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Quem é quem 
A cerca de dois meses da posse, Barack Obama já tem quase toda a sua equipe escolhida.
Há quem diga que ele quer evitar o erro de Bill Clinton, que só definiu o gabinete
de seu primeiro mandato a cinco dias da posse, sem dar tempo aos futuros secretários
para que se preparassem. Outros dois aspectos, porém, emergem das escolhas de
Obama. A primeira, talvez a mais óbvia, é ter Clinton como referencial. Outra
é a possível abertura para a participação republicana, simbolizada pela
provável manutenção de Robert Gates na Defesa. Compare os
perfis dos integrantes das equipes de Obama e Bush e saiba como as posições
do governo dos EUA podem mudar.
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| Secretária
de Estado: Hillary Clinton* | |
Secretário de Defesa: Robert Gates* |
| Secretário
do Tesouro: Timothy Geithner | |
Conselho de Economia: Lawrence Summers | |
Chefe de gabinete: Rahm Emanuel | |
Secretário do Comércio: Bill Richardson* |
| Secretário
da Justiça: Eric Holder | |
Segurança Nacional: James Jones * |
Segurança Doméstica:
Janet Napolitano * *a confirmar | | |  | 
| Secretária
de Estado: Condoleezza Rice | |
Secretário de Defesa: Robert Gates | |
Secretário do Tesouro: Henry Paulson |
| Conselho de
Economia: Keith Hennessey | |
Chefe de gabinete: Joshua Bolten | |
Secretário do Comércio: Carlos Gutierrez |
| Secretário
da Justiça: Michael Mukasey | |
Segurança Nacional: Stephen Hadley |
Segurança Doméstica:
Michael Chertoff
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O
nome da ex-primeira-dama Hillary Clinton é o mais cotado
para a vaga de Condoleezza Rice. Se isso acontecer, Hillary será a terceira
mulher a assumir a função. Ex-rival de Obama na briga pela candidatura
democrata à Presidência dos EUA, a senadora deve aceitar o convite,
ainda que tenha discordado de Obama nas primárias do partido quanto à
política externa. Ela preferiu, por exemplo, não estipular data
para a retirada das tropas do Iraque. Hillary vem erguendo uma carreira política
sólida e própria, longe da sombra do marido. Os dois, aliás,
são grandes parceiros políticos: Hillary não abandonou Bill
quando a traição com a estagiária Monica Lewinsky abriu uma
grave crise. O ex-presidente trabalha agora por sua nomeação à
Secretaria de Estado. Tida como mulher de pulso firme, Hillary não deve
suavizar muito a diplomacia americana. Analistas prevêem uma política
externa relativamente dura. | Secretária
de Estado | 
Condoleezza
Rice foi alçada a secretária de Estado, principal posto
da diplomacia americana, em 2005, após a saída de Colin Powell.
Deixou a função de Assessora de Segurança Nacional da Casa
Branca para se tornar a primeira negra a ocupar o cargo. E a segunda mulher: antes
dela, só Madeleine Albright havia assumido a pasta. Professora de Ciências
Políticas na Universidade de Stanford, Condoleezza acumula diversos títulos
acadêmicos. Solteirona convicta, porque exclusivamente dedicada à
carreira, tem dado continuidade à criticada política externa de
Bush. O período foi marcado pela polêmica guerra no Iraque, fruto
de uma política considerada dura e unilateral, já que os americanos
invadiram o país ignorando as resoluções da Organização
das Nações Unidas (ONU). Até agora não se provou que
o país fabricava armas químicas, como dizia a diplomacia americana
antes de iniciar a guerra. | | Diversas
possibilidades já foram consideradas por analistas políticos para
a Defesa americana na era Obama. Mas, ao que tudo indica, o atual secretário,
Robert Gates, deve permanecer no cargo por mais um ano, pelo
menos. Seria tempo suficiente para supervisionar o desenvolvimento dos conflitos
no Iraque e no Afeganistão e para preparar o retorno das tropas - Obama
prometeu conduzi-las de volta aos EUA até 16 meses após a posse.
