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Vereadores aprovam anistia a igreja que fechou rua em SP

Parlamentares obedecem exigência de Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial. É a condição para pastores apoiarem José Serra, candidato de Kassab

A Câmara Municipal aprovou nesta quinta-feira (29), em primeira discussão, projeto de lei que permite ao templo da Igreja Mundial em Santo Amaro, na zona sul, ocupar 137 metros da Rua Bruges. A segunda e definitiva votação, já marcada para quarta-feira, deve ocorrer em regime de urgência. A isenção é cobrada da base governista pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD).

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Construído sem alvará – e com pedido de demolição do Ministério Público em curso na Justiça -, o templo para 15.000 pessoas ocupou a via em 2011, antes de o projeto de anistia ser levado ao Legislativo. A licença de obra pedida pela igreja, em outubro de 2010, nunca foi liberada.

Em fase final, a construção engoliu parte da Rua Bruges e fez sumir um prolongamento até a Rua Benedito Fernandes. As medidas tornaram o templo irregular a ponto de sua liberação exigir aprovação de lei. Na quarta-feira, o projeto, que recebeu texto substitutivo de última hora, teve apoio de 31 dos 55 parlamentares. O único que votou contra foi Aurélio Miguel (PR). Placar parecido deve se repetir na próxima semana.

Vereadores dizem que a aprovação foi exigida por Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial, e pelo deputado federal José Olímpio (PP) como condição para pastores apoiarem José Serra (PSDB), o candidato de Kassab à prefeitura. Ambos estiveram na Igreja Mundial no início do mês, quando Serra recebeu bênção. Olímpio chegou a acionar a bancada do PSD em Brasília para que a proposta ganhasse caráter emergencial. A pressão foi confirmada pelo líder do governo na Casa, Roberto Trípoli (PV).

A bancada do PSDB, liderada pelo vereador Floriano Pesaro, foi a primeira a dar voto favorável. Nem a bancada de onze vereadores do PT assumiu oposição. Apesar de o candidato do partido à prefeitura, Fernando Haddad, criticar concessão de alvarás a templos religiosos pela atual gestão, o grupo não votou contra, apenas deixou o plenário.

(Com Agência Estado)