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Substituta de Janot, Raquel Dodge será sabatinada no Senado

Dos 27 integrantes da comissão, oito são investigados na Operação Lava Jato; para Antonio Anastasia, 'será uma sabatina estritamente institucional'

Opositora ao atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a subprocuradora Raquel Dodge será sabatinada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para a vaga. Em conversas com parlamentares, Raquel defendeu a Operação Lava Jato e disse que vai fortalecer as investigações, mas evitar “exposições desnecessárias”.

O vazamento de investigações, como o conteúdo de delações premiadas, é uma das principais críticas da classe política a Rodrigo Janot. Para os investigados, o compartilhamento indevido dessas informações, que atribuem a PGR, provoca exposições indevidas.

Ao menos oito dos 27 senadores titulares da CCJ, responsáveis pela análise do seu nome, são investigados na Lava Jato. Entre os suplentes, são treze dos 25 os que respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), área de atuação penal da procuradora caso seja confirmada no cargo.

Nos últimos dias, Raquel Dodge percorreu gabinetes de senadores para se apresentar e defender que está preparada para comandar o Ministério Público Federal (MPF). Também indicado pelo presidente Michel Temer (PMDB), o ministro do STF Alexandre de Moraes adotou procedimento semelhante em fevereiro, quando buscava a aprovação para assumir a cadeira que foi de Teori Zavascki.

Outro ponto no discurso de Raquel que agradou ao Senado foi ter feito questão de repetir que “só falará nos autos”, um contraponto ao que os políticos consideram o “estilo midiático de Janot”. Ela fez um último corpo a corpo nesta terça e se encontrou pela manhã com a bancada do PSD e o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Na semana passada, confirmou as visitas e disse que era uma demonstração de “respeito à instituição”.

A intenção da provável futura procuradora-geral era encontrar os 81 senadores, o que não possível. A assessoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, informou que o encontro previsto não ocorreu.

Raquel terá 30 minutos para fazer uma apresentação na CCJ. Em seguida, cada senador terá dez minutos para fazer perguntas e ela terá o mesmo tempo para responder. Há ainda a possibilidade de réplica e tréplica. A expectativa é de que a sessão dure o dia todo.

Questionado se espera algum tipo de constrangimento pelo fato de os parlamentares sabatinarem quem vai investigá-los, Antonio Anastasia (PSDB-MG), vice-presidente da CCJ e alvo de inquérito na Lava Jato, negou. “Será uma sabatina estritamente institucional”, disse.

‘Preparada’

Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti disse que Raquel está preparada para responder “a qualquer tipo de pergunta”. “É uma pessoa preparadíssima. Ela tem história, estudou. Sua característica é de estar sempre tranquila e serena, mesmo diante de qualquer tipo de pressão”. Robalinho pretende acompanhar a sabatina in loco.

Raquel foi a segunda colocada na lista tríplice da ANPR. Para o presidente da associação, porém, isso não deslegitima a escolha do presidente Michel Temer. “Qualquer um dos três da lista estaria apto”, afirmou.

Caso seja aprovada na CCJ, a intenção do presidente do Senado é levar a indicação ainda hoje para o plenário. A condição, porém, é de que haja quórum mínimo de 41 senadores para que a votação ocorra. Tanto na CCJ quanto no plenário a indicação precisa de maioria simples dos presentes para ser aprovada.

(Com Estadão Conteúdo)