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Quem é quem 
O candidato do Partido Democrata à Presidência
dos Estados Unidos, Barack Obama, é apontado por seus
adversários como inexperiente. Escolheu o veterano
senador Joe Biden para formar sua chapa na campanha. Já o candidato
republicano, John McCain, é um dos mais velhos a
participar de uma eleição presidencial. Optou
pela novata (e quase desconhecida) Sarah Palin para tentar atrair mais votos. O que cada
vice oferece para a chapa? E quais são os pontos
fracos de Biden e Palin?
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Joseph Robinette Biden, Jr.
Candidato a vice do democrata Barack Obama
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Senador eleito por Delaware (desde
1972) |
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65
anos (Scranton, Pensilvânia, 20/11/1942)
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Filho de um vendedor de carros e dona-de-casa |
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Formado em Política e História pela Universidade Delaware e em Direito pela Universidade
Syracuse |
| Casado
com Jill Biden, pai de três
filhos |
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Presidente da Comissão de Relações
Exteriores do Senado americano e morador de
Wilmington |
| Site
oficial: http://biden.senate.gov
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Sarah Heath Palin
Candidato a vice do republicano John McCain
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| Governadora
do Alasca (desde 2006) |
| 44
anos (Sandpoint, Idaho, 11/2/1964) |
| Filha
de um casal de professores protestantes |
| Formada em Jornalismo e Política
pela
Universidade de Idaho |
| Casada
com Todd Palin, mãe de cinco filhos |
| Integrante
da Comissão Interestadual de Petróleo e Gás
e moradora de Juneau, no Alaska |
| Site
oficial: http://gov.state.ak.us/ |
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A escolha foi anunciada em 23 de agosto. Neste mesmo dia,
em Springfield, Illinois, Biden fez sua primeira aparição
pública ao lado do candidato democrata. A preferência
pelo senador de Delaware mostrou que a campanha democrata
aposta na política externa como fator importante para o resultado da corrida. Evidencia também
o esforço de equilibrar a inexperiência de
Obama (sobretudo no campo da diplomacia) com o longo currículo
de Biden. A decisão foi guardada a sete chaves
até dois dias antes da convenção
do partido, para que Obama pudesse chegar ao encontro
fortalecido, depois de várias semanas de dura ofensiva dos republicanos. |
A
escolha |

A escolha de Sarah Palin, anunciada no dia 29 de agosto,
diante de uma platéia formada por 15.000 pessoas, no estado de Ohio, surpreendeu
a todos. A declaração veio na manhã seguinte à oficialização
de Obama como candidato, numa clara tentativa de desviar
todos os holofotes do democrata. A desconhecida governadora foi tida
por alguns analistas políticas como uma opção certeira. Outros,
no entanto, julgaram a decisão um erro, principalmente depois
da avalanche de informações inusitadas sobre a trajetória da candidata
nos dias que se seguiram ao anúncio. Diz-se que a campanha
de McCain não tomou o cuidao de investigar a fundo
a vida de Sarah. |
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Diferentemente dos outros nomes sondados para a posição,
Biden representa um estado pequeno e, portanto, de pouca expressão
na corrida presidencial americana: os votos do minúsculo Delaware
certamente não vão influenciar no desenlace da disputa nacional.
Além disso, características como ter 65 anos, ter ampla projeção política e e ser integrante de peso do Congresso há várias décadas não faz de Biden a melhor representação do slogan
de Obama, Change we can believe in (ou "mudança em
que podemos acreditar"). O problema fica ainda mais claro quando os americanos lembram de seu voto favorável
à invasão do Iraque, escolha da qual agora ele se diz arrependido.
Dois episódios no currículo de Biden, um recente e outro
mais antigo, também podem perturbar de alguma forma a campanha democrata:
as críticas públicas que fez à inexperiência de Obama
no início deste ano, quando era candidato nomeação democrata contra o atual colega de chapa, e o plágio de um discurso do político
inglês Neil Kinnock que cometeu há duas décadas, na primeira vez que se candidatou. |
Pontos
fracos |

