Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Sem pronunciamento oficial, Dilma critica ampliação da terceirização em vídeo

Mensagem publicada nas redes sociais é alternativa do Planalto após os panelaços de repúdio ao governo durante a fala da presidente no Dia da Mulher

Após cancelar o tradicional pronunciamento da Presidência da República na TV no Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff divulgou nesta sexta-feira três vídeos gravados em seu gabinete no Palácio do Planalto com defesa de reajustes no salário mínimo. Os vídeos publicados nas redes sociais foram a alternativa encontrada pelo Planalto após os panelaços em repúdio ao governo que marcaram o pronunciamento da presidente no Dia da Mulher, em 8 de março.

Aécio: ‘Brasil tem hoje uma não-presidente’

Renan sobe o tom: Dilma não falar no 1º de Maio é ‘ridículo’

Em sua primeira mensagem, a presidente exalta o ganho real de renda, que segundo ela beneficiou cerca de 45 milhões de assalariados e aposentados. “O salário mínimo cresceu 14,8% acima da inflação em seu primeiro mandato”, diz Dilma.

A presidente também cita a Medida Provisória (MP) que enviou ao Congresso Nacional em março para manter a atual fórmula de reajuste do salário mínimo até 2019 e a correção da tabela do Imposto de Renda. A MP, porém, não incluiu benefícios na correção do salário dos aposentados e pensionistas, o que o governo considerou inconstitucional e oneroso para a Previdência. A lei que estabelece o mecanismo de cálculo para o reajuste do salário mínimo venceria neste ano e leve em conta a correção da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, mais a variação do PIB de dois anos anteriores. “Tudo isso vem garantindo um Brasil mais justo”, diz a presidente no vídeo. Outras gravações devem ser publicadas nos perfis oficias da presidente no Twitter e no Facebook ao longo do dia.

No segundo vídeo, divulgado por volta do meio-dia, a presidente comentou a lei que regulamenta a terceirização de mão-de-obra. Como havia feito nesta quinta-feira em encontro com sindicalistas, defendeu a regulamentação, mas afirmou que é preciso diferenciar as atividades-fim das atividades-meio – o que o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados em abril não faz.

“É preciso assegurar ao trabalhador a garantia dos direitos conquistados nas negociações salariais. É preciso proteger a Previdência Social da perda de recursos e, assim, garantir a sua sustentabilidade”, disse ela. Dilma encerrou o vídeo de um minuto com uma afirmação extraída da campanha eleitoral e já desmentida pela prática do segundo mandato: “O meu governo tem o compromisso de proteger os direitos e as garantias dos trabalhadores”.

No terceiro vídeo, embora tenha optado pelas redes sociais para se pronunciar justamente temendo a reação dos brasileiros, a presidente afirmou: “Temos de nos acostumar às vozes das ruas, aos pleitos dos trabalhadores”. Na sequência, aproveitou para criticar, ainda que indiretamente, o governo do tucano Beto Richa no Paraná. Em referência velada ao confronto entre PM e professores grevistas na quarta-feira, Dilma pediu respeito ao direito de manifestação e de opinião. Temos de reconhecer como legitimas as reivindicações de todos os segmentos socais de nossa população. Temos de nos acostuma a fazer isso sem violência e sem repressão.”

Nesta semana, professores insatisfeitos com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), entraram em confronto com a Polícia Militar em Curitiba. Houve centenas de feridos nas imediações da Assembleia Legislativa. Na semana anterior, sindicalistas da rede estadual de ensino de São Paulo e manifestantes depredaram a sede da Secretaria de Educação, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), e atacaram jornalistas que cobriam marchas na capital paulista.

Dilma ambém anunciou a criação de um fórum que reunirá as centrais sindicais de trabalhadores, os sindicatos de aposentados, as entidades patronais e o governo. É uma espécie de formalização da mesa tríplice, que já era adotada no governo para discutir temas como tempo de contribuição e o fim do fator previdenciário – este último cobrado da presidente pelas centrais sindicais na campanha eleitoral.