 |
Quem é quem 
Em 2008, o "oráculo de Omaha" e o fundador da Microsoft se revezaram no topo da
lista dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Warren Buffett, o megainvestidor
da Berkshire Hathaway, ultrapassou Gates em março. O gênio da informática ostentava
o título havia mais de uma década. Em setembro, Gates reassumiu o primeiro lugar
no ranking da revista Forbes. Veio a crise financeira global e Buffett
voltou à dianteira. De onde vêm as fortunas dos dois? Como eles chegaram
ao topo da lista? |  |

| Warren Buffett |
| Presidente do conselho
de administração da Berkshire Hathaway |
Nascido em Omaha, Nebraska
(EUA), em 30 de agosto de 1930 |
Graduado em Economia pela Universidade de Colúmbia, em Nova
York | |
Fortuna de 58 bilhões de dólares (segundo a revista Forbes,
em outubro de 2008) | |
Casado com Astrid Menks desde 2006; pai de Susie Buffett, Howard Buffett
e Peter Buffett | | |  | 
| William Henry "Bill" Gates III |
|
Fundador e presidente do conselho de administração da
Microsoft |
Nascido em Seattle, Washington (EUA), em 28 de outubro de 1955 |
| Curso
superior incompleto pela Universidade Harvard, em Massachusetts |
| Fortuna
de 55,5 bilhões de dólares (segundo a revista Forbes, em
outubro de 2008) | |
Casado com Melinda Gates desde 1994;
pai de Jennifer Gates, Rory Gates e Phoebe Gates | |
|
| 
Filho
de um operador do mercado financeiro do Nebraska, Warren Buffett teve contato
com essa atividade desde cedo. Também mostrou aptidão para os negócios
quando ainda era muito jovem. Aos 15 anos, em sociedade com um amigo, ele comprou
uma máquina de fliperama por apenas 25 dólares e instalou o aparelho
numa barbearia. Com o lucro, comprou outras máquinas e instalou os fliperamas
em outras partes de Omaha. Aos 20 anos, se inscreveu para uma vaga na escola de
administração da Universidade de Harvard. O pedido foi rejeitado.
Ele decidiu ir para Colúmbia, motivado pela presença de um famoso
analista de mercado, Benjamin Graham, como professor. | Origens |

Pela
adolescência despreocupada em Seattle, no noroeste dos EUA, berço
do estilo grunge, e por experiências com LSD na juventude universitária
em Harvard nos anos 1970, Gates poderia ter-se saído um roqueiro de porão.
Ele era, contudo, o protótipo daquela figurinha que os filmes juvenis americanos
imortalizaram, o "nerd", o geniozinho da escola. Além de estudioso, Bill
foi um menino inteligente e curioso. Depois, ainda mostrou-se ambicioso, calculista,
grande negociante e, o que é decisivo, um homem com visão. Trombou
com seu primeiro computador numaa escola religiosa, onde conheceu também
seu futuro sócio, Paul Allen. Aos 15, já programavam computadores. |
| Ainda na universidade, Buffett se interessou por setores
como o de seguros e tentou aprender o máximo possível sobre as áreas
que poderiam render boas oportunidades futuras. Já formado, pensou em trabalhar
em Wall Street, mas acabou sendo desencorajado pelo pai. Até comprou um
posto de gasolina (negócio que não deu certo) e deu aulas na Universidade
de Nebraska antes de conseguir um emprego na empresa de Benjamin Graham. Quando
Graham se aposentou, Buffett, então com 26 anos, abriu sua própria
companhia de investimentos. O patrimônio de Buffett era de cerca de 140.000
dólares. | Primeiras
apostas | Em 1973, Gates entrou na Universidade
Harvard, ficou dois anos e saiu. Dois anos depois, a dupla Gates-Allen era famosa
nas rodas dos iniciados em computação. Em 1976, eles escreveram
uma versão de programa no que se conhecia como o computador pessoal daquele
tempo, o Altair. Ele e Allen mudaram-se para o Novo México, onde fundaram
a Microsoft. Só quatro anos depois, a empresa já fazia barulho suficiente
no planeta cibernético para chamar a atenção da IBM. Essa
gigante da eletrônica estava começando a ficar incomodada com o surgimento
dos chamados "computadores para o lar". | | À
frente de sua nova empresa e sócio de vários fundos, contou com
sua excepcional habilidade ao lidar com ações para fazer fortuna.
