Nova fase reforça envolvimento de Marcelo Odebrecht no petrolão

Operação mira valores recebidos pelo ex-marqueteiro do PT João Santana no exterior; grupo Odebrecht teria repassado para ele 3 milhões de dólares

Para a força-tarefa da Operação Lava Jato, a 23ª fase, deflagrada nesta quarta-feira, reforça o envolvimento do herdeiro e ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, no escândalo do petrolão e escancara o pagamento de propina do conglomerado no exterior. Documentos em posse da força-tarefa do Ministério Público comprovam que existia uma planilha de pagamentos ilícitos feitos pela Odebrecht, com destinatários como “Feira”, uma referência ao marqueteiro João Santana, e JD, em alusão ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Segundo os investigadores, novos indícios apontam que Marcelo Odebrecht detinha o controle do caixa de propina do grupo e conhecimento amplo do uso de offshores para o depósito de dinheiro a corruptos. Na 23ª fase da Lava Jato, as suspeitas são de que Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares, que já foram ligados ao Grupo Odebrecht, e Fernando Miggliaccio da Silva atuavam nos pagamentos no exterior por ordem da companhia. Os dois últimos teriam fugido do país após buscas e apreensões na Odebrecht em junho de 2015, data da fase da operação que levou Marcelo Odebrecht para a cadeia.

O foco principal da nova fase é o dinheiro recebido pelo marqueteiro das campanhas de Dilma e Lula, João Santana, no exterior – uma quantia de 3 milhões de dólares foi remetida ao publicitário pela Odebrecht a partir de contas ocultas em nome das offshores Klienfeld e Innovation, que já são alvo da Lava Jato por terem sido usadas para abastecer com propina os ex-diretores da Petrobras Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Nestor Cerveró.

Marcelo Odebrecht deve ser sentenciado em breve pelo juiz federal Sergio Moro na ação penal que corre contra ele na Justiça Federal do Paraná, que está na fase de alegações finais. Ele pode agora responder pelas novas acusações de que repassou dinheiro para o ex-marqueteiro do PT. A sede do grupo, em São Paulo, foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira. Os investigadores chegaram a João Santana após anotações encontrados no aparelho celular dele. Na mensagem remetida a um executivo da empresa, ele diz: “Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela”.

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