Quem é Quem
Selton Mello x Wagner Moura: qual o rosto do cinema?
NOVEMBRO DE 2010Um começou a carreira de ator na TV, fazendo novela. Hoje praticamente só pode ser visto em sets de filmagem. O outro estreou no teatro depois de deixar o jornalismo. E a estreia no cinema aconteceu antes da televisão. As trajetórias de sentido invertido têm se cruzado nos últimos anos, em que Selton Mello, o primeiro, e Wagner Moura, o segundo, se tornaram protagonistas do cinema brasileiro, mercado cuja expansão acompanham. Selton já fez vinte filmes, cinco a mais do que Wagner, que no entanto, graças à explosão da franquia Tropa de Elite, já tem cerca de 20 milhões de espectadores, quase o dobro da bilheteria dos filmes de Selton, e uma popularidade difícil de bater. Difícil também é dizer qual dos dois melhor representa o cinema nacional. Confira abaixo um raio-x das carreiras dos dois atores e clique aqui para fazer a sua escolha.
Selton Mello

Wagner Moura

HISTÓRICO
Mineiro de Passos, onde nasceu em dezembro de 1972, ele estreou na TV ainda criança, em Dona Santa, seriado da Bandeirantes do início de 1982. Em 1981, já podia ser visto na Globo, fazendo novela: em Corpo a Corpo, ele era Ronaldo, filho de Osmar, papel de Antônio Fagundes. Participaria ainda de outros folhetins, de trabalhos de dublagem – é dele a voz de Charlie Brown e de Daniel San em Karatê Kid – e até de filme de Renato Aragão – Uma Escolha Atrapalhada – antes de enveredar pela trilha do cinema adulto sério, com Lamarca, em 1994. A partir daí, |
Soteropolitano, o adolescente Moura começou a atuar onde, costuma dizer, os atores baianos iniciam carreira: no palco. Mas, no fim do Ensino Médio, achava que não teria futuro na área e prestou vestibular para jornalismo. Chegou a trabalhar com a cobertura de famosos em Salvador até embarcar para o Rio de Janeiro, no elenco de A Máquina, de João Falcão, em 2000. Começava a vida exclusivamente artística. De peças a filmes e de ambos à TV, acumularia experiências na Globo até alcançar um bom papel no seriado Sexo Frágil, do mesmo Falcão de A Máquina. Em 2007, teria uma dupla consagração: o Olavo da novela Paraíso Tropical e como o Capitão Nascimento do primeiro Tropa de Elite. |
O PAPEL
O FOCO
| O critério para escolher um roteiro, entre os muitos que recebe, é a “pura intuição”. “Meu encontro com um roteiro me torna o primeiro espectador de um filme. A conexão com um filme se materializa nessa leitura”, diz o ator, que costuma apostar em enredos curiosos ou que julga relevantes. Jean Charles, filme sobre o mineiro confundido com um terrorista e morto por engano pela polícia de Londres, era, para ele, uma história que precisava ser contada. Já Reflexões de um Liquidificador o atraiu pelo inusitado: no filme, o ator, que já foi dublador, faz a voz do eletrodoméstico do título. |
| O desafio embutido em um personagem é o que anima Moura, que, por isso mesmo, já fez papéis distintos como o truculento mas frágil Capitão Nascimento, que combatia o crime e sofria de Síndrome do Pânico, e o picaresco Taoca, de Deus É Brasileiro, que tenta ser malandro com ninguém menos do que o ser divino. Taoca é um nordestino e, aliás, temas de Nordeste também o atraem. Daí ter participado de O Caminho das Nuvens, que, conta, é um pouco a história de seu pai, um sertanejo que emigrou para o Rio em pau-de-arara, ainda jovem, antes de casar e ter filhos. |
CURIOSIDADES
| Fã do projeto de O Cheiro do Ralo, adaptação do romance de estreia do quadrinista Lourenço Mutarelli, Mello abriu mão do cachê para atuar no filme, em que faz um comprador de objetos usados apaixonado por traseiros femininos. |
