Quem é quem
De volta às pistas olímpicas, a brasileira Maurren Maggi, recordista sul-americana
em salto em distância, pretende repetir o sucesso do Pan do Rio, quando levou
para casa a cobiçada medalha de ouro. Entre os desafios que irá enfrentar, está
o de vencer a americana Brittney Reese, detentora de uma das melhores marcas da
temporada na modalidade. Saiba quem são essas duas atletas e o que está em jogo
para cada uma delas em Pequim.
Maurren Higa Maggi
Saltadora
do Clube de Atletismo BM&F Bovespa (São Paulo, SP)
32 anos (São Carlos, SP, 25 de junho
de 1976)
1,73 metro de altura e 61 quilos
Índice olímpico para Pequim nas provas de salto em distância
e salto triplo
Técnico: Nélio Alfano Moura, 45 anos
Brittney Reese
Saltadora
do Ole Miss Rebels, da Universidade do Mississippi (Oxford, MS)
21
anos (Gulfport, MS, 9 de setembro de 1986)
1,76 metro de altura e 63,5 quilos
Índice olímpico para Pequim
na prova de salto em distância
Técnico: Joe Walker, 61 anos
Ser a primeira mulher brasileira a ganhar
uma medalha olímpica em atletismo. Em sua modalidade, aparentemente, os ventos
estão a favor. Com 6.99m, Maurren tem a terceira melhor marca do ano, com 4cm
de folga em relação ao quarto lugar, de Reese.
Ambição
Já
no topo do ranking americano deste ano, Reese deverá agora superar a si mesma.
Os 6.95m que a levaram para a liderança são também sua melhor marca pessoal. Em
Pequim, segundo a atleta disse a Veja.com, a expectativa é de "pelo menos uma
medalha".
A estréia de Maurren nas Olimpíadas
aconteceu em 2000, aos 24 anos. Apesar dos ótimos resultados obtidos em 1999,
não passou da 25ª colocação em Sydney. Quatro anos depois, não pôde competir em
Atenas por ter sido flagrada em um exame antidoping.
Histórico
em Olimpíadas
Sem nenhuma participação em Olimpíadas,
a americana pode justificar sua ausência nos Jogos devido a sua idade: 21 anos.
Apesar da pouca experiência em eventos internacionais, Reese traz no currículo
a participação no mundial de Osaka (2007), na 8ª colocação.
Salto
em distância
Principal
modalidade
Salto
em distância
Maurren foi
apresentada ao público mundial no Pan de Winnipeg, em 1999, ao levar a medalha
de ouro no salto em distância (6,69m) e prata nos 100 metros com barreira (12,86m).
De quebra, levou o título de recordista sul-americana. No salto em distância,
inclusive, já era recordista, após ter saltado, naquele mesmo ano, 7,26m (sua
melhor marca pessoal) em Bogotá. Em 2003, a brasileira chegou ao topo do ranking
mundial, com os 7,06m conquistados em Milão. Após o episódio do doping, sua volta
às pistas ganhou destaque com o ouro no Pan do Rio, ao saltar 6,84m, e com a medalha
de prata no Mundial Indoor de Valência de 2008.
Progressão
Reese
começou a ganhar destaque em 2004, nas competições regionais de atletismo. Em
abril daquele ano, quando tinha apenas 17 anos, saltou 6,31m em Gulfport, sua
cidade natal, no estado de Mississipi. Mas as grandes marcas só foram registradas
alguns anos depois. Em 2007, a americana teve sua estréia em mundiais, no campeonato
de Osaka, no Japão, ficando na 8ª posição, com 6,83m. Após fechar o ano com o
melhor salto feminino do país, a atleta reafirmou sua excelência no campeonato
nacional Indoor da NCCA de 2008, quando conquistou o primeiro lugar. Em julho
deste ano, atingiu sua melhor marca pessoal (6,95m), em Eugene, no Oregon.
Segundo o treinador de Maurren, Nélio Alfano
Moura, a brasileira é rápida em relação a suas maiores rivais. Além disso, o técnico
considera que ela tem "um nível de força especial" para o salto e, que nesse quesito,
"ela não perde para ninguém".
Corpo
A
americana é uma "atleta magra e com uma habilidade natural para o salto", diz
o técnico de Reese, Joe Walker. Ele destaca que a modalidade é uma competição
de velocidade e que Reese está "rapidamente se tornando uma excelente saltadora".
O treinamento de Maurren consiste em sessões intercaladas
de musculação, saltos e fisioterapia. Ela treina seis vezes por semana (de segunda
a sábado) no parque do Ibirapuera, em São Paulo, das 8h30 até o meio-dia.
Treinamento
O
foco dos treinamentos é no salto em distância, embora a americana também faça
salto em altura e salto triplo. Ela treina de segunda a sábado, intercalando os
dias com sessões de corrida, musculação e técnicas de salto.
O
salto
Apesar de relutante na hora
de apontar as fraquezas da pupila, o técnico Nélio Moura considera que ela tem
tido problemas com a "precisão na abordagem", ou seja, tem saltado um pouco atrás
da linha de medição ou tem queimado bons saltos. Ela também pode melhorar o desempenho
na fase aérea, o que a deixaria mais equilibrada e propiciaria uma melhor posição
de queda, além do ganho de alguns centímetros, diz Moura.
