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Quem é quem

A ofensiva de Israel contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza é o novo capítulo de uma velha história. Ao longo do tempo, alguns personagens se repetem e tornam-se lendários, como Ariel Sharon, líder israelense que está em coma desde 2006, e Yasser Arafat, palestino que fundou o Fatah, hoje rival do Hamas. Também figuram nessa trama os líderes que tomam parte nas negociações de paz. A seguir, os principais personagens do atual conflito na região.


 Atacou a Faixa de Gaza no fim de dezembro para esmagar os militantes do Hamas

 Só aceita discutir um cessar-fogo quando os ataques com foguetes terminarem

 Descarta negociar com os líderes da facção radical, mas falaria com ANP e Fatah

 Acusa Israel de cometer um genocídio, dizendo ser alvo de um ataque injustificado

  Apesar de apresentar-se como parte agredida, mantém a retórica inflamada contra Israel
  Militantes são responsáveis por milhares de ataques com foguetes contra israelenses

Ehud Olmert, primeiro-ministro
Foi eleito em abril de 2006 pelo Kadima, partido criado no ano anterior por Ariel Sharon. Mas já ocupava o cargo como interino desde janeiro daquele ano, devido ao derrame cerebral que afastou Sharon do poder. Ainda interino, se irritou com a aceitação, por parte de Mahmoud Abbas, do líder radical Ismail Haniya como primeiro-ministro palestino e congelou o repasse de 50 milhões de dólares mensais à Autoridade Nacional Palestina (ANP). Meses depois, novo conflito contra os árabes: uma guerra contra o grupo radical libanês Hezbollah, da qual saiu abalado por não conseguir uma vitória convincente. O fraco desempenho diante do Hezbollah lhe rendeu impopularidade e a acusação – por parte de uma comissão formada pelo governo para avaliar a sua performance na guerra – de “falha grave de julgamento, responsabilidade e prudência”. O surgimento de denúncias de corrupção piorou a situação de Olmert, que renunciou ao posto de premiê em setembro de 2008. O político segue no poder, mas como líder de um governo de transição que será dissolvido após as eleições de fevereiro. Como outros da primeira linha do governo israelense, nesta guerra Olmert tem falado grosso contra o Hamas. Também criticou a comunidade internacional por se opor à invasão da Faixa de Gaza. Com vasta carreira política, que teve início em 1973, Ehud Olmert já foi prefeito de Jerusalém e por diversas vezes ministro. Nascido em 1945, em Binyamina, então Palestina, formou-se advogado e, antes de se eleger parlamentar, aos 28 anos, serviu ao exército israelense.
Shimon Peres, presidente
Personalidade de destaque em Israel por ter recebido, em 1994, o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com Yitzhak Rabin, primeiro-ministro judeu assassinado, e com o histórico líder palestino Yasser Arafat. Otimista inveterado, Shimon Peres sonha com a paz na região. Em 7 de janeiro, 12º dia de conflito em Gaza, chegou a dizer que Israel estudaria a proposta de cessar-fogo feita pela França e pelo Egito, em contraste com as vozes mais furiosas de Israel, como a do ministro da Defesa, Ehud Barak, que prega uma guerra sem concessões. A função que exerce, no entanto, não possui o peso político necessário à ambição de promover a paz no Oriente Médio. Ao presidente são reservados poucos poderes, como o de indicar o deputado que pode se tornar primeiro-ministro e o de perdoar prisioneiros – desde que o ministro da Justiça concorde. O governo é conduzido de fato pelo primeiro-ministro, e Peres sabe disso. Com mais de 50 anos de política, ele foi premiê em duas ocasiões: de 1984 a 1986 e de 1995 a 1996. Foi também ministro das Relações Exteriores, da Defesa, das Finanças, da Informação e dos Transportes. Sua carreira foi feita no Partido Trabalhista, do qual era considerado um pilar até se juntar ao Kadima. Peres sabe também que a política não é uma linha reta. Quando estava à frente da Defesa, na década de 1970, apoiou as primeiras colônias judaicas na Cisjordânia ocupada. E nos anos 1990 adquiriu projeção internacional por contribuir com as negociações para o acordo de Oslo, assinado por Yasser Arafat em 1993. Passou então a ser chamado de “pomba da paz”. Nascido em 1923, na Polônia, Shimon Peres aportou no Oriente Médio com a família em 1934. Crescido no movimento sionista jovem HaNo'ar Ha'oved, atua politicamente desde cedo.
Ehud Barak, ministro da Defesa
