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PT e PSDB cortejam Kassab no aniversário de São Paulo

Prefeito de São Paulo enfrentou nesta quarta-feira o maior protesto contra sua gestão, mas, em compensação, nunca foi tão afagado pelos colegas políticos

“Gilberto Kassab é essa figura capaz de agregar, de criar vínculos fraternos e republicanos com pessoas das mais diferenciadas”

Dilma Rousseff, presidente da República

De um lado ovadas; de outro, louros. O prefeito Gilberto Kassab teve nesta quarta-feira um dia de altos e baixos. Depois de assistir à missa em comemoração ao aniversário de 458 anos de São Paulo, a comitiva do prefeito foi cercada por cerca de 500 manifestantes em frente à Catedral da Sé. Em meio a xingamentos, eles jogaram ovos em um carro oficial da prefeitura e tentaram impedir a saída do fundador do PSD do local. Uma hora depois, Kassab estava acomodado em um palco montado no hall do suntuoso Edifício Matarazzo, sede da prefeitura, para condecorar autoridades com a Medalha 25 de Janeiro. Receberam a honraria a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador paulista, Geraldo Alckmin. Mas ninguém foi mais homenageado no evento do que o anfitrião, Gilberto Kassab. De petistas a tucanos, todos cortejaram um conciliador Kassab. E a gentileza é compreensível: o prefeito lidera o recém-criado PSD, partido com vastos quadros e mais vastos ainda interesses políticos. Desde o nascimento da legenda, Kassab vem flertando com o PT e deixando em polvorosa os tucanos, que sempre contaram com ele como um aliado. Assim, se fora das paredes palacianas Kassab enfrentou a maior manifestação contrária desde que assumiu o cargo, em 2006, dentro delas presenciou, satisfeito, a maior bajulação já vista em torno de si. “Gilberto Kassab é essa figura capaz de agregar, de criar vínculos fraternos e republicanos com pessoas das mais diferenciadas”, definiu a presidente Dilma. Líder supremo do PSDB, FHC ajudou: “Kassab tem a virtude de não esquecer os amigos. Mesmo quando eles estão velhinhos e quase no ocaso.” Mentor e padrinho de Kassab, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), assistiu a tudo da primeira fila da plateia. E foi lembrado por Geraldo Alckmin, com quem trava uma briga silenciosa por poder dentro do PSDB de São Paulo. “Uma marca de São Paulo é esse DNA nacional, presidente Dilma. Serra sempre lembra que São Paulo é a terra onde japonês fala português com sotaque italiano”, disse Alckmin. O governador reverenciou ainda FHC e Dilma, usando o mesmo tom para os dois presidentes. “Recebo essa medalha junto com presidente FHC, o protagonista que ajudou a mudar a história do nosso país”, disse. “E também junto com Dilma Rousseff, a primeira mulher a ser eleita presidente, que exerce seu mandato com espírito público e correção.” Era tanto republicanismo que Dilma disparou uma farpa sem destinatário certo. “Eu queria iniciar minha fala saudando o presidente FHC. Espero que esse reconhecimento, que eu acho importante que nós tenhamos o hábito de fazer para os ex-presidentes da República, seja uma prática do Brasil democrático.” Cabe lembrar à presidente que o mais ferino opositor de ex-presidentes que o Brasil conheceu foi seu aliado de primeira hora e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva. Esperança – Mineira de nascimento e gaúcha de criação, Dilma recorreu à música para falar sobre a importância de São Paulo em sua vida. Citou o verso de Sampa, de Caetano Veloso, que diz: “Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João.” O que acontece no coração de Dilma na esquina mais famosa da cidade é uma “sensação de esperança”. Ela fez referência aos migrantes que chegam a cidade para construir suas vidas e os comparou ao Brasil, que está “predestinado” a crescer. Esperanças alimentam também petistas e tucanos. De arregimentar para si o apoio de Gilberto Kassab nas eleições municipais de outubro. Mas o prefeito continua no melhor estilo “nem de direita, nem de esquerda”. “Não excluímos o PT do nosso arco de alianças porque também não excluímos o PSDB.” Simples assim.