Quem é
quem
O status de homem mais poderoso do planeta mudará de dono no próximo
dia 4 de novembro. Os Estados Unidos podem eleger o primeiro presidente
negro ou o mais idoso a conquistar um primeiro mandato para a Casa
Branca. O candidato dos democratas, jovem e carismático, levanta a
bandeira da mudança. O republicano, experiente e mais pragmático,
carrega o peso de ser candidato da situação num cenário de forte rejeição
ao atual presidente. Qual deles se tornará o próximo líder da maior
potência do mundo?
Barack Hussein Obama
Jr.
Senador eleito por Illinois (desde 2005)
47 anos (Honolulu,
Havaí, 4/8/1961)
Filho de um
economista do Quênia e de uma
antropóloga e pesquisadora do Kansas
Advogado formado
pelas universidades de
Columbia e Harvard
Casado, duas
filhas (Malia Ann e Sasha)
Ex-integrante
da Igreja Unida de Cristo e morador
de Chicago, Illinois
Ser o primeiro negro a presidir os
EUA, promovendo uma renovação nos quadros do Partido Democrata e consolidando
um novo movimento político entre os americanos.
A ambição
Manter o Partido Republicano no poder,
recuperando a imagem da corrente mais conservadora da política americana,
arranhada pelos dois mandatos de George W. Bush.
Aproveitar-se de um desejo e de uma preocupação dos
americanos. Obama apóia-se na sede de mudança de boa parte da população
do país depois de dois mandatos de George W. Bush, apresentando-se
como alternativa de renovação na política. Além disso, mudou o foco
da campanha para a economia, uma das principais preocupações americanas.
A estratégia
Segurança é a palavra-chave na campanha de McCain, um
ex-combatente da Marinha. O senador colocou a segurança nacional e
a política externa no centro de sua campanha. Ele se apresenta como
um líder experiente, capaz de lidar com qualquer ameaça externa. Também
afirma ser o mais preparado para tirar os EUA do atoleiro da guerra
do Iraque.
O vice na chapa de Obama é o senador pelo estado de Delaware Joe Biden. A escolha foi anunciada no dia 23 de agosto. Biden está em seu sexto mandato no Senado e é um dos políticos há mais tempo na Casa. Ele chegou a lançar seu nome para disputar a presidência em 2008, mas abandonou a disputa logo após as primárias de Iowa. Desde então, apóia Obama. Aos 65 anos, Biden se destaca pela experiência em assuntos internacionais. É o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O candidato a vice
A escolha de McCain surpreendeu: Sarah Palin, de 44 anos, governadora do Alasca, não estava na lista dos mais cotados, mas foi escolhida para completar a chapa republicana. Em seu primeiro mandato como governadora, cargo que assumiu no fim de 2006, ela é desconhecida nos EUA. É casada, tem cinco filhos e se opõe fortemente ao aborto. Por ser mulher e jovem, poderia atrair votos de indecisos e de democratas desiludidos com a derrota da senadora Hillary Clinton nas primárias do partido de oposição.
A imagem de grande promessa para o futuro da gestão pública americana,
atraindo os votos dos eleitores mais jovens e dos insatisfeitos com
o continuismo na política. Ele consegue despertar uma sensação de
mudança e motivar jovens. Isso é importante porque, nos EUA, o voto
é facultativo.
O que
pode ajudar na eleição
Além de sua experiência na política, o fato de ter sido o principal
adversário de George W. Bush pela candidatura republicana às eleições
de 2000. Para os eleitores do partido, ele pode representar tudo o
que Bush não foi. Suas posições mais moderadas podem conquistar os
eleitores independentes.
A imagem de candidato jovem e iniciante.
Para muitos, não tem a experiência necessária para comandar a nação
mais poderosa do mundo. Obama tornou-se senador em 2004, e, como um
político jovem, poderia ter tentado tornar-se mais influente antes
de disputar a Casa Branca. As primárias também deixaram claro a fragilidade
de Obama entre os hispânicos e os trabalhadores brancos. Além disso,
ao contrário do que se pode pensar, os eleitores de Hillary não têm
se mostrado convencidos em passar seus votos para Obama. Para o senador,
é indispensável conquistar a adesão do eleitorado de Hillary.
O que
pode atrapalhar
A dificuldade em desvincular sua imagem
da de Bush. O apoio declarado do atual presidente americano a McCain
causa preocupação dentro do próprio Partido Republicano. Os dois fazem
raras e breves aparições em público, sempre evitando o contato com
a imprensa. McCain já chegou a criticar a postura de Bush diante do
desastre provocado em Nova Orleans pelo furacão Katrina, e já declarou
seu apoio a medidas contra o aquecimento global criticadas pelo presidente
americano. O voto dos eleitores típicos de Bush, porém, é necessário
para a eleição de McCain. Sua dificuldade resiste em distanciar sua
imagem de Bush sem afastá-los.
Taxar os lucros inesperados das petrolíferas, além do
fim dos cortes de impostos do governo Bush aos mais ricos; investimento
bilionário no setor de energia renovável; 60 bilhões de dólares nos
próximos 10 anos para refazer a infra-estrutura americana; renegociação
do Nafta e cancelamento das negociações de acordo comercial com a
Colômbia. Obama apresentou seis "princípios essenciais de reforma"
que dariam ao Federal Reserve, o banco central americano, autoridade
para supervisionar qualquer instituição financeira capaz de disponibilizar
crédito, e defende reformas que tornem mais ágil o trabalho das autoridades
reguladoras do setor.