Ocupa o cargo desde junho de 2007. Assumiu a pasta pouco após sua eleição para líder do Partido Trabalhista e anos depois de sua atuação como premiê do estado judeu, função que exerceu de 1999 a 2001, antes de Ariel Sharon. Na atual função, vem exibindo firmeza. Estreou anunciando que não economizaria medidas para garantir a segurança de Israel e, no início do conflito contra o Hamas, falou em uma “guerra sem trégua” contra o grupo islâmico. Ele pode estar em busca, hoje, de compensar as concessões feitas aos palestinos em 2001, para muitos o mais ousado plano de paz já apresentado por um governo israelense. Plano que custou caro, aliás. O então líder palestino Arafat não aceitou as concessões oferecidas por Barak e apoiou a segunda intifada, derrubando o premiê israelense e fortalecendo o Hamas, contra quem Barak agora dirige todos os seus esforços. Militar mais condecorado da história de Israel, Ehud Barak nasceu em 1942 no kibutz Mishmar Hasharon, filho de imigrantes poloneses que chegaram ao Oriente Médio no começo da década de 1930. Recrutado pelo exército aos 18 anos, assumiu o nome hebraico Barak – seus pais eram Brog – e construiu uma sólida carreira militar, chegando a chefe do Estado Maior das Forças Armadas, cargo que exerceu entre 1991 e 1995. Foi neste ano que entrou na política, pelas mãos de Yitzhak Rabin, que o nomeou ministro do Interior. Após o assassinato de Rabin, em novembro de 1995, Barak se tornou chanceler.
Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores
Escolhida pelo presidente Shimon Peres para encabeçar o novo governo, a ministra das Relações Exteriores de Israel pode se tornar a segunda primeira-ministra de Israel, depois de Golda Meir, que governou de 1969 a 1974. Para tanto, terá de derrotar nas eleições de fevereiro o ex-premiê Benjamin Netanyahu, um conhecido linha-dura no conflito com os palestinos. É nisso, apostam analistas, que está de olho a líder do partido Kadima quando declara, por exemplo, que a ofensiva israelense está abalando o Hamas e que a guerra só vai acabar quando a facção palestina deixar de ser uma ameaça para os judeus. É isso que foca ao rejeitar os apelos de trégua da União Européia: ela tenta mostrar força a seus eleitores, calando seus críticos, que a acusam de curta experiência política e de fraqueza em questões de segurança. Alguns chegam a citar, de forma depreciativa, suas boas relações com a americana Condoleezza Rice, que em sua gestão como Secretária de Estado usou de certa suavidade no trato com os palestinos. Entre seus críticos, já figurou até Ehud Olmert, que disse temer pelo futuro de Israel, caso Livni chegasse ao poder. “É incapaz de tomar decisões”, afirmou, dias antes de sua renúncia. Livni, ao contrário, havia se mostrado decidida meses antes, ao pedir a saída do premiê, após a divulgação do relatório oficial com os erros cometidos por Israel na guerra contra o Hezbollah. Filha de uma família de direita ultranacionalista, Livni atuava pelo Likud, mas em 2005 passou ao centro, aderindo ao partido de que hoje é a principal voz. A chanceler nasceu em 1958, em Israel, se formou advogada e chegou a tenente na carreira militar. Na política, ascendeu vertiginosamente com a ajuda de Ariel Sharon, fundador do Kadima, que a catapultou para o topo do partido.
Gaby Ashkenazi, chefe do Estado Maior das Forças Armadas
O general reformado Gaby Ashkenazi se tornou chefe de Estado Maior com a missão de reerguer o exército de Israel, em crise desde a guerra contra o Hezbollah, em meados de 2006. Era um retorno: Ashkenazi havia se afastado por dois anos para comandar o Ministério da Defesa. A estratégia parece ter surtido efeito. O ex-militar tem mostrado satisfação com os progressos das forças israelenses na Faixa de Gaza. “Nossos soldados atuam perfeitamente, progridem segundo os planos”, declarou Ashkenazi em 5 de janeiro, quando a ofensiva terrestre já tinha se iniciado. Formado na Academia Militar israelense e na Academia Militar de Fuzileiros Navais dos EUA, ele acumula vasta experiência de farda. Aos 53 anos, tem 33 de serviço ativo. Alistou-se em 1972, e já no ano seguinte lutava na Guerra do Yom Kippur. Em 1978 e em 1982, esteve presente às invasões do Líbano por Israel. Em 1988, foi nomeado comandante da Brigada Golani, se tornando um alto oficial e, em 1998, passou a chefe do Comando Militar Norte, responsável pela fronteira com o Líbano. Em maio de 2000, efetuou a retirada de Israel do sul do Líbano, ocupado por 18 anos, embora julgasse que a ação poderia fortalecer o Hezbollah. Ashkenazi possui ainda graduação em Ciências Políticas e um título superior de Harvard em Administração de Empresas.