Ponto
fraco
De acordo com o treinador de Reese, Joe Walker,
a americana ainda está aprendendo a sincronizar de forma adequada as duas últimas
passadas. Para o técnico, ela ainda pode melhorar gradualmente algumas etapas,
como a corrida, o penúltimo passo, o impulso final e a subseqüente aterrissagem.
"Mas nada disso é realmente ponto fraco", defende Walker. "Apenas que podem melhorar
com o tempo e com os treinamentos, afirma.
Desde 2007, quando venceu a medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro, a paulista
não sai das primeiras colocações. Em agosto do ano passado, ficou em quinto lugar
no mundial de Osaka, com 6,95m, e em março de 2008, ganhou a medalha de prata
no Indoor de Valência, com 6,89m. Em junho, estabeleceu sua melhor marca do ano,
com 6,95m, ficando em primeiro lugar no Troféu Brasil de Atletismo.
Títulos
recentes
A 8ª posição no campeonato Mundial de Osaka, em agosto do ano passado, foi
a maior conquista de Reese em nível mundial. O bom desempenho de 2007 conferiu
à americana o título de atleta regional do ano, de acordo com os parâmetros da
conferência esportiva do sudeste dos Estados Unidos. Em março de 2008, superou
o título ao vencer a primeira colocação no campeonato nacional da NCAA.
Quero
voltar a ser número um do mundo.
Em entrevista ao portal UOL, poucas semanas antes do Pan do Rio, em 2007.
Essa
noite marca o recomeço da minha vida.
Ao comemorar a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos.
Frases
Se
der o melhor de mim em Pequim, me sairei bem.
Em entrevista concedida a VEJA.com.
Nunca
esperei aquilo, porque ninguém na minha família sabe nada de atletismo.
Em entrevista ao jornal The Clarion-Ledger, sobre a marca de 6,93m.
Segundo a própria atleta, ela está vivendo a melhor fase de sua vida atualmente.
Entre os momentos que contribuem para isso estão a conquista da medalha de prata
em Valência, em março de 2008, e a conquista do ouro no Pan do Rio, em julho de
2007.
Melhor
momento
Reese considera que o melhor momento de sua carreira foi durante o campeonato
mundial de Osaka, em agosto de 2007, quando ela conseguiu 6,83m no salto em distância.
"Eu fiquei muito emocionada, porque eu não esperava aquilo de forma alguma", justificou.
Em 2003, quando foi flagrada em um exame antidoping.
Apesar de justificar o resultado pelo uso de um creme para depilação, Maurren
foi impedida de participar do Pan de Santo Domingo em 2003 e, no ano seguinte,
das Olimpíadas de Atenas.
Pior
momento
Para a americana, a excitação decorrente
do salto registrado em Osaka não pôde ser considerada o início de uma boa fase.
Cerca de um mês depois, o falecimento de um colega de seu time veio o ser o grande
marco negativo de sua vida.
Maurren carrega no nome uma homenagem um pouco frustrada aos Beatles. Era
para ser Maureen, como a primeira mulher do bateirista Ringo. Porém, o mal-entendido
no cartório resultou no nome que hoje dispensa apresentações. Para o Brasil, ela
ganhou esse status ao vencer o Pan de Winnipeg, em 1999, quando subiu no degrau
mais alto do pódio com um bichinho de pelúcia nos braços. Nos anos seguintes,
também foi ouro na Universíade (2001) e no Grand Prix de Paris (2002). Maurren
estava pronta para ser confirmada como orgulho da nação no Pan de Santo Domingo,
quando sua carreira virou às avessas. Flagrada no antidoping, ficou suspensa do
esporte por dois anos. Retomou a carreira em 2006, já em boa forma: venceu o Meeting
de Bogotá, saltando 6,84m. Em 2007, voltou a ganhar o ouro no Pan, mas desta vez
pôde comemorar em casa. Fechou o ano como a quinta melhor colocada do mundo e
agora, na posição de melhor saltadora do país, vai tentar o ouro em Pequim.
Trajetória
Reese começou a se interessar pelo esporte quando estava na quarta série.
Sempre apaixonada pelo basquete, foi apenas durante o colégio que passou a dar
mais atenção para o atletismo. O foco não mudou à toa. Logo em seu primeiro salto
e sem técnica alguma, a americana registrou 5,48m. Ela lembra que seu treinador
na ocasião, Prince Jones, ficou tão surpreso que sugeriu: "Por que você não volta
e tenta isso de novo?". Reese voltou e, desde então, tem ido cada vez mais longe,
mesmo após dois anos de afastamento das pistas. Nesse período, quando estudava
no Gulf Coast Community College, aproveitou o fato de a instituição não ter times
de atletismo para dedicar-se à antiga paixão: o basquete. Foi convencida a voltar
para às pistas em 2006, ao ganhar uma bolsa na Universidade do Mississippi. Lá,
passou pelo processo de mudança do corpo - de jogadora de basquete para o de saltadora
- e, rapidamente, atingiu as melhores marcas do país e do mundo na prova.