STF: Cármen Lúcia diz que há ‘enorme preconceito contra a mulher’

A presidente do STF rebateu falas do ministro Gilmar Mendes durante discussão sobre descanso para mulheres antes da realização de horas extras no trabalho

Em sua primeira sessão como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), quarta-feira, a ministra Cármen Lúcia afirmou que a sociedade é “extremamente preconceituosa” com o sexo feminino. “Há sim enorme preconceito contra nós mulheres em todas as profissões. Eu convivo com mulheres o tempo todo que são discriminadas”, disse a ministra, durante discussão sobre o dever de garantir descanso de quinze minutos para as funcionárias antes de realização de horas extras.

As observações foram feitas após o ministro Gilmar Mendes indicar que pediria vista do caso e fazer observações sobre o tema. Para o ministro, a proteção à mulher pode gerar mais discriminação. Ele afirmou que hoje mulheres “participam de todas as atividades”. “Nós encontramos hoje, por exemplo, mulheres comandantes de avião, mulheres que dirigem caminhões, tratores, táxis, policiais”, disse Mendes.

Cármen insinuou que a fala de Gilmar Mendes era discriminatória. “Há tanta discriminação contra a mulher, ao contrário do que aqui foi dito, ‘temos mulheres conduzindo Boeings, mulheres isso e aquilo’. A simples referência disso já demonstra discriminação, porque ninguém fala que tinha um homem sentado aqui desde 1828, desde o Supremo Tribunal de Justiça e que isso era novidade”, afirmou a presidente da Corte.

Segundo ela, o fato de continuar a existir discriminação exige ações positivas, como as determinações trabalhistas diferentes para mulheres.

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A presidente do Supremo disse que irá esperar a retomada de julgamento, que foi adiado pelo pedido de vista de Mendes, e afirmou que não estava adiantando seu voto. Gilmar mencionou “autoras femininas não feministas” que consideram as proteções trabalhistas como discriminatórias e a ministra rebateu, dizendo que não precisa de “dados da literatura”. “Eu estou falando de cátedra”, disse Cármen.

“Eu só queria fazer uma observação, ministro. Vou esperar a vista de vossa excelência. Agora, eu acho que não preciso muito dos dados de literatura. Preciso só da experiência de minha vida e da vida de todas as mulheres com quem eu convivo para saber que, neste caso, discriminatório é a gente desconsiderar que temos diferenças na sociedade e numa cultura em que, sim, é preciso que haja esse tipo de providência ainda”, afirmou Cármen.

“Temos uma sociedade extremamente preconceituosa em vários temas, racista em vários temas e no caso da mulher, muito preconceituosa (…) É o fato de continuar a ter discriminação contra a mulher que nos faz precisar ainda de determinadas ações positivas. Se fosse igual, ninguém estava falando”, disse a presidente do STF. Ao fim das declarações da ministra, Gilmar Mendes reconheceu que “há todo um mundo de preconceitos”.

A sessão desta quarta-feira começou antes das 14h10. Sob a presidência de Ricardo Lewandowski, os ministros costumavam chegar atrasados e iniciar a sessão após 14h30. Ao fim dos debates do dia, Cármen sugeriu mudanças no hábito da Corte e falou sobre o início pontual das sessões.

Ela também estabeleceu a volta do intervalo de trinta minutos às 16h, com continuidade dos julgamentos às 16h30 até 18h. Nos últimos dois anos, os ministros optaram por suprimir os intervalos e encerrar as sessões por volta das 17h.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. ” Para o ministro, a proteção à mulher pode gerar mais discriminação.” CONCORDO. Se a mulher quer atingir o mesmo nivel, ela nao pode exigir tratamento diferenciado. Ou voce e um (a) profissional forte e tratada (o) como tal ou voce e o “sexo fragil” para ser tratada como uma bonequinha de louca (loussa). Senhora ministra, leia a cartilha do feminismo e siga-a ao pe da letra. Nao podemos ficar ter “nosso bolo e come-lo ao mesmo tempo.”

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  2. Nemias Alves

    Quer dizer então que a ministra só enxergou isso só depois que assumiu a presidencia do STF? Então ela não via que a ex-presidente Dilma sempre foi vítima dessa discriminação e que isto contou também para tirá-la da presidencia da república.

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  3. Outrossim, senhora Ministra, a lei e para beneficiar a todos. Os 15 minutos de descanco teria entao que ser para todos, porque IGUALDADE = IGUALDADE.

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  4. gosta mesmo do quê? PROCESSO ! pare de mimimi e vá trabalhar

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  5. Marcio Soares Lacerda

    Se somos iguais, por que o tratamento diferenciado? Que sociedade é essa que discrimina todo o mundo? Se peneirarmos, sobra quem após subtrairmos as mulheres, os mulatos, os negros, os homossexuais, os pobres, os indios e não sei mais quem… Os branquinhos de olhos azuis? Quantos deles temos no Brasil? Tivemos um ministro negro que reclamou que os embates e críticas no STF eram motivados por preconceito, uma presidente da república e agora uma presidente do STF dizem que há por serem mulheres. E querem ações positivas para corrigir ou seja tratamento diferenciado. Como essa sociedade tão preconceituosa os deixou chegarem lá? Acho que estamos é bem ruim de lideranças…

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  6. Denny Doherty

    Grossa bobagem.

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  7. Denny Doherty

    Filha de Betty Friedan, viúva de John Lennon! A posição mesma a que foi elevada é prova
    materialíssima de que o que foi proferido não passa de estultícia. Começamos mal, Dra Carminha, muito mal…

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  8. Rodolfo Papp

    Vai começar a choramingar…presidente do STF? e fala em preconceito? fui eu que convidei como “”convidados de honra”” os maiores bandidos do ocidente para a uma posse que deveria ser ordinária e sem comemorações…simples passagem de cargo? fui eu que convidei um cantorzinho que se tornou medíocre e que não reconhece a instituição que agora presides ??? PURA VERGONHA TER O LULADRÃO COM SEU AGRADECIMENTO PÚBLICO PELA NOMEAÇÃO… ESCRACHOU TODA UMA POPULAÇÃO QUE PEDE RIGOR CONTRA OS CORRUPTOS… RENUNCIE e não é por ser mulher e sim por mal procedimento ….

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  9. A Ministra começa mal. Faz abalança da JUSTITIA pender… Ela, de fato, tem o pensamento esquerdista, e isto não é novidade. Mas como magistrada de uma Corte com o poder que o STF tem na ordem atual, deveria ser mais “bateauniere” e menos militante. É o que penso.

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