Operador do PMDB se reúne para negociar delação

Segundo o juiz Sergio Moro, Fernando Soares, dedicava-se 'profissional e habitualmente' à intermediação de propinas e a práticas de lavagem de dinheiro

Apontado pelo Ministério Público Federal como o operador de propinas do PMDB no escândalo do petrolão, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, discutiu nesta quinta-feira, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, as linhas gerais de um possível acordo de delação premiada.

Segundo investigadores, a situação jurídica do lobista seria uma das mais complicadas da Lava Jato por haver provas fartas de que atuou como intermediário de vantagens indevidas na Petrobras. Ainda assim, uma futura delação dele pode ampliar os indícios contra políticos do PMDB apontados como possíveis destinatários de propina e pode indicar também novos nomes de parlamentares alvo de dinheiro sujo movimentado na estatal.

Na última semana, o juiz Sergio Moro decretou a terceira prisão preventiva contra Baiano, praticamente eliminando a possibilidade de ele deixar a prisão em Curitiba. O novo decreto de prisão de Baiano ocorreu depois que o Ministério Público recolheu novas provas da atuação dele como intermediário do pagamento de propina da construtora Andrade Gutierrez. Para Moro, as evidências colhidas nos processos da Operação Lava Jato indicam que Fernando Baiano dedicava-se “profissional e habitualmente” à intermediação de propinas e a práticas de lavagem de dinheiro em contratos de grandes empresas com a administração pública. A atuação criminosa do operador do PMDB no petrolão inclui a simulação de consultorias de prestação de serviços no Brasil e o envio de propina para contas bancárias secretas, abertas no exterior em nome de empresas offshores.

Documentos enviados por investigadores da Suíça foram utilizados por Moro para sustentar que há elementos reforçando a necessidade de manter o lobista preso. Entre esses dados estão informações sobre contas na Suíça que indicam que Fernando Baiano era o beneficiário final de conta em nome da offshore Three Lions Energy, destino de propinas pagas pelo executivo Julio Camargo e repassadas ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Baiano também já foi apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa como a pessoa que pagou propina de 1,5 milhão de dólares para que não houvesse entraves à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Em depoimento de delação premiada, Costa indicou que Nestor Cerveró, autoridades ligadas ao PMDB e o operador do partido no escândalo do petrolão podem ter embolsado até 30 milhões de dólares em propina na compra da unidade de refino no Texas.Com potencial para implicar ainda mais políticos peemedebistas no petrolão, uma eventual delação do operador do PMDB no petrolão deverá ser fechada na procuradoria-geral da República, em Brasília.