PT e PMDB turbinam crescimento da Delta

Empreiteira declarou à Receita R$ 3,1 bilhões em repasses públicos em 2009 e 2010, dos quais R$ 2,65 bilhões vieram de órgãos comandados pelos partidos

Suspeita de se beneficiar de uma rede de influência política para abocanhar obras e serviços nas três esferas de governo, a Delta Construções cresceu turbinada por contratos firmados principalmente com administrações do PT e do PMDB país afora.

A empreiteira, segundo documentos em poder da CPI do Cachoeira, declarou à Receita Federal 3,1 bilhões de reais em repasses públicos em 2009 e 2010, dos quais 2,65 bilhões de reais ou 85% vieram de órgãos comandados pelos dois partidos – que se articulam na CPI do Cachoeira para blindar a construtora.

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O cálculo foi feito pela reportagem, com base em informações lançadas pela Delta em seu Imposto de Renda e remetidas à comissão. Mais de 60 clientes públicos, entre órgãos federais, estados e prefeituras de 15 unidades da federação, contrataram a Delta nos dois anos.

O governo federal e outras instâncias comandadas pelo PT enviaram nada menos que 2 bilhões de reais à empreiteira, segundo as declarações. O grosso saiu de contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (1,3 bilhão de reais) e o Ministério da Saúde (124 milhões de reais) – a principal obra contratada pela pasta, para a construção do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), contém sobrepreço de 26 milhões de reais, segundo a Controladoria-Geral da União.

Na esfera federal, também despontam como clientes de peso a Eletrobrás (47,4 milhões de reais), os batalhões de Engenharia do Exército (38,6 milhões de reais) e o Ministério da Integração Nacional (32,8 milhões de reais).

Outros governos petistas carrearam mais 337 milhões de reais à empreiteira, a exemplo do estado do Pará (138 milhões de reais), à época sob o comando da então governadora Ana Júlia; e da Prefeitura de Goiânia, administrada por Paulo Garcia.

Pela caneta dos peemedebistas, a Delta recebeu mais 659 milhões de reais em 2009 e 2010, principalmente por meio de prefeituras e do estado do Rio de Janeiro, cujo governador, Sérgio Cabral (PMDB), é amigo do acionista majoritário da empresa, Fernando Cavendish. A empreiteira informou 538 milhões de reais em valores provenientes de seis órgãos do governo Cabral. A capital fluminense, sob o comando de Eduardo Paes (PMDB), e outros quatro municípios administrados pela legenda enviaram mais 60,1 milhões de reais.

Fora PT e PMDB, governos de mais 10 partidos firmaram contratos com a Delta nos dois anos, no valor de 450 milhões de reais. Em terceiro lugar, aparecem os governos do PSB como os que mais destinaram verbas à Delta: 136 milhões de reais ao todo, a maior parte (73 milhões de reais) por meio de contratos com o estado de Pernambuco, berço da empreiteira.

Em seguida, vêm as administrações do PSDB, por meio do Governo de São Paulo e da Prefeitura de Duque de Caxias, no Rio, (129 milhões de reais); e do DEM, responsáveis, até 2010, pela Prefeitura de São Paulo e o Governo do Distrito Federal.

(Com Agência Estado)