Ismail Haniya, líder do Hamas e primeiro-ministro da Faixa de Gaza
É o principal dirigente do Hamastão, como tem sido chamada a Faixa de Gaza desde que o grupo radical islâmico a tomou à força, em junho de 2007, instituindo ali um governo paralelo ao da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia. Visto como esperança de paz no início de 2006, depois da vitória do Hamas nas eleições legislativas palestinas, Haniya não correspondeu às expectativas. Após romper com o Fatah, o partido que detém o poder da ANP, o Hamas tomou Gaza de armas na mão. E, ao desrespeitar a trégua assinada em junho de 2008 com Israel, sobre quem lançou foguetes, deu ao vizinho motivo para uma ofensiva. Apesar disso, e de ter seu escritório oficial destruído por caças de Israel, Haniya manteve uma postura desafiadora. Já nos primeiros dias da guerra, acusou Israel de promover um “massacre” e falou em nova intifada, reforçando a convocação antes feita pelo líder máximo do Hamas, Khaled Mashaal. Nascido em 1962 no campo de refugiados de Shati, a oeste da cidade de Gaza, Haniyeh é filho de palestinos que abandonaram um vilarejo onde hoje fica a cidade israelense de Ashkelon, um dos principais alvos do Hamas. Formou-se em literatura árabe na Universidade Islâmica de Gaza, em 1987, ano em que teve início o primeiro levante dos palestinos contra a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia. Detido por autoridades israelenses devido à militância no Hamas, foi preso e expulso dos territórios ocupados. Retornou a Gaza em 1993, quando recebeu indicação para o cargo de reitor da Universidade Islâmica. Quatro anos depois, se tornou assessor do poderoso xeque Ahmed Yassin. A relação de proximidade entre eles fez com que Haniya subisse na hierarquia do movimento islâmico.
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina
É co-fundador do Fatah, movimento que rivaliza com o Hamas. Criou a facção em parceria com Yasser Arafat, em 1959. Conhecido também como Abu Mazen, Abbas foi eleito para o comando da ANP em 2005, ano seguinte ao da morte de Arafat. Antes de presidente, foi primeiro-ministro da ANP, cargo que alcançou em 2003. Por sua moderação e disposição para o diálogo, teve sempre aceitação internacional superior à de Arafat. Quando o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas, em janeiro de 2006, quebrando o domínio de mais de dez anos do Fatah, Abbas chegou a formar um governo de coalizão com o grupo, aprovando o nome de Ismail Haniya para primeiro-ministro dos palestinos. Mas a paz durou pouco. Logo, os dois se viram em disputas internas que culminariam no cisma dos palestinos, agora divididos entre o governo da Faixa de Gaza, onde há 1,5 milhão de habitantes, e o da Cisjordânia, com 2,6 milhões. No atual conflito, Abbas não deu apoio ao Hamas, de quem é rival, mas já disparou duras críticas à campanha de Israel, que chamou de “criminosa e bárbara” e de “o mais sangrento dos massacres”. Na mesma ocasião, ameaçou abandonar as negociações para um acordo de paz com o estado judeu. Nascido em Safed, antiga Palestina, em 1935, Mahmoud Abbas é um dos poucos fundadores da Fatah ainda vivos. Considerado um intelectual da causa palestina, escreveu vários livros, entre eles um polêmico estudo sobre o Holocausto.