Expandiu seus negócios, identificou boas oportunidades e fugiu das apostas
arriscadas demais. Tornou-se milionário aos 32 anos, a mesma idade com
que descobriu a Berkshire Hathaway, fábrica têxtil. A companhia foi
adquirida por Buffett três anos depois, em 1965. À frente dela, o
investidor deu cartadas espetaculares, nadando contra a maré e comprando
partes de empresas que possuem um valor intrínseco e que estejam depreciadas
por fatores exógenos ou conjunturais. Foi essa estratégia que levou
a Berkshire Hathaway a tornar-se sócia de alguns dos principais ícones
da indústria americana, como a Coca-Cola e a Gillette. Buffett gosta é
de negociar ações da economia real. Tecnologia não é com
ele (tanto que não perdeu nada no estouro da bolha das empresas de internet,
em 2000. | Como
ficou rico | A IBM contatou a Microsoft
e Gates conseguiu que o primeiro grande produto da empresa dele, o MS-DOS, fosse
adotado pela IBM como o único programa operacional dos seus computadores
pessoais. Foi o maior negócio de Bill Gates e da Microsoft. Com a força
da IBM por trás, o MS-DOS se tornou rapidamente linguagem padrão
da indústria de computadores pessoais. Com esse dinheiro, Gates construiu
a sede da Microsoft em Redmond. Além do crescimento espetacular da Microsoft,
que expandiu seu alcance e sua linha de produtos num mundo em que o computador
é peça cada vez mais fundamental, Gates também se beneficiou
de seus negócios bem-sucedidos no mercado de ações para chegar
ao posto de homem mais rico do planeta durante maior parte das décadas
de 1990 e 2000. Em 1999, Gates chegou a ter 101 bilhões de dólares,
valor que caiu desde o estouro da bolha da internet. | |

Buffett
construiu sua vasta fortuna "comprando príncipes pelo preço
de sapos", como ele mesmo gosta de dizer. Tirando proveito das pechinchas
oferecidas em períodos de grande instabilidade financeira, ficou bilionário,
multiplicou o dinheiro de seus acionistas e contribuiu para revigorar o capitalismo
americano, ao longo de mais de cinco décadas no mercado. Valer-se do momento
de pânico e de incongruências do mercado está na raiz de sua
filosofia de investimentos. Ao fugir das ações da "nova economia"
(as empresas da web eram algo novo demais e arriscado demais, na avaliação
dele), chegou a ser ridicularizado por ser "ultrapassado". Acabou rindo
por último. | Segredo
do sucesso | 
A
inovação e a visão, que transformaram a sua empresa numa
gigante global com tentáculos que se estendem para todos os lados. Gates
obteve a façanha de garantir que a companhia tivesse presença e
relevância por toda a parte dentro do mundo da tecnologia - o que rendeu
processos e outras dores de cabeça ligadas à acusação
de concorrência desleal com seus rivais. A fama de querer controlar o mundo
digital e ganhar todas as disputas mudou Gates, que trocou de tática e
tentou melhorar a imagem da companhia desde a série de processos. Mas o
criador da Microsoft não se acomodou: continuou buscando chances de ampliar
as atividades e serviços da empresa. | Buffett
tem um cardápio pequeno e conservador de ações. Conservador
até a raiz dos cabelos, Buffett só investe em grandes empresas,
em negócios que conhece bem. Risco não é com ele. Foi
assim quando começou. Leu, conversou e investigou tanto que acabou descobrindo
uma companhia melhor do que as outras. Aplicando o dinheiro de outros investidores,
multiplicou o seu próprio patrimônio. Frasista de primeira, Buffett
é adorado por analistas de mercado, que repetem as opiniões dele
como se fossem provérbios. | Estilo
de gestão | A fama de chato
de Gates cresceu junto com o sucesso. A frase mais comum com que atingia seus
subordinados nas reuniões da Microsoft era: "Esta é a idéia
mais estúpida que já ouvi em toda minha vida". Foi esse controle
rigoroso do desenvolvimento dos produtos da Microsoft, no entanto, que garantiu
à empresa a posição de destaque e predomínio no mercado.
