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Oposição muda estratégia e pede CPI contra Palocci só no Senado

Oposicionistas perceberam que a coleta de assinaturas para a abertura da comissão seria mais rápida entre os senadores. Das 27 necessárias, 22 já foram coletadas

Os líderes da oposição no Congresso Nacional decidiram concentrar esforços para criar, somente no Senado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o crescimento patrimonial do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. A proposta inicial era instituir uma comissão mista, com a participação de senadores e deputados. No entanto, com a dificuldade de reunir deputados a favor da ideia, eles decidiram reiniciar, nesta terça-feira, a coleta de assinaturas entre os senadores. Até o momento, 22 das 27 assinaturas exigidas já foram coletadas – as outras cinco devem vir de governistas descontentes com a falta de explicações do ministro.

A busca por apoio para a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) começou no dia 24 de maio. Eram necessárias 171 assinaturas na Câmara, das quais foram coletadas 111, e 27 no Senado. Para completar o número regimental entre os deputados, seria preciso convencer governistas dissidentes a baterem de frente com seus partidos. “A pressão do governo para que os deputados se recusem a assinar o requerimento é muito maior, já os senadores são mais independentes”, comenta o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira.

Por isso, a estratégia se voltou para o Senado. Fora os 11 senadores do PSDB, os 4 do DEM e os 2 do PSOL, cinco senadores da base aliada do governo apoiaram a proposta de apurar se houve ou não tráfico de influência por parte de Palocci: Jarbas Vasconcelos (PMDB), Roberto Requião (PMDB), Ana Amélia (PP), Cristovam Buarque (PDT) e Pedro Taques (PDT). Os dois últimos assinaram o requerimento na tarde desta terça. Ana Amélia aderiu na segunda-feira.

A oposição aposta em peemedebistas para completar a lista. Em encontro nesta terça-feira, o G-8, grupo de independentes senadores do PMDB, decidiu esperar a votação do requerimento de convocação de Palocci na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que deve ocorrer nesta quarta-feira. “Há uma movimentação para que ela seja aprovada, mas, se isso não acontecer, boa parte do nosso grupo deve assinar a lista da CPI”, garantiu um dos integrantes do G-8.

Além de Jarbas Vasconcelos, um dos primeiros a assinar o requerimento, fazem parte do grupo de independentes peemedebistas Pedro Simon (RS), Waldemir Moka (MS), Luiz Henrique (SC), Cassildo Maldaner (SC), Vital do Rêgo (PB), Eunício Oliveira (CE) e Eduardo Braga (AM). Casildo Maldaner e Luiz Henrique já têm uma história de ligação oposicionista. O primeiro é o suplente de Raimundo Colombo (DEM), atual governador de Santa Catarina. O segundo coordenou a campanha presidencial do tucano José Serra em Santa Catarina, porém já adiantou seu posicionamento. “Eu voto pela convocação. CPI, não”, disse ao site de VEJA.

Outros dois senadores governistas são sondados pela oposição para aderirem à CPI: Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Magno Malta (PR-ES). Ferraço é um dos descontentes com o distanciamento entre o ministro da Casa Civil e o Congresso. Antes da crise, o senador pediu audiências com Palocci e nunca obteve resposta. Malta já criticou publicamente a falta de diálogo de Palocci e a presidente Dilma Rousseff com os parlamentares e acredita na fragilidade do governo com a manutenção do ministro. “Se ele não sair, defendo a investigação”, disse o senador ao site de VEJA.

Se algum deles se recusar a apoiar a CPI, a ideia é aguardar o fim da licença médica do senador Itamar Franco, que está em tratamento por causa de uma leucemia recém-descoberta. O provável retorno de Itamar deve ocorrer em duas semanas.

Convocação – Os oposicionistas trabalham ainda em outra frente para garantir que Palocci seja obrigado a dar explicações sobre seu enriquecimento súbito. Na Câmara, há quatro requerimentos de convocação do ministro para serem votados: dois na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, um na de Desenvolvimento Urbano e outro na de Segurança Pública.

Para o líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira, mesmo sem a quantidade de parlamentares suficiente para a aprovação dos requerimentos, há chances de se conquistar uma maioria entre os governistas independentes. “Notamos que cada vez mais a sociedade civil organizada soma-se ao esforço da oposição e dos inconformados com a postura de blindagem do ministro. A Ordem dos Advogados do Brasil, a Força Sindical e outros grupos já demonstraram sua indignação”, destaca.