Hosni Mubarak, presidente do Egito
O Egito tem sido um dos principais mediadores das relações entre Hamas e Israel e, de modo geral, das negociações de paz no Oriente Médio desde 1979, quando assinou um acordo de paz com Israel, país com que já esteve em guerra em três ocasiões. Havia seu dedo no cessar-fogo assinado em junho de 2008 – e depois desrespeitado pelo grupo islâmico, o que serviu de estopim para a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza. Neste conflito, o país se uniu à França para propor uma trégua. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, e seu colega Nicolas Sarkozy se reuniram em Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, para discutir o tema e em 6 de janeiro apresentaram um plano de paz à ONU. No papel, o fim da campanha militar israelense por tempo determinado – período em que o Egito trabalharia pela paz definitiva – e o início do diálogo para a retirada do bloqueio ao território palestino. Não se trata, porém, de uma proposta totalmente favorável ao Hamas. Dessas conversações tomaria parte a ANP. O presidente palestino Mahmoud Abbas gostou. Nascido em 1928, Hosni Mubarak se tornou vice-presidente em 1975 e passou à presidência em 1981, quando o então presidente Anuar Sadat foi morto por extremistas islâmicos. Desde então, vem se mantendo com um perfil moderado, que o mantém distante de grupos radicais árabes e perto da ajuda financeira dos Estados Unidos.
Nicolas Sarkozy, presidente da França
Ao lado do colega egípcio Hosni Mubarak, o presidente francês se tornou um dos personagens mais ativos na busca por soluções para o conflito entre Hamas e Israel. Tem feito viagens e mantido contato com diversos políticos da região. “O presidente Sarkozy tem muita familiaridade com a situação e a complexidade da nossa região”, declarou durante o conflito a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que no entanto se mostrou reticente a aceitar o plano de Sarkozy e Mubarak. A proposta contemplaria até o isolamento de Gaza do contrabando de armas. O cessar-fogo imediato tem sido uma posição defendida pela União Europeia (UE), que até o começo de 2009 tinha a França em sua presidência rotativa, agora entregue à República Checa. Famoso também por seu casamento com a cantora italiana Carla Bruni, Nicolas Sarkozy nasceu em 1955, em Paris, e entrou na política aos 21 anos, como vereador de Neuilly-sur-Seine.
Tony Blair, representante do Quarteto
Ex-primeiro-ministro da Grã Bretanha, Blair representa o grupo formado por ONU, EUA, União Europeia e Rússia para discutir a paz no Oriente Médio. Exerce a função desde junho de 2007, mesmo mês em que o Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza. No atual conflito, tem defendido medidas que permitiriam, segundo diz, um “cessar-fogo imediato”. Entre elas, está o corte dos túneis clandestinos por onde armas e dinheiro seguiriam do Egito para Gaza – mais exatamente para o Hamas, grupo islâmico que sempre antipatizou com a presença de Blair na região. A fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza tem quase 200 túneis, de acordo com o Exército de Israel. Os túneis que o britânico quer obstruir teriam sido construídos pelo Hamas após o bloqueio israelense imposto em 2007. O fim do bloqueio israelense é uma das reivindicações do grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza. Blair se nega a dialogar com o Hamas. Por oito anos, foi um importante aliado dos EUA – que por sua vez são tradicionalmente favoráveis a Israel – e chegou a pedir a Barack Obama que trabalhasse no conflito no Oriente Médio assim que assumisse a presidência.
Organização das Nações Unidas (ONU)
Organismo multilateral criado ao fim da II Guerra Mundial com a missão de trabalhar pela paz mundial, a organização teve seu papel abalado na guerra do Iraque, quando não foi eficaz na tentativa de impedir a ofensiva militar americana. Na campanha de Israel contra o Hamas, o papel da ONU foi novamente colocado em dúvida. Críticos a acusaram de demorar a tomar medidas de impacto – a ajuda humanitária esteve em pauta desde os primeiros dias de guerra. Mas no 14º dia de confronto, três dias após receber o plano de trégua elaborado pelo Egito e pela França, o Conselho de Segurança da organização aprovou por unanimidade uma resolução pelo cessar-fogo imediato. Só os EUA se abstiveram. Para justificar a falta, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse esperar pelos resultados das mediações egípcias – enquanto, em Washington, o Senado americano aprovava uma resolução que reiterava o “compromisso inquebrável” do país com Israel e o direito do país se defender. A sessão de emergência da ONU foi convocada por iniciativa de governos de nações islâmicas e países em desenvolvimento. Ao fim, a proposta foi rechaçada tanto por Israel como pelo Hamas. A ONU, contudo, não se calou. Pediu na mesma data investigações sobre a ocorrência de crimes de guerra na Faixa de Gaza. Segundo a instituição, Israel alvejou escolas e também um caminhão de ajuda humanitária. Das 760 vítimas contabilizadas até 9 de janeiro, 42% eram mulheres e crianças. “A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada”, afirmou a alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.


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