Promessas
para a economia
Suspensão do imposto federal sobre a gasolina e o diesel
durante o verão; gastar 10 bilhões de dólares para ajudar alguns mutuários
a renegociar suas dívidas imobiliárias; corte de impostos para a classe
média, dobrando para 7.000 dólares a isenção por dependente; sistema
tributário mais simples, com duas alíquotas e uma generosa dedução-padrão;
apóia um caráter permanente para as reduções de imposto de renda adotadas
em 2001 e 2003; e cortar o imposto de renda corporativo de 35% para
25%, além de autorizar que as empresas deduzam despesas de capital.
Manifestou sua oposição à invasão
do Iraque desde o começo, mas não era senador na época da votação
decisiva; votou contra o aumento no número de soldados; fala em retirar
uma ou duas brigadas por mês, concluindo a remoção das tropas em 16
meses.
Posição
sobre a guerra do Iraque
Acredita que é um dever moral dos
Estados Unidos permanecer no Iraque até que o país se torne capaz
de governar e de proteger seu próprio povo. Discorda fortemente daqueles
que defendem a retirada das tropas americanas até que essa situação
esteja resolvida.
O fato de se opor à guerra do Iraque - como a maioria
da população americana - e prometer a retirada dos soldados americanos
do país, além do cansaço e do desejo de renovação dos americanos após
dois mandatos seguidos do Partido Republicano.
Maior
arma contra o rival
A fama de manter um controle rígido do dinheiro dos
contribuintes, além de ter sido um herói de guerra. McCain passou
cinco anos preso durante a Guerra do Vietnã, foi torturado e se recusou
a aceitar sua libertação enquanto seus companheiros não fossem soltos.
A imprevisibilidade de um eventual
governo Obama. Não se sabe como ele formaria seu ministério, como
conduziria a política externa e como responderia às pressões dos rivais
políticos. Sua conduta num cargo mais alto é uma incógnita.
Ponto
vulnerável
A rejeição que encontra dentro do
próprio partido e entre os eleitores evangélicos. McCain já propôs
dar anistia aos imigrantes ilegais, projeto que desenvolveu ao lado
do democrata Edward Kennedy, a contragosto de boa parte de sua legenda.
Venceu as primárias democratas com 1.763 delegados,
contra os 1.640 de Hillary Clinton. Conquistou estados importantes,
como Virginia e Washington D.C. A acirrada disputa entre Hillary e
Obama pela indicação só terminou em 6 de junho, quando, após perder
na Carolina do Norte, a senadora desistiu de sua candidatura. Em seu
discurso da vitória, homenageou Hillary.
Trajetória
nas primárias
Conquistou a nomeação republicana com as votações da
"superterça", em 4 de março, quando os eleitores de Texas, Ohio, Rhode
Island e Vermont foram as urnas declarar sua preferência para as eleições
gerais. Com isso, venceu Mike Huckabee e obteve o apoio dos 1.191
delegados necessários para sua indicação. Seu discurso da vitória
ocorreu em New Hampshire.
Oprah Winfrey, Michael Jordan, Stevie
Wonder, Denzel Washington, Sharon Stone, Will Smith, Scarlett Johansson,
George Clooney, Brad Pitt, Bruce Springsteen, Jay-Z, Spike Lee, David
Geffen, George Soros, Jane Fonda.
Eleitores
famosos
Sylvester Stalone, Tom Selleck, Curt
Schilling, Wilford Brimley, Heid Montag. O partido republicano, como
um todo, não foi alvo de muita generosidade em Hollywood. Quando se
trata de estrelas, poucas se dizem fãs do partido.
A senadora Hillary Clinton, que, durante discurso na Convenção Democrata, defendeu a união do partido em torno do nome de Obama. Também apóiam Obama os senadores Ted Kennedy, John Kerry e Chris Dodd; os deputados Rick Boucher e Patrick J. Kennedy; os governadores Bill Richardson (Novo México), Tim Kaine (Virgínia) e Janet Napolitano (Arizona); prefeitos Richard Daley (Chicago) e Adrian Fenty (Washington).
Adesão
de políticos
O presidente George W. Bush, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que desistiu de sua candidatura em favor de McCain; governadores de Louisiana, Bobby Jindal, e da Califórnia, Arnold Schwarzenegger; o ex-governador de Massachussets, Mitt Romney, que também abandonou a corrida pela indicação republicana, e o senador Joe Lieberman (New Hampshire), além do ex-presidente George Bush.
Nova York, Washington, Washington
D.C., Califórnia, Illinois, Oklahoma, Kentucky, Havaí, Maine, New
Hampshire, Rhode Island, Vermont, Massachussets, Connecticut, Nova
Jersey, Pensilvânia, Delaware, Michigan, Minessota, Indiana, Wisconsin,
Maryland.
Estados
em que o partido costuma vencer
Flórida, Texas, Virgínia, Carolina
do Norte, Carolina do Sul, Colorado, Nevada, Arizona, Alabama, Alasca,
West Virginia, Missouri, Arkansas, Ohio, Georgia, Delaware, Utah,
Idaho, Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Wyoming, Tenessee,
Kansas, Louisiana.
Virginia, já que cogita para o cargo de vice-presidente
o governador Tim Kaine, e Carolina do Norte, estado onde mantém uma
intensa campanha.
Estados
que pode roubar do rival
Nova Jersey e Michigan, estados onde obteve excelentes
resultados em pesquisas de intenção de voto, chegando a aparecer à
frente de Obama.