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Por que Igreja não paga imposto?

Ou a austeridade vale para todos, ou não é austeridade

Apesar de não ser seguidor de nenhuma religião, acredito em alguma coisa que não sei o que é. Tenho grande respeito pela manifestação cultural religiosa e por vários de seus líderes. No dia em que meu pai faleceu, quando muitas coisas que aconteceram não cabiam numa explicação científica, as palavras de um deles me ajudaram. Para mim, o problema não é a religião em si, mas a manipulação obscurantista perpetrada por alguns dos autoproclamados emissários de Deus. Temos fartos exemplos de massacres “em nome de Deus”.

O que segue, portanto, não é um ataque à religião, mas, sim, sua defesa. Seu uso deturpado prejudica toda a sociedade, mas afeta, em especial, os religiosos sérios, que pagam com sua reputação o preço dos malfeitos alheios.

Atualmente, as instituições religiosas não pagam IPTU, imposto de renda sobre o que arrecadam em dízimo, nem IPVA sobre os carros que possuem. Tampouco pagam o ISS, que é o imposto municipal. Desde a Constituição de 1988, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios são proibidos de instituir impostos sobre “templos de qualquer culto” — essa expressão, ampla, abrange não só as igrejas, mas também lojas maçônicas, conventos e casas paroquiais.

Segundo dados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), os brasileiros pagam mais impostos que canadenses, americanos e japoneses, ao passo que amargam a última colocação no ranking do retorno da qualidade dos serviços públicos prestados pelo Estado. Nós, brasileiros, trabalhamos cinco meses só para pagar impostos e outros cinco para pagar (em duplicidade) na iniciativa privada pelos mesmos serviços públicos já pagos ao governo. Como o cobertor é curto e dinheiro não tem carimbo, na prática cada brasileiro paga pela imunidade fiscal das igrejas. A justificativa é um suposto “interesse social”, mas, por essa ótica, todas as empresas e trabalhadores que pagam impostos também trazem ganhos ao Brasil. Então, mereceriam isenção.

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É muito estranha a criação de “assessoria especial religiosa” pela prefeitura de São Paulo, que também isentou templos de pagar alvarás. Tenho certeza de que as intenções são as melhores, mas sabemos também quão nítida é a finalidade de acumulação de capital por algumas entidades religiosas.

E aqui não estou falando de evangélicos, mas de maus evangélicos. Da mesma forma que existem bons e maus ateus, católicos, judeus, umbandistas, existem evangélicos incríveis e outros, não (em presídios e favelas aonde o Estado não chegou, por exemplo, algumas organizações religiosas chegaram — e muitas delas com um bom trabalho assistencial).

Não existe justificativa plausível para isentar entidades religiosas da cobrança de tributos, em especial num momento de crise. A austeridade precisa ser ampla, geral e irrestrita, ou não é austeridade. É sacanagem.

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Comentários

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  1. Não é mais necessário trabalhar. Monte sua Igreja e deixe o gado trazer o dinheiro.

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  2. Henrique César de A Lacerda

    2.. Para quem é interessante tributar igrejas no Brasil? Não nos venha com o sofisma de que é bom para o Brasil, a não ser que aqueles que frequentam e se beneficiam diretamente da igrejas brasileiras não sejam justamente… os brasileiros, mas estrangeiros de outros países ou alienígenas de outros planetas.

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  3. Henrique César de A Lacerda

    3.. Querer aumentar a imoral carga tributária brasileira desta vez através do exercício da fé do seu povo é de uma baixeza moral e ética abominável, de fazer corar de vergonha qualquer cidadão trabalhador pagador de impostos e de bem deste país.

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  4. Henrique César de A Lacerda

    4.. Seria mais digno o senhor Fernando Grostein Andrade deixar a covardia de lado ao se esconder atrás de falácias sofisticas, e assumir as reais motivações de uma matéria tão grotesca quanto essa.

    5.. Quem encomendou tal artigo? Terão sido os mesmos que estão patrocinando projetos de lei no Congresso Nacional que objetivam tributar igrejas para vê-las fechar por não terem condições de pagar a pesada carga tributária do país?

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  5. Basta retirar o Laudêmio que a igreja romana recebe…

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