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Por quebra de decoro, vereadores cassam prefeito de Sorocaba

Segundo a Câmara, José Caldini Crespo (DEM) cometeu prevaricação e quebra de decoro. A, vice Jaqueline Coutinho (PTB), já foi empossada como prefeita.

Alegando quebra de decoro e irregularidade na contratação de uma assessora, a Câmara de Vereadores de Sorocaba, no interior de São Paulo, cassou o mandato do prefeito José Caldini Crespo (DEM), no final da noite desta quinta-feira. Logo após a leitura do termo de cassação, os vereadores deram posse à vice, Jaqueline Coutinho (PTB), no cargo de prefeita.

Ela foi pivô do processo de cassação, por ser a autora das denúncias contra o prefeito. Crespo alegou que a decisão foi arbitrária e acrescentou que entra nesta sexta-feira na Justiça com recursos contra a medida.

A cassação foi decidida por dezesseis votos a quatro — mais de dois terços dos vinte vereadores — em uma sessão que durou dez horas. Uma manobra da oposição impediu que o vereador Anselmo Neto (PSDB) desse um voto favorável a Crespo, o que o manteria no cargo. O presidente da Câmara, Rodrigo Manga (PMDB), entendeu que o vereador não poderia votar porque havia sido secretário de Crespo. Na votação, ele foi substituído pelo suplente João Paulo Miranda (PSDB), que definiu a cassação.

O prefeito alegou cerceamento da defesa, pois seu advogado foi impedido de se manifestar na sessão. “O espetáculo de ilegalidades praticadas pelos vereadores da oposição envergonha o meio jurídico e só pode ser rotulado como vergonha”, afirmou Crespo, em nota. Na manhã desta sexta, todos secretários e ocupantes de cargos de confiança assinaram pedido coletivo de demissão.

Jaqueline Coutinho (PTB)

Jaqueline Coutinho (PTB), a nova prefeita de Sorocaba (Prefeitura de Sorocaba/Divulgação)

‘Bate-boca’

A crise entre o prefeito e a vice começou na noite de 23 de junho, quando Jaqueline pediu a Crespo para tomar providências do contra uma assessora dele, suspeita de ter cursado o ensino superior sem a conclusão do ensino médio. Os dois tiveram uma discussão acirrada no gabinete. Jaqueline, ex-delegada da Polícia Civil, alegou que foi humilhada e agredida verbalmente.

Segundo ela, o prefeito avançou contra um assessor que também expôs o caso da assessora. Crespo alegou que tinha sido um “bate-boca” corriqueiro.

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Como represália, a vice foi impedida de ocupar seu gabinete na prefeitura. A crise resultou na abertura de uma comissão processante na Câmara. A assessora que teria usado diploma falso pediu demissão — ela alega boa-fé. Mesmo assim, os membros da comissão concluíram que Crespo cometeu prevaricação, por ter deixado de demitir a assessora, e quebra de decoro no episódio envolvendo a vice.

O prefeito cassado já foi deputado estadual por três mandatos e vereador duas vezes. Nas eleições do ano passado, Crespo foi eleito com 58,4% dos votos, derrotando no segundo turno o candidato do PSOL, Raul Marcelo. Jaqueline estreou na política como vice na chapa de Crespo.

(Com Estadão Conteúdo)