Renan tinha representante para negociar propina, reafirma delator

Ex-diretor Paulo Roberto Costa confirma à Justiça que presidente do Senado atuava por meio do deputado federal peemedebista Aníbal Gomes

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa confirmou nesta segunda-feira em interrogatório na Justiça Federal do Paraná que o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tinha o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) como seu “representante” para negociar o pagamento de propina do escândalo do petrolão. O nome de Calheiros já havia sido citado pelo próprio Costa, um dos principais delatores da Operação Lava Jato. Renan é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas dos crimes de corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. “Ele [Renan] tinha um representante lá [na Petrobras], o deputado Aníbal Gomes, que em algumas vezes negociou comigo isso [propina]. Renan não participava de reunião com empreiteiros, mas Aníbal sim”, disse o delator.

Em um dos casos que motivou a abertura de inquérito contra o presidente do Senado, Paulo Roberto Costa havia informado às autoridades que Renan recebia dinheiro de empreiteiras contratadas pela Petrobras, realizava as negociatas em sua própria casa e recolhia propina da Transpetro, subsidiária da Petrobras então controlada por Sergio Machado, seu aliado. Em depoimento nesta segunda ao juiz Sergio Moro, o ex-diretor da Petrobras disse ter sido apadrinhado na Petrobras pelo PP e pelo PMDB e afirmou ter se reunido na casa do senador Romero Jucá (PMDB-RR), na casa Calheiros e também com o deputado Aníbal Gomes para discutir propina. Os três parlamentares são investigados por suspeitas de envolvimento com o petrolão.

As diversas referências a Renan nos autos da Lava Jato demonstram, segundo o Ministério Público, que o peemedebista atuava no esquema de corrupção e fraudes em contratos na Petrobras. A força-tarefa de procuradores questiona as doações eleitorais recebidas pelo senador, apontando que várias empresas estavam envolvidas no esquema de corrupção de parlamentares e que elas utilizavam o sistema de doações eleitorais para camuflar o real objetivo das movimentações de dinheiro: o pagamento de propinas.

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Odebrecht – Às vésperas de vencer o prazo para a conclusão dos inquéritos da 14ª fase da Operação Lava Jato, que levou para atrás das grades os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, o ex-diretor Paulo Roberto Costa afirmou que as duas empreiteiras faziam parte do cartel de construtoras que fraudava contratos com a Petrobras e disse que a Odebrecht era a principal pagadora de propina para ele no exterior. A contabilidade do dinheiro sujo, disse, era de responsabilidade do operador Bernardo Freiburghaus.

Segundo o ex-dirigente, dois executivos da companhia, Rogério Araújo e Márcio Faria, foram responsáveis por explicar ao próprio Costa a existência do cartel e o mecanismo de pagamento de propina na estatal. O delator ainda disse que tinha “mais liberdade para conversar” sobre o esquema criminoso com três executivos: Ricardo Pessoa, dono da UTC e que também fechou um acordo de delação premiada, além de Rogério Araújo e Márcio Faria. Para ele, o esquema de pagamento de propina a partidos políticos era do interesse das próprias empresas, que reproduziriam o propinoduto também em outras áreas, como obras em aeroportos e no setor elétrico. “Esses partidos tinham ministérios. O que aconteceu na Petrobras acontecia em outras áreas, no setor elétrico, portos, aeroportos. As empresas não queriam ter atrito para evitar problemas em áreas também fora da Petrobras”, resumiu.