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Na ONU, Temer omite crise e propagandeia queda de desmatamento

Presidente abriu Assembleia Geral citando melhorias na economia do Brasil e fazendo críticas à Coreia do Norte e à Venezuela

O presidente Michel Temer (PMDB) usou o discurso de abertura na Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira, em Nova York, para propagandear uma queda de 20% nos índices de desmatamento da Floresta Amazônica. A declaração ocorre semanas após pressões da sociedade civil levarem o governo a suspender um decreto que extinguia uma reserva na Amazônia. Como esperado, Temer omitiu a crise política e aproveitou o púlpito para citar melhorias na economia brasileira.

Tradicionalmente, cabe ao Brasil a tarefa de realizar o primeiro discurso na Assembleia-Geral da ONU. Essa foi a segunda vez que Temer cumpriu a tarefa como presidente. Em sua fala, o peemedebista também criticou a deterioração da democracia na Venezuela e os testes nucleares realizados pela Coreia do Norte. Ainda defendeu a reforma no Conselho de Segurança da ONU e se posicionou contra o protecionismo econômico.

Temer iniciou o discurso com uma defesa enfática da diplomacia e do papel da ONU para resolver conflitos. Foi nesse contexto que o presidente declarou ser “particularmente necessário ampliar o Conselho de Segurança para ajustá-lo às necessidades do século XXI”. “Urge ouvir o apelo da grande maioria dessa Assembleia”, afirmou. O presidente disse que o Brasil recusa os “nacionalismos exacerbados” e não acredita “no protecionismo como saída para as dificuldades econômicas”.

Ao tratar do desenvolvimento sustentável, Temer disse que “o Brasil orgulha-se por ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta”. “O desmatamento é uma questão que preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos. Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos.”

Temer foi alvo de protestos da classe artística por ter decretado a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), na divisa dos estados do Pará e Amapá. A área de 47.000 quilômetros quadrados havia sido aberta para mineração sob a justificativa de que o governo queria combater os garimpos ilegais que existem na região. Após as pressões, Temer recuou e suspendeu o decreto para fazer consultas à sociedade civil.

Coreia do Norte e Venezuela

O presidente fez críticas ao governo norte-coreano ao dizer que assinará, na quarta-feira, o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. “Reiteramos nosso chamado para que potências nucleares assumam compromissos adicionais de desarmamento”, disse Temer, que manifestou “fundada apreensão” com relação às ameaças nucleares feitas por Pyongyang.

“Os recentes testes nucleares e missilísticos na península coreana constituem grave ameaça, à qual nenhum de nós pode estar indiferente. O Brasil condena, com toda a veemência, esses atos. É urgente definir um encaminhamento pacífico para a situação, cujas consequências são imponderáveis”, declarou.

Ao abordar outros temas referentes à política externa, Temer defendeu a “solução de dois Estados” para solucionar os conflitos entre Israel e Palestina. A fala do presidente fez com que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, retirasse o equipamento de tradução simultânea para fazer comentários com um membro de sua comitiva. Netanyahu é um ferrenho opositor da medida.

Quanto à crise dos refugiados, Temer citou os esforços do Brasil para receber venezuelanos que fugiram da crise econômica e política do país. Na segunda-feira, o peemedebista jantou com o presidente americano, Donald Trump, e disse que é preciso alcançar uma solução diplomática para resolver a crise venezuelana, sem intervenções internacionais.

“A situação dos direitos humanos na Venezuela continua a se deteriorar. Estamos ao lado do povo venezuelano, a quem nos ligam vínculos fraternais. Não há mais espaço para alternativas à democracia. É o que afirmamos no Mercosul e seguiremos defendendo”, afirmou Temer.

Economia

Temer aproveitou o encerramento de seu discurso para fazer elogios à própria gestão. “O Brasil atravessa um momento decisivo. Com reformas estruturais, superamos uma crise sem precedentes. Voltamos a gerar empregos, estamos resgatando o equilíbrio fiscal e, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos e recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso.”

“Aprendemos e estamos aplicando, na prática, uma regra elementar: sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade social não passa de discurso vazio”, declarou Temer. Sem citar o governo de sua antecessora, Dilma Rousseff (PT), que sofreu um impeachment por ter cometido crimes de responsabilidade fiscal, o presidente disse que “o novo Brasil que está surgindo das reformas é um país mais aberto ao mundo”.

O presidente encerrou o discurso sem fazer menções ao combate à corrupção e aos problemas de governabilidade que enfrenta. Na última semana, Temer foi denunciado com a cúpula do PMDB pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Ele é acusado dos crimes de formação de organização criminosa e obstrução à Justiça.

Comentários

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  1. Paulo Roberto Correa Lima

    E PORQUE O PRESIDENTE TERIA QUE LAVAR A ROUPA SUJA N ONU? ELE FOI MUITO BEM, E A ECONOMIA AGRADECE.

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