 200m livre, 200m e 100m costas e 100m borboleta. Mundial de Melbourne (piscina olímpica), em 2007: 200m e 400m medley, 200m e 100m borboleta, 200m livre e nos revezamentos 4x100 e 4x200 livre. Grand Prix de Long Beach, em 2008: ouro nos 100m peito, borboleta e livre, nos 400m e nos 500m livre.
Títulos recentes

Copa do Mundo de Piscina Curta, em 2007: ouro nos 100m, 200m e 400m medley nas etapas de Estocolmo e Berlim, com cinco quebras de recordes sul-americano e uma quebra de recorde mundial, e ouro nos 200m e 400m medley na etapa final, em Belo Horizonte. Jogos Pan-Americanos de 2007: seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. Grand Prix do Missouri, em 2008: ouro nos 200m medley e prata nos 400m medley. Campeonato Sul-Americano Absoluto de Natação, em 2008: ouro nos 400m e 200m medley.
Eu tinha medo de colocar minha cabeça debaixo d'água
Ao explicar porquê, quando aprendeu a nadar aos 7 anos, demorou semanas para fazer algo mais do que o nado de costas, em entrevista à revista Time.

Eu odeio perder. Eu absolutamente odeio perder. Eu não suporto isso
À mesma revista, sobre sua visão de competitividade.
Frases Minha mãe me colocou na natação porque quase me afoguei na piscina de minha tia quando tinha 1 ano e meio
Ao lembrar as primeiras experiências com a água, em reportagem de VEJA.

Phelps é o melhor do mundo,
mas uma coisa é fato: ninguém
ganha para sempre

Sobre seu principal concorrente nas Olimpíadas, em entrevista ao site do Estadão.


Phelps já tinha uma trajetória exemplar no currículo, incluindo as quatro medalhas de ouro e os quatro recordes mundiais conquistados no Mundial de Natação em 2003. Um ano depois, aos 19 anos, tornou-se o primeiro nadador a se qualificar em seis provas individuais para uma edição dos jogos Olímpicos. Em Atenas, impressionou todo o mundo ao estabelecer novos recordes e subir ao pódio oito vezes. Seis delas foram para pegar a medalha de ouro, nas provas de 200m e 400m medley, 200 e 100m borboleta e em mais dois revezamentos.
Melhor momento

O ano de 2007 foi o mais notável na carreira de Thiago. Nos jogos Pan-Americanos do Rio, conquistou oito medalhas, sendo seis de ouro, tornando-se o maior medalhista em uma única edição dos jogos. Em novembro, quebrou o recorde mundial nos 200m medley em piscina curta, na Copa do Mundo em Berlim - marca logo tomada pelo húngaro Laszo Cseh. No fim do ano, recebeu o prêmio de melhor atleta pelo Comitê Olímpico Brasileiro, além de ser eleito o melhor nadador em votação popular no site da revista Swimming World.
Em novembro de 2004, logo após retornar de Atenas, o exemplar Phelps foi preso por dirigir alcoolizado em sua cidade natal, Baltimore - situação à qual muitas celebridades norte-americanas sucumbem. "Eu reconheço a gravidade de meu erro", disse ao juiz, na ocasião. A multa não foi lá muita coisa, 310 dólares, mas o fato ganhou a mídia no momento em que colhia os louros pelas Olimpíadas. Phelps teve de comparecer a um encontro sobre direção e alcoolismo e dar palestras a estudantes sobre os perigos do álcool e das drogas ilegais. Pior momento Em 2005, durante um jogo de futebol com os amigos, Thiago deslocou a rótula. Segundo Vanzella, esse foi o pior momento de sua carreira: a lesão o deixou durante seis meses longe de treinos e competições. Em competições, o nadador enfrentou um momento ruim no Mundial de Natação em piscina curta de Xangai, em 2006. Dois anos antes, na edição da competição em Indianápolis, tinha conquistado o ouro nos 200m medley e o bronze nos 100m. Em Xangai, não passou das semifinais em nenhuma das provas.


Phelps cresceu em contato com a água: sua mãe, Debbie, o deixava em um carrinho de bebês na beira da piscina enquanto suas irmãs mais velhas treinavam. Aprendeu a nadar aos 7 anos, mesmo ano em que seus pais se divorciaram. Aos 11, quebrou o recorde dos EUA nos 100m borboleta para a sua idade. Chamou a atenção do técnico Bob Bowman. Em 1996, Bowman, impressionado com o garoto, traçou um plano para treiná-lo para Olimpíadas até 2012. "Eu pensei: esse homem é louco'", lembrou Debbie em entrevista à revista Time. Ele estreou em Sydney com 15 anos e ficou em 5º nos 200m borboleta. Em 2003, no Mundial de Barcelona, Phelps quebrou cinco recordes mundiais - e o então astro Ian Thorpe, nenhum.
História

Nascido em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, Thiago começou a nadar ainda pequeno por incentivo da mãe, Rose Vilela, cujos gritos de "vai, Thiago" ficariam conhecidos muitos anos depois. Durante a infância, testou outros esportes, como futebol e basquete, mas sempre voltou para as piscinas. Aos 12 anos, ganhou sua primeira medalha -- um bronze, em uma competição local. Em 2001, aos 15 anos, já mostrava bom desempenho em provas. Foi quando aceitou a proposta para treinar no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. Em 2003, conquistou uma prata e um bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e, em 2004, participou de sua primeira Olimpíada, em Atenas, onde ficou em 4º nos 200m medley.

  Aposta brasileira
Outra grande esperança de uma medalha olímpica brasileira na natação é César Cielo Filho, paulista de Santa Bárbara d'Oeste radicado nos Estados Unidos, onde treina na Universidade de Auburn. Em Pequim, Cielo irá competir nas provas de 50m e 100m livre, além de dois revezamentos. Ao menos uma prova de fogo ele já venceu: bateu Michael Phelps no Grand Prix de Ohio, em abril, nos 100m livre. E fez mais. Com dois dedos deslocados, conseguiu superar sua própria marca sul-americana nesta prova. Sua progressão nos 50m livre, na qual é favorito, é notável. Em 2000, demorava 27 segundos para completá-la. Três anos depois, baixou o tempo em 4 segundos. No Pan do Rio, onde conquistou três ouros e uma prata, completou a prova em 21.84 segundos, então a segunda melhor marca do mundo.

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