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PM solta 262 manifestantes presos em protesto contra Copa

Eles tinham sido detidos no sábado, durante manifestação no Centro. Policiais praticantes de artes marciais ajudaram a pegar vândalos infiltrados

Os manifestantes detidos na noite de sábado pela Polícia Militar em São Paulo foram liberados na manhã deste domingo após serem fichados e fotografados. Ao todo, eles somavam 262 pessoas segundo o último balanço da PM – eram 230 em estimativa anterior. O grupo participava do protesto “Não Vai Ter Copa”, na Praça da República, que reuniu mais de mil pessoas na região central da cidade.

Em ação inédita, a PM deslocou um grupo de policiais praticantes de artes marciais para monitorar o protesto. O objetivo do destacamento, que não utilizou armas de fogo, era identificar pessoas que cometeram atos de vandalismo durante a manifestação e retirá-las do protesto.

Por volta das 19h30, um grupo foi cercado pela PM, que deteve os manifestantes, entre eles integrantes dos black blocs, com técnicas de artes marciais. Um a um, os manifestantes foram retirados do cordão de isolamento e revistados. Segundo a PM, os detidos tinham máscaras, sprays, estilingues, bolas de gude e correntes.

Todos os detidos foram obrigados a aguardar sentados a chegada de cinco ônibus que os conduziram a sete delegacias, onde foi feita uma triagem para que a polícia decidisse quem seria autuado em flagrante. Entre eles, havia cinco jornalistas que acompanhavam o protesto a trabalho. Segundo o advogado André Zanardo, ligado aos manifestantes, a polícia fez um boletim de ocorrência coletivo acusando todos os detidos de desacato, resistência, desobediência e lesão corporal.

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Ação prévia – Horas antes da manifestação de sábado, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de três suspeitos de participação em atos de vandalismo durante outros protestos em São Paulo. A ação fazia parte da estratégia traçada pela polícia para tentar esvaziar o movimento. À tarde, 20 dos 40 suspeitos que haviam sido intimados pelo Deic para depor durante o protesto foram ouvidos na sede do departamento na Zona Norte de São Paulo.

Os depoimentos começaram por volta das 16 horas – uma hora antes do início da manifestação no centro. O diretor do Deic, delegado Wagner Giudice, disse que a decisão de convocá-los durante a manifestação também faz parte da estratégia de conter o protesto, a exemplo do que ocorre na Inglaterra em dias de jogos de futebol, e poderá ser usada em futuras manifestações.

O inquérito policial para investigar a atuação dos black blocs foi iniciado em outubro de 2013. Segundo Giudice, quase 300 pessoas já foram ouvidas. O objetivo do inquérito é identificar os organizadores dos atos de vandalismo em manifestações, que podem ser indiciados por formação de quadrilha e associação para o crime.

(Com Estadão Conteúdo)