Gates, que cumpre a função de chefe do Pentágono desde 2006,
quando substituiu o criticado Donald Rumsfeld, seria o nome indicado para a missão.
Classificado como voz moderada dentro do governo dos republicanos, conseguiu reduzir
a violência no Iraque, o que lhe rendeu o respeito tanto de democratas como
de membros do partido de Bush republicanos. A permanência de Gates também
sinalizaria que a promessa de Obama de formar um governo bipartidário é
real. | Secretário
de Defesa | A Secretaria de Defesa dos
EUA é ocupada por Robert Gates desde dezembro de 2006.
Visto como homem ponderado, Gates é oriundo da área acadêmica
e tem uma longa relação com a família Bush. Antes de assumir
a chefia do Pentágono, foi presidente da Universidade Texas A&M por quatro
anos. De 1999 a 2001, foi reitor da Escola George Bush de Administração
e Serviço Público. A Texas A&M é a sétima maior universidade
americana. No governo de George H. W. Bush, pai do atual presidente, Gates foi
o diretor da CIA, entre 1991 e 1993. É nesta área, de fato, em que
ele concentra sua atuação. Contratado pela agência de Inteligência
em 1966, trabalhou para seis presidentes diferentes ao longo de 27 anos. Nove
anos foram passados no Conselho de Segurança Nacional, onde ajudou quatro
ocupantes da Casa Branca - dois de cada um dos principais partidos. |
| O novo nome do Tesouro americano
virá do banco central do país, o Federal Reserve (Fed). Timothy
Geithner, atual presidente do Fed estadual de Nova York, foi o escolhido.
Na nova função, a mais destacada da economia dos EUA, Geithner será
a principal arma de Obama contra a crise. E terá munição.
Como cabeça do Fed nova-iorquino, vem acompanhando a evolução
do mal-estar econômico e a medicação aplicada para saná-lo,
pois é um dos articuladores dos planos de resgate. É nisso que aposta
o futuro presidente. Geithner, também vice-presidente do Comitê Monetário
do Fed central, já propôs um marco regulatório unificado para
os bancos mais importantes, uma forma de evitar outro colapso como o que se viu
em setembro. |
Secretário do Tesouro |
Nas mãos de Henry Paulson, ex-presidente do banco de
investimentos Goldman Sachs, desde julho de 2006, o Tesouro americano vem pondo
em prática uma política de longo prazo, com foco tanto em questões
domésticas como externas. Para analistas, o pragmático esforço
realizado para salvar o sistema financeiro após a eclosão da crise,
em setembro, mostra que Paulson é capaz de deixar de lado os fatores ideológicos
e agir com firmeza em prol da economia. Além de ex-homem forte do Goldman
Sachs, Paulson acumula passagens pela Casa Branca: serviu à Presidência
de 1970 a 1973, como assistente da Secretaria de Defesa, no Pentágono,
e, depois, no Conselho Doméstico. Cristão praticante, não
bebe álcool e é casado há 39 anos. | | Outra
vaga reservada a uma figura ligada a Bill Clinton. Lawrence Summers
foi secretário do Tesouro de julho de 1999 ao início de 2001, fase
final do último governo democrata. Interlocutor de Obama há meses,
Summers vem discutindo com o presidente eleito possíveis saídas
para a crise financeira. Seu currículo na área é fortíssimo.
De 1991 a 1993, foi o economista-chefe do Banco Mundial, onde trabalhou criando
estratégias de ajuda a países em desenvolvimento. Antes de chegar
a Washington, foi professor de Economia Política da Universidade de Harvard,
onde fez carreira e alcançou o cargo de reitor, ao qual renunciou em 2006.
