SEÇÕES ON-LINE
Quem é quem

A eleição presidencial de 2008 nos EUA já entrou para a história antes mesmo da definição dos candidatos. Pela primeira vez, um negro e uma mulher disputam, com reais chances de vitória, a indicação de candidato de um dos grandes partidos à Casa Branca. Só um deles chegará ao pleito, em novembro, contra o republicano John McCain. O duelo entre os democratas atrai a atenção do mundo. Quem conquistará a vaga nas primárias?

 Hillary Diane Rodham Clinton
 Senadora eleita por Nova York (desde 2001)
 60 anos (Chicago, Illinois, 26 de outubro de 1947)
 Primeira-dama dos EUA entre 1993 e 2001
 Filho de um empresário e de uma dona-de-casa de ascendência européia, ambos de Illinois
 Advogada formada pelas universidades de Wellesley e Yale
 Casada, uma filha (Chelsea)
 Integrante da Igreja Metodista Unida e moradora de Chappaqua, Nova York
 • Site oficial: www.hillaryclinton.com

 Barack Hussein Obama Jr.
 Senador eleito por Illinois (desde 2005)
 46 anos (Honolulu, Havaí, 4 de agosto de 1961)
 Senador estadual de Illinois de 1997 a 2004
 Filho de um economista do Quênia e de uma antropóloga e pesquisadora do Kansas
 Advogado formado pelas universidades de Columbia e Harvard
 Casado, duas filhas (Malia Ann e Sasha)
 Integrante da Igreja Unida de Cristo e morador de Chicago, Illinois
 • Site oficial: www.barackobama.com

Ser a primeira mulher a presidir os EUA, reconduzindo à Casa Branca seu grupo político, comandado pelo ex-presidente Bill Clinton, depois de oito anos longe do poder. A ambição Ser o primeiro negro a presidir os EUA, promovendo uma renovação nos quadros do Partido Democrata e consolidando um novo movimento político entre os americanos.
Aproveitar o reconhecimento conquistado como primeira-dama e senadora, apresentando sua candidatura como a mais sólida e promissora dentro do Partido Democrata. A estratégia Aproveitar o desejo de mudança de boa parte dos americanos depois de dois mandatos de George W. Bush, apresentando-se como alternativa de renovação na política.
A imagem conhecida por todos os americanos e a experiência na Casa Branca, onde foi muito mais que uma simples primeira-dama (participou ativamente do governo). O que pode ajudar na eleição A imagem de grande promessa para o futuro da gestão pública americana, atraindo os votos dos eleitores mais jovens e dos insatisfeitos com o continuismo na política.
A imagem conhecida por todos os americanos e a experiência na Casa Branca. É admirada por boa parte da população, mas odiada por uma porção também significativa. O que pode atrapalhar A imagem de candidato jovem e iniciante em grandes disputas políticas. Para muitos, não tem a experiência necessária para comandar a nação mais poderosa do mundo.


Incentivos fiscais a empresas que transferem empregos para o exterior; estímulo às empresas do setor de tecnologia; créditos fiscais para ajudar comunidades que perdem empregos para outros países; 60 bilhões de dólares para projetos de infra-estrutura, criando 3 milhões de novos empregos.
Promessas para a economia

Fim dos cortes de impostos do governo Bush aos mais ricos; investimento bilionário no setor de energia renovável; 60 bilhões de dólares nos próximos 10 anos para refazer a infra-estrutura americana; renegociação do Nafta e cancelamento das negociações de acordo comercial com a Colômbia.
Votou em favor da invasão do Iraque em 2002, mas agora é contra a guerra; votou contra o aumento no número de soldados; promete começar a retirada de tropas nos 60 primeiros dias de governo; meta final é tirar a maior parte dos soldados do país até 2013. Posição sobre a guerra do Iraque Manifestou sua oposição à invasão do Iraque desde o começo, mas não era senador na época da votação decisiva; votou contra o aumento no número de soldados; fala em retirar uma ou duas brigadas por mês, concluindo a remoção das tropas em 16 meses.
A experiência de sete anos no Senado (inclusive no Comitê de Serviços Militares) e mais oito na Casa Branca, acompanhando de perto a rotina de um presidente. Maior arma contra o rival A "ficha limpa" na política nacional, sem escândalos no passado, sem compromissos com velhos aliados e com menor rejeição entre parlamentares republicanos.
A fortíssima rejeição de parte do eleitorado americano e de muitos políticos republicanos à sua candidatura, herança dos tempos da presidência de Clinton. Isso tornaria a tarefa de governar mais difícil, pelo menos no começo do mandato. Ponto vulnerável A imprevisibilidade de um eventual governo Obama. Não se sabe como ele formaria seu ministério, como conduziria a política externa e como responderia às pressões dos rivais políticos. Sua conduta num cargo mais alto é uma incógnita.
Ex-presidente Bill Clinton; ex-secretários de governo Madeleine Albright e Sandy Berger; ex-comandantes militares Wesley Clark e John M. Shalikashvili; senadores Chuck Schumer e Evan Bayh; deputados Chuck Rangel e Loretta Sanchez; prefeitos Antonio Villaraigosa (Los Angeles) e Gavin Newsom (São Francisco). Adesão de políticos Ex-conselheiro de Segurança Nacional Zbigniew Brzezinski; senadores Ted Kennedy, John Kerry e Chris Dodd; deputados Rick Boucher e Patrick J. Kennedy; governadores Bill Richardson (Novo México), Tim Kaine (Virgínia) e Janet Napolitano (Arizona); prefeitos Richard Daley (Chicago) e Adrian Fenty (Washington).
Madonna, Elton John, Ellen DeGeneres, Michael Douglas, Jack Nicholson, Tina Fey, Whoopi Goldberg, Elizabeth Taylor, Natalie Portman, Steven Spielberg, Barbra Streisand, Tony Bennett, Martha Stewart, Magic Johnson. Eleitores famosos Oprah Winfrey, Michael Jordan, Stevie Wonder, Denzel Washington, Sharon Stone, Will Smith, Scarlett Johansson, George Clooney, Brad Pitt, Bruce Springsteen, Jay-Z, Spike Lee, David Geffen, George Soros, Jane Fonda.
As vitórias em Ohio e no Texas, em março, para seguir na corrida e evitar que o rival garantisse sua candidatura. Melhor momento da campanha A série de onze vitórias consecutivas nas primárias, em fevereiro, abrindo uma boa vantagem sobre a adversária.
A repercussão negativa de uma afirmação sobre seu desembarque na Bósnia, na década de 1990. Hillary disse que chegou à região em meio a um tiroteio, mas um vídeo da época mostrou uma versão diferente -- ela foi recebida calmamente, com flores e sorrisos.