| O papel de Taoca em Deus É Brasileiro foi oferecido antes a Selton Mello, que, por uma questão de agenda, não pôde fazê-lo. O diretor Cacá Diegues então convidou Moura, que ganhou assim o seu primeiro protagonista no cinema. |
DIREÇÃO
| Selton já falou em deixar de atuar e se aventurou por duas vezes com a claquete na mão. Em 2008, com o longa-metragem Feliz Natal, e recentemente com O Palhaço. O filme, baseado em uma crise profissional que viveu, deve estrear no primeiro semestre de 2011 e, na opinião do próprio diretor, “está ficando muito bonito”. |
| O baiano ainda não se aventurou na direção, mas tem planos de fazê-lo. Moura também já admitiu que a profissão de ator não o empolga hoje como quando era jovem – ele chegou a sair pela rua, na chuva, ao ser aprovado em uma leitura. O que lhe dá mais prazer hoje é a banda Sua Mãe, em que toca com amigos. |
FILMES
| 2011: Reis e Ratos (Mauro Lima) 2010: Federal (direção de Erik de Castro), Lope (Andrucha Waddington, numa coprodução Brasil e Espanha) e Reflexões de um Liquidificador (André Klotzel) 2009: Jean Charles (Henrique Goldman) e A Mulher Invisível (Cláudio Torres) 2008: A Erva do Rato (Júlio Bressane e Rosa Dias), Os Desafinados (Walter Lima Jr.) e Meu Nome Não É Johnny (Mauro Lima) 2006: O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia) e O Coronel e o Lobisomem (Maurício Farias) 2004: Nina (Heitor Dhalia) e Árido Movie (Lírio Ferreira) 2003: Lisbela e o Prisioneiro (Guel Arraes) e Garotas do ABC (Carlos Reichenbach) 2001: Caramuru – A Invenção do Brasil (Guel Arraes) e Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho) 2000: O Auto da Compadecida (Guel Arraes) 1997: Guerra de Canudos (Sergio Rezende) e O Que É Isso, Companheiro? (Bruno Barreto) 1994: Lamarca (Sergio Rezende) |
| Em produção: Homem do Futuro (Claudio Torres) Pós-produção: VIPs (Toniko Melo) 2010: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro (José Padilha) 2008: Romance (Guel Arraes) 2007: Tropa de Elite (José Padilha), Saneamento Básico, o Filme (Jorge Furtado), Ó Paí, Ó (Monique Gardenberg) 2005: A Máquina (João Falcão) e Cidade Baixa (Sérgio Machado) 2004: Nina (Heitor Dhalia) 2003: O Caminho das Nuvens (Vicente Amorim), O Homem do Ano (José Henrique Fonseca), Carandiru (Hector Babenco) e Deus É Brasileiro (Cacá Diegues) 2002: As Três Marias (Aluízio Abranches) 2001: Abril Despedaçado (Walter Salles Jr.) |
BILHETERIA*
| Cerca de 12,5 milhões de espectadores 2010: Federal (direção de Erik de Castro), Lope (Andrucha Waddington, numa coprodução Brasil e Espanha) e Reflexões de um Liquidificador (André Klotzel) 2009: Jean Charles (293.282) e A Mulher Invisível (2,35 milhões) 2008: A Erva do Rato (3.546), Os Desafinados (194.292) e Meu Nome Não É Johnny (2,1 milhões) 2006: O Cheiro do Ralo (173.000) e O Coronel e o Lobisomem (655.000) 2004: Nina (25.268) e Árido Movie (21.729) 2003: Lisbela e o Prisioneiro (3,174 milhões) e Garotas do ABC (10.746) 2001: Caramuru (246.023) e Lavoura Arcaica (143.860) 2000: O Auto da Compadecida (2,157 milhões) 1997: Guerra de Canudos (655.000) e O Que É Isso, Companheiro? (321.450) 1994: Lamarca (150.000)** |
| Cerca de 20 milhões de espectadores, descontada a pirataria de Tropa de Elite 2010: Tropa de Elite 2 (9 milhões de espectadores) 2008: Romance (307.273) 2007: Tropa de Elite (2,41 milhões de espectadores no cinema, 11 milhões nas projeções que consideram as cópias piratas do filme), Saneamento Básico, o Filme (190.656), Ó Paí, Ó (397.075) 2005: A Máquina (56.088) e Cidade Baixa (128.134) 2004: Nina (25.268) 2003: O Caminho das Nuvens (214.830), O Homem do Ano (104.659), Carandiru (4,69 milhões) e Deus É Brasileiro (1,63 milhões) 2002: As Três Marias (13.003) 2001: Abril Despedaçado (353.713) * Com informações da Agência Nacional do Cinema (Ancine) ** Fonte: produtora Morena Filmes |