Seu estilo inflamado lhe rendeu inimigos. No governo Obama, é cotado também
para o Fed, que pode vir a assumir em 2010, fim do mandato de Ben Bernanke. | Diretor
do Conselho Nacional de Economia |
Assessor do presidente na política econômica e direto-adjunto
do Conselho Nacional de Economia há apenas um ano, Keith Hennessey
assumiu o NEC (na sigla em inglês) após a renúncia de Allan
Hubbard, no final de 2007. Ex-colaborador do senador republicano Trent Lott, Hennessey
tem profundo conhecimento do Conselho, onde foi adjunto de três diretores
antes vir a ser um. Desempenha papel importante na atual crise: é um dos
pais do pacote de resgate econômico de 700 bilhões de dólares,
lançado pelo governo americano no início de outubro. Ao contrário
de outras autoridades americanas, é voz moderada na questão dos
biocombustíveis. Quando a Opep culpou os biocombustíveis pela alta
no preço dos alimentos, Hennessey respondeu que o setor não tinha
tanto peso na questão como diziam. | 
Eleito,
uma das primeiras medidas de Obama foi nomear Rahm Emanuel para
a chefia de seu gabinete na Casa Branca. O deputado por Illinois (mesmo estado
que fez de Obama um senador) é visto como um especialista na arena política
de Washington, que poderia aproximar o próximo presidente de outros líderes
democratas. Assim como outros integrantes da equipe, foi assessor de Bill Clinton
em dois mandatos. Em 1992, havia sido diretor de finanças da campanha de
Clinton. A proximidade do ex-presidente, aliás, impediu que ele tomasse
partido na disputa entre Hillary e Obama nas primárias democratas. Em 2003,
se elegeu, e em 2006, foi o chefe da bem-sucedida campanha dos democratas para
a Câmara. Ele é famoso pela franqueza; é combativo em relação
à saúde, comércio e assistência social. Emanuel recebeu
da imprensa o apelido de "Rahmbo". | Chefe
de Gabinete da Casa Branca |

Homem
do Orçamento de Bush a partir de 2003, Joshua Bolten foi
promovido ao comando do gabinete presidencial em 2006, com a renúncia de
Andrew Card. Tanto Bolten como Card - que respondeu pela função
durante cinco anos e meio e saiu quando uma queda na popularidade de Bush demandou
mudanças na Casa Branca - integraram a equipe de George Bush pai. O elo
de Bolten com a família Bush vem se mantendo ininterruptamente. Bolten
fez carreira na equipe do atual presidente. Foi o diretor de política da
campanha presidencial em 1999 e 2000 e mais tarde escolhido como secretário-geral
adjunto da Casa Branca. Passou a assistente de gabinete para política da
Casa Branca, entre 2001 e 2003, e daí aos cargos de chefia. É dos
conselheiros mais próximos do presidente e um dos principais estrategistas
de Bush na área econômica. | O
Departamento de Comércio pode acomodar outro ex-auxiliar de Clinton. Seria
o governador do Novo México, Bill Richardson, apontado
pela imprensa americana como a figura mais forte para o cargo. Richardson chegou
a se pré-candidatar à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata,
mas acabou desistindo e dando seu apoio a Obama. Ex-embaixador na ONU e ex-secretário
de Energia do governo de Bill Clinton, Richardson poderá ser o primeiro
hispânico no alto escalão da era Obama e ainda dar continuidade à
presença latino-americana na pasta, já que o atual secretário
do Comércio do governo Bush, Carlos Gutierrez, é cubano. | Secretário
do Comércio | Cubano foragido da ilha
de Fidel Castro, Carlos
Gutierrez é o símbolo do hispânico que, como
se diz, fez a América. Chegou aos EUA com a família aos 6 anos,
aprendeu inglês com um porteiro de hotel e começou a trabalhar na
gigante de cereais Kellogg's, quando se mudou para o México com os pais.
No início, pilotava um caminhão de entregas e, de degrau em degrau,
foi transferido para os Estados Unidos, onde alcançou o comando da companhia.
Mais tarde, foi nomeado secretário do Comércio. Em uma de suas visitas
ao Brasil, defendeu uma parceria contra a China e a Índia, grandes rivais
dos EUA no comércio internacional. | A
gestão Obama terá o primeiro secretário de Justiça
negro dos EUA, Eric Holder. Ele já foi subsecretário
de Justiça do governo Clinton, e atua hoje num famoso escritório
de advogados. Com Obama, trabalha desde a campanha, à qual prestou consultoria
jurídica, além de colaborar na escolha do vice Joseph Biden. Nem
só de feitos, no entanto, é formado o currículo de Holder.
