PSDB não chega a consenso sobre o governo após reunião

Presidente interino do partido, Tasso Jereissati diz que a sigla está 'desembarcando' independentemente de sua vontade; encontro durou quatro horas em SP

Lideranças do PSDB reuniram-se na noite desta segunda-feira, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para discutir os rumos do partido diante da atual conjuntura política. O senador e presidente em exercício do partido, Tasso Jereissati (CE), disse que não existe um consenso dentro do partido sobre a permanência no governo do presidente Michel Temer (PMDB).

“O que eu estou observando é que o partido [PSDB] por si mesmo está desembarcando [do governo Temer], independentemente do controle ou da minha vontade”, disse Jereissati.

Questionado se este fato poderia enfraquecer a posição do PSDB em relação à reforma trabalhista, que será votada nesta terça-feira, Jereissati negou. “A reforma trabalhista nós vamos votar integralmente amanhã [hoje]. Está resolvida e encerrada essa questão”. Sobre a reforma da Previdência, ele não foi otimista. “No meio dessa crise, eu acho muito difícil votar uma reforma da Previdência no segundo semestre”.

O presidente em exercício do PSDB disse que, na reunião, os governadores do partido foram informados do que está acontecendo em Brasília, principalmente sobre a bancada federal, e qual é o desenvolvimento que vai se dar nos próximos dias “para que eles fiquem acompanhando de perto e não haja surpresas”.

Jereissati disse que é o momento de o partido fazer uma “grande reflexão sobre seu futuro”. “O partido tem que se revisitar, como foi usado o termo, fazer uma reflexão sobre os seus erros, os erros que cometeu, onde não está mais conectado como nós queríamos com a população. [Queremos] fazer uma convenção, ou quem sabe, o mais cedo possível, eleger uma nova executiva, talvez em agosto ainda, e discutirmos um novo programa”.

Questionado sobre a saída de Aécio Neves do partido, ele disse que, nesta convenção a ser realizada, não haverá apenas a eleição de uma nova executiva, mas “vai haver também uma ampla discussão sobre o futuro do partido”.

Votação na CCJ

O presidente interino do partido disse que o PSDB está acompanhando as notícias e a votação, na da Câmara dos Deputados, da denúncia do procurador da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. “Estamos acompanhando, hoje nós tivemos a notícia da CCJ, e notícias desencontradas, que parece que vai ser votado na quinta-feira, e nós vamos acompanhar de perto essa votação”.

Na segunda, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),  defendeu a aceitação pela Câmara da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Líder da bancada do PSDB na Câmara, o deputado Ricardo Tripoli, disse que a bancada já definiu na CCJ, por maioria, votar pela admissibilidade da denúncia. “Foi uma solução da bancada, deve se votar 5 a 2. Eu disse que eles votariam de acordo com a consciência de cada um”, disse.

Tripoli disse que há maioria também para votação no plenário. “Na questão do plenário, nós vamos convidar a bancada, provavelmente amanhã ou depois em uma reunião, para definirmos a postura da bancada [em relação à admissibilidade]. Há hoje uma maioria no sentido da admissibilidade. Eu não sei quantificar ainda, porque nós não tivemos a reunião”, disse Trípoli.

Perguntado se isso não indica já uma ruptura com o governo Temer, o deputado respondeu que esta é ainda uma questão processual na CCJ e não é uma questão de mérito. “Mérito é em plenário. Depois disso ainda vai para o Supremo [Tribunal Federal]. Ou seja, nós temos aí um caminho a percorrer pela frente”.

A reunião começou por volta das 19h30 dessa segunda-feira na ala residencial do palácio e terminou por volta das 23h30. A assessoria de imprensa do governador Geraldo Alckmin não confirmou o teor do que foi discutido no encontro.

Estavam presentes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito de São Paulo, João Doria, o senador José Serra (SP), o governador de Goiás, Marconi Perillo, o governador do Paraná, Beto Richa; o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, o senador e presidente em exercício do partido, Tasso Jereissati, o senador Aécio Neves (MG), o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, o senador Cassio Cunha Lima (PB), senador Paulo Bauer (SC), deputado federal Ricardo Tripoli (SP), o deputado federal e secretário-geral do partido, Silvio Torres (SP), o senador José Aníbal (SP) e o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, Samuel Moreira.

(Com Agência Brasil)

Comentários

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  1. Está na hora de colocar cacos de vidro ou um fio elétrico nesse muro obrigando o PSDB a descer. Está na hora também de eliminar o aécio, o santo do pó oco.

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  2. Ataíde Jorge de Oliveira

    PaRTiDa$$@

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  3. nelson arantes

    O fisiologismo fala mais alto. Partido que mantém Aécio em campo, e fica nessa de “me engana que eu gosto”, só pode colher tempestade. Ano que vem vão estar todos chorando, se perguntando por que tiveram um baita tombo na eleição. Estão perdendo o bonde da história, por conta de cargos e tetas na mamata do governo. Aguardem 2018, Srs. fisiologistas…

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  4. Nelson Carvalho

    Que partido vagabundo esse !
    Aprendeu rápido com o PMDB, PTB, PDT, PT, etc.
    Por isso esse atraso no Brasil.

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  5. Alessandro Borges

    A reunião de ontem tinha Serra e Aécio, imagina o nível da conversa, esse PSDB se chegar no poder acaba com q ainda resta desse sofrível país.

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  6. Mariano Miranda

    É assim ó. Será que eu pulo? Será que eu não pulo? Afinal, será que o barco afunda? Essa cambada do PSDB e do PMDB conseguiram a mágica de se igualarem ao PT no quesito bandidagem, trairagem e vagabundagem.

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  7. Otavio Santos

    O verdadeiro significado da expressão “não chegar a consenso” é continuar em cima do muro e não largar o osso…….

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