A imprensa americana destacou vários temas controversos na biografia da vice de McCain. A revelação da
gravidez de 5 meses de Bristol (na foto), sua filha solteira
de 17 anos, provocou constrangimento. O assunto, porém, parece estar sendo contornado. Bristol vai se casar com o pai do bebê e a decisão de manter a gravidez reforçou a posição da mãe, contrária ao aborto. Também vieram à tona um processo de abuso
de poder (Palin é acusada de tentar usar sua
influência para demitir o ex-marido de sua irmã,
um policial) e a prisão de seu marido, Todd,
por dirigir bêbado, há 20 anos. Fala-se ainda na escassa vivência dela no exterior (acredita-se que só tenha saído do país quando já era governadora). Além desses pequenos episódios (que, para muitos, não devem ter peso na eleição), Sarah é desconhecida e tem pouca experiência na política, mesmo argumento usado pelos
republicanos para atacar Obama. Há apenas dois anos no
comando do segundo estado menos populoso dos EUA,
sua breve carreira limitava-se anteriormente à
prefeitura de Wasillia, município de 7.000 habitantes. |

Biden é considerado o democrata de mais vasto e rico
conhecimento em dois assuntos de grande interesse da
população americana: segurança nacional e política externa. Recentemente, ele reafirmou sua imagem de figura destacada nas relações internacionais com uma viagem à Geórgia.
Os seis mandatos de senador que acumulou desde 1972
deram-lhe visibilidade e credibilidade. O sexagenário
figuraria, portanto, como o conselheiro experiente do
jovem Obama, defensor de mudanças ambiciosas no país. Biden também pode invocar
sua origem operária para atrair a classe trabalhadora, que preferia Hillary como candidata democrata,
e sua religiosidade, para atrair católicos. Argumentador
irretorquível, orador preciso, sua popularidade entre
as mulheres mais liberais (ele foi um dos incentivadores
de uma lei contra a violência doméstica e defende abertamente
o aborto no início da gestação) e entre os habitantes
de seu estado natal, a Pensilvânia, também podem se
converter em votos para Obama.
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Pontos
fortes |

John McCain, se eleito, será o presidente mais velho
a tomar posse na história dos Estados Unidos. Sarah
Palin, portanto, com seus 44 anos e um belo rosto, pode oferecer o frescor e vigor que faltam ao veterano republicano.
Confiante e habilidosa para falar em público, pode rivalizar
com a estrela em ascensão Michele Obama (que, segundo as pesquisas, é a mais querida mulher de um candidato que os Estados Unidos já tiveram).
Também pode atrair eleitoras frustradas de Hillary Clinton
que gostariam de ver uma mulher na presidência - em
sua primeira aparição pública ao lado de John McCain,
Palin elogiou calorosamente a senadora. Suas opiniões conservadoras
devem ainda sensibilizar a direita cristã: ela é radicalmente
contra o aborto, os direitos civis para gays, o estudo
de células tronco embrionárias, o uso de métodos anticoncepcionais
e o ensino do evolucionismo de Darwin. Isso compensa a falta de identificação de McCain com os republicanos mais conservadores.
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Discurso
na convenção |
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Aos 30 anos, Biden foi eleito para seu primeiro mandato
como senador, tornando-se o quinto americano mais jovem
a ocupar o cargo. De lá para cá, nunca mais deixou a Casa,
tornando-se um de seus mais antigos integrantes. Em 1988, ainda considerado
uma promessa da política americana, foi pré-candidato
à Presidência, mas não chegou a fazer sucesso nem mesmo nas primárias do partido. Nesta
última eleição, também lançou-se candidato, mas abandonou
a disputa logo após a rodada inicial em Iowa. Desde então,
apóia Obama. No Senado, é há muito tempo um dos democratas mais destacados. Seu cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores é um dos títulos de maior prestígio do Capitólio. |
Trajetória
política |