Apesar de ter concentrado seus esforços no controle das ações
empresariais, gostava de acompanhar de perto até a programação
dos novos softwares. | Desde que a crise financeira
se aprofundou, os investidores ao redor do mundo venderam seus ativos para recolher-se
à segurança dos títulos dos EUA. Enquanto isso, Buffett fez
o caminho inverso: ele despejou 20 bilhões de dólares na compra
de participação em grandes companhias do país. Apesar da
crise do mercado, Buffett viu sua fortuna crescer: 8 bilhões de dólares
a mais. | Efeito
da crise financeira global | Gates perdeu cerca
de 1,5 bilhão de dólares em função do terremoto do
mercado financeiro no mês de setembro. De acordo com a Forbes,
isso levou o magnata a perder seu tíitulo de principal bilionário
americano para Warren Buffett. Só um mês antes, ele havia retomado
o topo do ranking publicado pela revista. A queda brusca no preço de suas
ações, porém, reduziu seu patrimônio. | 
O
"oráculo de Omaha" está sentado sobre uma montanha de
dólares, mas é famoso por manter hábitos extremamente simples.
Mora na mesma casa que comprou em 1958, por 31.500 dólares (ela hoje vale
700.000) e costuma comer em um restaurante barato de Omaha. Segundo algumas pessoas
próximas, não costuma usar celular e gosta de dirigir o seu próprio
carro. O principal destino de seus bilhões vem sendo a filantropia. Buffett
prometeu deixar uma parte pequena de seu patrimônio atual para os filhos. | Como
gasta seu dinheiro | 
Bill
Gates não costuma torrar seus dólares com extravagâncias no
cotidiano. Seu patrimônio, no entanto, inclui uma casa avaliada em mais
de 125 milhões de dólares. A construção, equipada
com sistemas eletrônicos de ponta, abriga uma vasta coleção
de objetos raros, incluindo uma coleção de textos de Leonardo da
Vinci (o preço: 30,8 mi de reais). A maior parte da fortuna de Gates, no
entanto, fica para a fundação criada por ele com a mulher, Melinda.
Assim como Buffett, Gates se diz disposto a não deixar tudo para os filhos. | Buffett
é o autor da maior doação filantrópica de todos os
tempos: foram 10 milhões de ações da Berkshire Hathaway entregues
à fundação Bill & Melinda Gates. Quando a doação
foi feita (2006) os papéis valiam 30 bilhões de dólares.
Ele ainda pretende doar quase 7 bilhões de dólares a uma fundação
criada com o nome de sua ex-mulher, Susan, morta em 2004. Ele próprio deu
nome a uma fundação que deverá receber a maior parte de sua
fortuna quando o megainvestidor morrer. | Atividades
filantrópicas | Seu maior projeto recente foi a Fundação
Bill & Melinda Gates, que financia escolas públicas e pesquisas para
a cura de doenças. Ele já doou 28 bilhões de dólares
à sua fundação, de longe a maior entidade filantrópica
que já existiu. Gates é o maior inspirador do "filantrocapitalismo",
que visa usar as fortunas pessoais para melhorar as vidas das pessoas desfavorecidas.
