Vice-presidente da Camargo Corrêa se cala em depoimento

Advogado afirmou, contudo, que Eduardo Leite pretende 'colaborar com a verdade' em uma próxima oitiva

O vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, ficou em silêncio nesta quarta-feira em depoimento na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR). Ele é apontado pelos delatores do petrolão como representante da construtora no clube do bilhão – cartel formado por empreiteiras para fraudar licitações da Petrobras. O advogado de Leite, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, afirmou que seu cliente pretende “colaborar com a verdade” em um próximo depoimento e que, neste momento, não houve perguntas específicas.

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“Ele nega peremptoriamente ter feito pagamentos de propina. Eduardo tem a disposição de contar o que sabe para colaborar com a busca da verdade”, afirmou Mariz de Oliveira. Em conversas com o executivo, o advogado diz ter ouvido respostas negativas sobre quaisquer pagamentos de subornos. Mas o advogado disse que seu cliente poderá admitir eventualmente “algum ato ilícito”, se houver, e estender a “mão à palmatória”.

Leite cumpre prisão preventiva por suspeita de fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Em um dos diálogos interceptados na Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef diz ter recebido 9 milhões de reais em propinas, pago 20% e repassado o resto para “Leitoso”, como o executivo era chamado pelos criminosos. A polícia avalia que a Camargo Corrêa pagou propinas a empresas de fachada de Youssef, em operações trianguladas com fornecedores da construtora.