Começou sua carreira política no conselho da cidade de
Wasilla, no Alasca, para o qual foi eleita por duas vezes
consecutivas. Em seguida, permaneceu por dois mandatos
como prefeita da mesma comunidade, uma das mais prósperas
do estado. No período, ganhou popularidade ao reduzir
impostos sobre propriedade e melhorar os serviços
públicos. Também foi presidente da Comissão de Conservação
do Petróleo e Gás Natural do Alasca, órgão que regulamenta
o uso dos recursos energéticos mais valiosos da região.
A experiência alavancou sua carreira. Em 2006, derrotou
o governador Frank Murkowski nas primárias republicanas
e o ex-governador democrata Tony Knowles nas eleições
gerais. |
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Um mês depois de assumir seu primeiro mandato no senado,
sua primeira mulher, Neilia Hunter, e sua filha Naomi,
de pouco mais de um ano, morrem em decorrência de um acidente de carro.
Na época, Biden pensou em desistir da vida pública, mas
declinou da idéia convencido por amigos. Cinco anos depois,
casou-se com a professora Jill Tracy Jacobs, com quem
teve mais uma filha. Estão juntos até hoje. Em 1988, sofreu
um aneurisma cerebral que o levou a uma cirurgia de emergência,
da qual recuperou-se de maneira surpreendente. |
Vida
pessoal |

Sarah é filha de uma casal de protestantes que se mudou
para o Alasca para dar aulas quando ela tinha apenas um
ano de idade. Durante a juventude, fez alguns trabalhos
como modelo e participou de concursos de miss para pagar
a faculdade de jornalismo. Em 1988, casou- se com Todd
Palin, com quem teve cinco filhos, entre eles Trig, o
caçula, que nasceu em abril deste ano. Com quatro meses
de gravidez, Palin soube que o garoto teria síndrome de
Down. Naquela ocasião, chegou a cogitar não ter o bebê, mas
defende com orgulho sua decisão. |
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A senadora Hillary Clinton, rival de Obama nas primárias,
foi cogitada para ocupar a vaga de candidata a vice. Numa etapa
mais avançada do processo decisório, no entanto, já não estava entre
os nomes mais bem cotados para formar a chapa. O candidato trabalhava com
cinco pretendentes: Biden: Evan Bayh, senador
de Indiana; Tim Kaine, governador da Virgínia; e Kathleen
Sebelius, governadora do Kansas. |
A
concorrência |

Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, que perdeu
a nomeação para McCain, era o nome mais comentado para
ocupar o lugar de vice na chapa republicana. Charlie
Crist, o atual governador da Flórida, também esteve no páreo,
assim como Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, Tim
Pawlenty, o atual governador de Minnesota, John Thune, senador
por Dakota do Sul, e Bobby Jindal, o governador da Lousiana. |
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Tarimbado político, com excelente trânsito
nos corredores de Washington, Joe Biden não deve ter
aspirações políticas maiores do que deixar a vida pública
com o mesmo prestígio com que a construiu nas últimas
quase quatro décadas. Como não precisa atestar sua competência,
nem ganhar visibilidade, deve aparecer apenas nos momentos
oportunos, sem desejo ou disposição de ofuscar o personagem principal da campanha democrata,
o senador Barack Obama. |
Ambição
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Para a novata Sarah Palin, chegar à Casa Branca era uma hipótese incrivelmente distante
há só alguns meses. A chance de ser vice-presidente dos Estados
Unidos é, sem dúvida, o principal desafio de sua carreira.
Se McCain for eleito e ela tiver bom papel no seu governo, estará de imediato credenciada para a candidatura à Presidência no futuro. Em jogo nesta eleição está, portanto, também sua chance de abrir um caminho para a candidatura própria. |
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