O fundador da Microsoft é claro em suas intenções: deseja
reduzir drasticamente a pobreza no mundo. | | Reunindo,
anualmente, seus acionistas e muitos seguidores em Omaha, numa reunião
em que ele dá conselhos sobre administração financeira e
explica suas estratégias de negócios. Buffett já apelidou
o encontro de "Woodstock Capitalista". Em 1987, 500 pessoas foram ouvi-lo
falar. Dez anos depois, a platéia passava de 15.000. Seus admiradores aproveitam
a visita à cidade natal do magnata para conhecer o restaurante onde ele
costuma almoçar, chamado Gorat's. | Como
transmite suas idéias | Apresentando
ao público suas visões e projetos para o futuro na Consumer Electronics
Show, a CES, famosa feira de eletrônicos de Las Vegas, nos EUA. Foi ali
que, por exemplo, Gates previu a criação da casa conectada, com
convergência das todas as formas de serviços, conteúdos e
entretenimento, como web, áudio, vídeo, dados, software de servidores
domésticos, televisão sobre protocolo da internet e videogames.
Neste ano, fez o discurso de abertura pela última vez. | 
Buffett
é amigo de longa data de Gates. Costuma convidar o fundador da Microsoft
para os longos jogos de cartas que organiza em Omaha. Buffett aceitou integrar
o conselho diretor da fundação filantrópica de Gates e trabalha
com ele na área. Em 1994, providenciou arranjos para o noivado dos Gates.
Mas Buffett detesta computadores e já avisou ao mundo que não investirá
um tostão nas empresas de tecnologia - como a Microsoft. | Relação
com o outro bilionário | 
Gates
e sua mulher, Melinda, já levaram Warren Buffett para passear na China.
Desde 2004, ele é dono de uma cadeira na diretoria da Berkshire Hathaway.
Sobre a hesitação de seu amigo em investir em empresas de tecnologia,
ele afirma: “Warren não se envolve com elas porque gosta dos investimentos
para os quais possa prever vencedores daqui a uma década, tarefa quase
impossível quando se trata de tecnologia”. | "Invista
em um negócio que até um idiota saiba tocar, porque algum
dia um idiota vai tocá-lo." "Wall
Street é o único lugar para onde se vai de Rolls-Royce
pedir conselhos a pessoas que andam de metrô." "Com
a quantidade adequada de informações privilegiadas e 1 milhão
de dólares pode-se ir à falência em um ano." "Não
acho justo alguém nascer dono de milhões de dólares apenas
pelo fato de ter saído da barriga certa.” "O
Brasil estava fora do meu radar. Mas o mundo muda e o Brasil mudou." | Frases | "O
computador terá o tamanho que você quiser. Poderá ser do tamanho
da sua carteira ou da sua parede." "Seja
legal com os nerds. São grandes as chances de você acabar trabalhando
para um deles." "Com
uma fortuna vem a responsabilidade de retribuir à sociedade da melhor forma
possível, em favor de quem necessita." "Sempre
me perguntam se a revolução tecnológica terá um fim.
A resposta é que não existem limites." "Eu
não acho que seja construtivo crescer tendo bilhões de dólares." |
| Um mexicano entre
os mais ricos |
 | O
homem com a maior fortuna da América Latina é o mexicano Carlos Slim, que têm
aparecido entre as três primeiras posições nas listas recentes das maiores fortunas
do planeta. Ele tem um império empresarial que atua em vários setores, sobretudo
no de telecomunicações - no Brasil, detém o controle da Embratel e da Claro. No
primeiro semestre de 2008, a Forbes calculava que ele tinha uma fortuna de 60
bilhões de dólares. Relembrando a sua história, Slim avalia que o caminho para
a fortuna passa por quatro etapas: encontrar a própria vocação, trabalhar no que
gosta, cultivar a paciência e perseverar. O empresário é conhecido por comprar
ações de companhias com saúde financeira debilitada por um preço competitivo.
Nos últimos anos, radicalizou o processo de internacionalização de suas empresas
e comprou companhias de telecomunicações em mais de uma dezena de países latino-americanos. |
| Versão
para impressão
| |
|
Publicidade
|
 |
|
|
|