Pior momento da campanha A repercussão negativa dos sermões do reverendo de sua igreja, Jeremiah Wright, contra Hillary. O pastor disse que só Obama "sabe o que significa viver num país e numa cultura controlada pelos brancos e ricos". O candidato afirmou discordar das afirmações dele.

Se parasse agora, seria como se Rocky Balboa subisse aqueles degraus e falasse o seguinte: 'Bem, acho que já cheguei longe demais.' Quando se fala em terminar uma luta, Rocky e eu temos muito em comum. Nunca abandono as coisas, nunca desisto. O mesmo vale para os EUA.
Em discurso na Filadélfia, palco do filme de 1976 sobre o boxeador azarão que derrota o favorito e conquista seu sonho. A cena a que Hillary se referia é a famosa corrida pelas ruas da cidade, terminando nos degraus do Museu da Filadélfia.
A melhor frase Eu não sou candidato a vice-presidente, sou candidato a presidente dos Estados Unidos da América. E não sei como alguém que está em segundo lugar pode oferecer a vice-presidência a alguém que está em primeiro lugar. Com todo o respeito, venci mais estados e recebi mais votos.
Em resposta às notícias veiculadas pela imprensa de que seria o candidato a vice-presidente numa chapa comandada por Hillary. A adversária disse que "aceitaria" Obama como vice, apesar de estar atrás na contagem de delegados. Obama não gostou.
O sonho do doutor Martin Luther King começou a se concretizar apenas quando o presidente Lyndon Johnson aprovou o Ato dos Direitos Civis, em 1964. Foi preciso que o presidente entrasse em ação para que aquilo virasse realidade nos EUA.
Em discurso na Carolina do Sul, ao comentar o legado do ativista dos direitos civis. Hillary tentava atrair o eleitorado negro, mas acabou recebendo críticas no Sul.
A maior gafe
Em algumas dessas pequenas cidades da Pensilvânia, os empregos sumiram há 25 anos. Então você não fica tão surpreso quando vê que ficaram amargos, que se agarram às armas, à religião ou à antipatia pelas pessoas que não são como elas.
Em discurso em São Francisco, ao falar sobre o favoritismo de Hillary na Pensilvânia. A fala foi considerada elitista e prejudicou Obama entre o eleitorado operário.
Help make history, "ajude a fazer história". Slogan Change we can believe in, "mudança em que podemos acreditar"


A senadora ri de imitação no programa humorístico "Saturday Night Live".
A melhor imagem

O senador dança durante a entrevista à apresentadora Ellen DeGeneres.
A senadora é tão conhecida quanto John McCain pelo eleitorado americano. Teria grande favoritismo em estados como Nova York e Califórnia, fundamentais para qualquer democrata na eleição de novembro. McCain, porém, teria maior aceitação entre os eleitores independentes e moderados. Nas pesquisas, há empate técnico entre os dois. Chance de vitória contra McCain O senador não tem o mesmo reconhecimento que McCain, mas neutraliza uma das maiores virtudes da candidatura do republicano: a chance de atrair os independentes. A corrida entre Obama e McCain provavelmente seria decidida nos estados do Sul. Se o democrata fosse bem ali, ganharia. Nas pesquisas, há empate técnico entre os dois.
Senador Evan Bayh, ex-governador Tom Vilsack e ex-comandante da Otan Wesley Clark. Hillary falou, em tom de brincadeira, sobre chamar o marido, Bill Clinton, para o cargo. A possibilidade, porém, é considerada remota. Quem pode ser o vice-presidente Conforme fontes ligadas à campanha de Obama, o nome considerado ideal seria o de Mike Bloomberg, prefeito de Nova York, ex-republicano, hoje independente. A própria Hillary poderia ser chamada, mas dificilmente aceitaria.
O ex-presidente Bill Clinton, de 61 anos, teria influência garantida num possível governo de Hillary. O carismático político seria o primeiro homem a ocupar o posto, ainda inédito na história da Casa Branca. Primeira-dama
ou primeiro-cavalheiro?
A advogada Michelle Obama, de 44 anos, provavelmente repetiria a experiência de Hillary com Bill Clinton -- com formação acadêmica e profissional invejável, poderia atuar em algum setor do governo do marido.
Continuará como senadora por Nova York e, em caso de vitória de McCain em novembro, pode tentar a presidência outra vez em 2012. Se Obama vencer, deve abandonar o sonho de chegar à Casa Branca, já que o democrata concorreria à reeleição dentro de quatro anos. O que fará se perder Continuará como senador por Illinois, e certamente será lembrado nas futuras corridas presidenciais. Apesar de jovem, pode não disputar outra eleição à Casa Branca. Sua mulher, Michelle, afirma que não aceitará ficar ao lado do marido em mais uma exaustiva campanha.