Quem é quem
De um lado, o brasileiro Jadel Gregório, responsável por um dos dez melhores saltos
triplos da história, com 17,90m. De outro, o britânico Phillips Idowu, com seus
cabelo tingidos, seus inúmeros piercings e suas meias brancas até o joelho, que
conseguem surpreender menos que seu desempenho: líder invicto em salto triplo
no ano de 2008, com 8 centímetros de folga em relação ao segundo colocado.
Jade Abdul Ghani Gregório
Saltador do Clube Pinheiros (São Paulo, SP)
27 anos (Jandaia do Sul, PR,
16/09/1980)
2,02 metros de altura e 103 quilos
Técnico: Peter Stanley
Phillips Idowu
Saltador do Belgrave Harriers
(Battersea e Wimbledon)
29 anos (Hackney, 30/12/1978)
1,92 metro de altura e 87 quilos
Técnico: Aston Moore
Modesto, o triplista afirma não ter ambições.
"Vivo um dia de cada vez e tento realizar tudo o que me proponho a fazer", disse
ele em entrevista a VEJA.com. Mas a sede de superar a sua própria marca
- o que já garantiria um bom resultado - parece ser o seu grande foco.
Ambição
Líder
isolado do ranking mundial, Idowu busca muito mais do que a medalha de ouro: "Eu
quero ser o maior triplista do mundo e farei o que for necessário para chegar
lá", disse, em entrevista à Associação Internacional de Federações de Atletismo
(Iaaf, na sigla em inglês).
Em 2004, Jadel deixou
sua marca nas pistas olímpicas pela primeira vez, com um salto de 17,31m, ficando
em quinto lugar na modalidade nos Jogos de Atenas. Em Pequim, o atleta terá uma
segunda chance de chegar ao topo do pódio com suas sapatilhas tamanho 46.
Histórico
em Olimpíadas
Pequim será a terceira participação
de Idowu em Olimpíadas. Mas apesar de já ter as solas calejadas, ele nunca faturou
nenhuma medalha. Em Sydney-2000, ficou com a sexta colocação; em Atenas, caiu
para a 12ª posição, sem marcar nenhum salto válido na final.
Salto
triplo
Principal
modalidade
Salto
triplo
O atleta começou
a ganhar destaque em 2003, quando trouxe para o Brasil a medalha de prata por
seu salto de 17,03m nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. No ano seguinte,
a notoriedade cresceu junto com seu desempenho, sobretudo após o vôo de 17,72m
que realizou no Troféu Brasil, em São Paulo. O sucesso, que despertou nos brasileiros
a esperança de uma medalha olímpica em Atenas, acabou se transformando em decepção
diante da quinta colocação na modalidade. Agora, o cenário se repete. Depois de
bater o recorde sul-americano de salto triplo no ano passado, com um salto de
17,90m no Grande Prêmio Brasil de Atletismo, em Belém, e de ficar com o ouro no
Pan do Rio, com 17,27m, Jadel se vê mais uma vez diante da expectativa de um ótimo
resultado.
Progressão
Em
2000, ele participou dos Jogos Olímpicos de Sydney, quando marcou 17,12m. A partir
de então, passou a dar saltos cada vez maiores, até que, em 2003, teve que ficar
afastado de todas as competições devido a uma cirurgia no joelho. No ano seguinte,
em Atenas, chegou com todo o impulso para alcançar o pódio, mas perdeu as 3 tentativas
de salto. Na seqüência, conquistou medalhas de ouro em 2006, nos Jogos da Commonwealth,
em Melbourne, e em 2007, no Campeonato Indoor Europeu, em Birmingham. Mas o primeiro
título mundial só veio em março deste ano, no Campeonato de Valência, com 17,75m.
Mas isso não bastou para o atleta: "Quanto estou na pista e pouso aos 17,50m,
vejo Jonathan [Edwards, recordista mundial] aos 18,29m e penso: 'Não, ainda não
está bom'."
Geralmente, Jadel treina no Brasil
e, excepcionalmente, na Inglaterra. Segundo o próprio atleta, o local e a intensidade
dos exercícios variam conforme a época e a finalidade. "Treino diariamente para
não ter pontos fracos", afirmou.
Treinamento
Quatro meses antes de Pequim, Idowu decidiu substituir
o técnico que o treinava havia dez anos, John Herbert. Agora sob as orientações
de Moore, o triplista diz estar se esforçando cinco vezes mais. "Estou muito mais
forte e rápido."
O
salto
Os
bons saltos que Jadel tem registrado nas competições, sempre acima dos 17 metros,
confirmam o brasileiro como aposta para a Olimpíada de Pequim. Após ganhar o status
de recordista sul-americano no GP Brasil de Belém em 2007, o brasileiro faturou
as medalhas de ouro do Pan do Rio e do Troféu Brasil Caixa de Atletismo, este
último realizado em junho deste ano. Ainda no ano passado, levou para casa a medalha
de prata no Mundial de Osaka.
Títulos
recentes
Em uma entrevista à
rede BBC, o triplista deu uma boa idéia de como tem se saído nas últimas competições
das quais participou: "Eu só quero fazer aquilo que venho fazendo durante todo
o ano, que é competir bem e vencer", afirmou, sem modéstia. Após conquistar um
ouro no Mundial Indoor de Valência, em março deste ano, Idowu ainda venceu a Golden
League de Oslo, realizada em junho, com a marca de 17,35m.
Minha
altura acaba atrapalhando, pois tenho de fazer o dobro de exercícios para alcançar
a mesma velocidade dos outros atletas.,
em entrevista a VEJA, depois da conquista da prata no Mundial de Osaka em 2007.
Eu
mesmo. Busco superar minhas marcas.,
em entrevista a VEJA.com, sobre quem ele considera seu principal rival na modalidade.
Frases
Toda
essa boa forma não adiantará em nada se eu não convertê-la em uma medalha de ouro.,
sobre os bons resultados conquistados nas últimas competições e as chances em
Pequim.
Me
sinto como o Super-Homem. Não acredito que ninguém possa me deter. Sou à prova
de balas.,
após marcar 17,58m em sua primeira tentativa em Birmingham, em junho deste ano.
A
melhor marca pessoal do brasileiro foi também o maior salto triplo já feito por
um sul-americano. O recorde foi quebrado em maio do ano passado, em Belém, quando
Jadel superou o legendário João do Pulo em 1cm, voando 17,9m no GP Brasil de Atletismo.
Melhor momento
Ao
que tudo indica, Idowu está na sua melhor fase e não se sente incomodado com a
carga de expectativas sobre ele. O britânico considera que está física e mentalmente
mais forte este ano. "Pequim? Isso é só mais um tanque de areia em um país diferente",
desdenha.