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Saiba quais são as empreiteiras na mira da PF

Empresas têm contratos de 59 bilhões de reais com a Petrobras. Executivos das companhias foram presos durante a sétima fase da Operação Lava Jato

Além do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, a sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, resultou nas prisões de executivos de oito empreiteiras – que têm contratos de 59 bilhões de reais com a estatal. Boa parte desses contratos é investigada pela PF e pelo Ministério Público Federal por suspeita de superfaturamento, formação de cartel e fraude. Provas colhidas em etapas anteriores da operação indicam que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e Duque atuavam para favorecer as empresas investigadas e operar esquemas de desvios de verbas da petrolífera. Os policiais fizeram ao longo desta manhã buscas nas sedes das maiores empreiteiras do país, com o objetivo de apreender documentos e computadores. Em diversos endereços, contudo, já havia advogados à espera dos agentes. Como antecipou a coluna Radar, a operação vazou na quinta-feira para as empresas. O fato de vários executivos estarem foragidos reforça a informação. A seguir, saiba quais são as empreiteiras na mira da PF – e do que são suspeitas.

Odebrecht

O grupo presidido por Marcelo Odebrecht é um dos principais alvos desta etapa da operação. O delator do petrolão diz ter recebido 23 milhões de dólares na Suíça, repassados pela Odebrecht, como pagamento de propina. Uma das sedes do conglomerado foi alvo dos policiais no Rio de Janeiro.

Camargo Corrêa

Foi o primeiro conglomerado atingido pela Operação Lava Jato. A polícia rastreou pagamentos da empreiteira para a Sanko Sider, que depois enviou recursos para uma das empresas de fachada do doleiro. De acordo com as investigações, o repasse de dinheiro era, na verdade, pagamento de propina por obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Foram expedidos mandados de prisão contra os executivos Dalton dos Santos Avancini, João Ricardo Auler e Eduardo Hermelino Leite.

Iesa

Otto Garrido Sparenberg, diretor da Iesa, foi um dos presos da Polícia Federal nesta etapa da operação. A companhia fez pagamentos à firma de consultoria do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Papéis com anotações, localizados na casa de Costa, registram o compromisso da empresa em fazer doações para um político. Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, o ex-diretor disse que a companhia era uma das empresas comprometidas em fazer doações para a campanha do senador Lindbergh Farias (PT) ao Governo do Rio de Janeiro. Lindbergh já negou que tenha se beneficiado de qualquer compromisso assumido pelo ex-diretor. Também foi expedido mandado de prisão contra Valdir Lima Carreiro.

Galvão Engenharia

A companhia fez depósitos às empresas de fachadas controladas por Youssef. De acordo com as investigações, os pagamentos eram, na verdade, repasses de propina para o doleiro. Erton Fonseca, diretor da Galvão Engenharia, foi um dos presos nesta sexta.

Mendes Júnior

O vice-presidente do grupo, Sérgio Mendes Júnior, foi um dos presos na operação. A empreiteira fechou contratos fictícios com empresas de fachada do doleiro Youssef. Eram, de acordo com as investigações, pagamento de propinas pela obtenção de contratos com a estatal.

Engevix

O grupo fechou contratos fictícios com empresas de fachada do doleiro Youssef. Eram, de acordo com as investigações, pagamento de propinas pela obtenção de contratos com a estatal. Foi expedida ordem de prisão contra o executivo Gerson de Mello Almada.

Queiroz Galvão

Othon Zanoide Morais, diretor da Queiroz Galvão, foi um dos presos nesta etapa da operação. Executivos da empresa mantinham contato constante com o doleiro Alberto Youssef. Ildefonso Colares Filho, ex-diretor-presidente da empresa, também foi preso.

UTC

O presidente e sócio da UTC, Ricardo Pessoa, foi um dos presos nesta sexta-feira. Ele mantinha contatos constantes com o doleiro Alberto Youssef. Pessoa recorria a Youssef para pedir favores diversos. Da empreiteira, há mandados também contra Ednaldo Alves da Silva e Walmir Pinheiro Santana.

OAS

Cinco executivos são alvos de mandados de prisão: Mateus Coutinho de Sá Oliveira, Alexandre Portela Barbosa, José Ricardo Breghirolli, Agenor Franklin Martins e José Adelmário Pinheiro Filho. A empresa fez diversos pagamentos a empresas de fachadas do doleiro, destinados a repasses de propina, de acordo com a polícia.