O advogado se enrolou todo no final da gestão de Clinton, por não
repassar à Casa Branca a ressalva do Departamento de Justiça em
anistiar o empresário foragido Marc Rich. A anistia foi assinada por Clinton
no último dia do mandato. | Secretário
de Justiça | Ex-juiz
federal de NY, Michael Mukasey é um dos expoentes da linha
dura do governo Bush. É amigo próximo de Rudy Giuliani, que implementou
a política de tolerância zero contra criminalidade na maior cidade
americana. Mukasey é daqueles que defendem ações militares
contra suspeitos de terror. Pouco após assumir o Departamento de Justiça,
em 2007, o ex-juiz causou polêmica, durante audiência no Senado, ao
se recusar a classificar como tortura e prática ilegal a técnica
de interrogatório que simula o afogamento do prisioneiro. O expediente
seria usado no Iraque, no Afeganistão e em Guantánamo. |
| Aqui, as apostas recaem sobre o general da reserva
do Corpo de Marines James Jones. Ex-comandante da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jones é famoso pela experiência
em segurança, por criticar a forma como Bush tratou da questão iraquiana
e por defender uma ação militar que não se limite às
forças de combate e inclua a reconstrução. Ele foi presidente
de uma comissão independente sobre as forças de segurança
no Iraque, grupo definido pelo Congresso para avaliar o preparo das tropas iraquianas.
Seu perfil se encaixaria na tendência de junção entre a diplomacia
e a defesa, corrente em alta nos EUA. Outro trunfo de Jones, na perspectiva da
gestão Obama, é ser um homem acima da rixa entre democratas e republicanos.
Admirado por ambos, ele rejeita qualquer ligação partidária.
Pode ser anunciado após o feriado prolongado de Ação de Graças.
| Assessor
de Segurança Nacional | Cargo ocupado
por um dos mais antigos e fiéis seguidores de Bush, Stephen Hadley.
Ele trabalhou na primeira campanha presidencial do atual mandatário, foi
assistente da assessoria de Segurança Nacional no primeiro mandato e, no
segundo, assumiu a função de assessor. Na gestão de Bush
pai, Hadley também tinha cargo. Foi secretário-assistente de Defesa
para Política de Segurança Internacional, de 1989 a 1993. É
outro representante da linha dura republicana. Em 2005, se negou a condenar o
uso da tortura nos interrogatórios de acusados de terrorismo. Neste ano,
defendeu o projeto americano de implantar um escudo de mísseis na Polônia
e na República Checa, plano que enervou a Rússia. No Oriente Médio,
Hadley vem se empenhando em defender a democracia - em oposição
à força radical dos extremistas islâmicos - e a criação
de um estado autônomo palestino. | 
Governadora
do estado do Arizona, a democrata Janet Napolitano está
nos planos de Obama para a Segurança Doméstica. Napolitano tem um
bom currículo: aos 50 anos, já foi procuradora federal no Arizona
e secretária de Justiça do estado. Além disso, no papel de
governadora de um estado vizinho ao México, tem intimidade com a questão
da fronteira, um tema de preocupação crescente nos EUA, hoje sob
a jurisdição do Departamento de Segurança Doméstica.
Janet também agrada aos republicanos. Senador pelo Arizona, o candidato
derrotado à Presidência John McCain já se pronunciou, num
comunicado, dizendo torcer pela sua nomeação. | Secretário
de Segurança Doméstica |

Cargo
criado em 2002, em decorrência dos atentados de 11 de Setembro, é
ocupado desde 2005 por Michael
Chertoff. Sua gestão traz impressas algumas das principais
marcas do governo Bush, como a rígida repressão a imigrantes ilegais,
simbolizada pela construção de um muro de 3.000 quilômetros
projetado para selar a fronteira entre México e EUA. Envolvido na luta
contra o terrorismo, foi, antes de assumir a Secretaria de Segurança Nacional,
um dos autores da polêmica lei em resposta aos ataques terroristas de 11
de Setembro, que permitiu ao governo grampear telefones, e-mails e contas bancárias
sem autorização judicial. | Versão
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