Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Foi um dos dias mais tensos no cargo, diz Janot a procuradores

No último discurso no Conselho Superior do Ministério Público antes de deixar posto, procurador-geral afirma viver 'montanha-russa que só tem queda livre’

Em discurso emocionado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que viveu ontem “um dos dias mais tensos” do cargo, ao anunciar que pode rever o acordo de delação dos executivos da JBS. Ao falar sobre o cargo, ele afirmou que o momento da decisão é “solitário”. “A responsabilidade da decisão do procurador-geral é só do procurador-geral. Quando o procurador-geral erra, ele errou só. Quando ele acerta, acertou com toda sua equipe. Esse peso tira muito a energia da gente”, disse Janot, ao falar sobre seus últimos dias.

Segundo ele, os dois mandatos como procurador-geral colocaram em seu caminho “desafios quase sobre-humanos”, em uma referência à Lava Jato. “Eu não tinha a menor ideia de que todo esse tsunami iria acontecer ao final da minha carreira. Nunca tive uma atuação forte na área penal, todo mundo sabe que essa não é a minha área e o desafio final foi esse”, disse Janot, na sua última sessão como presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Após seis meses do início de seu mandato como procurador-geral, a Lava Jato teve início e perdurou durante os outros três anos e meio.

Sem mencionar diretamente a JBS, Janot falou sobre a decisão de segunda-feira, quando determinou a abertura de investigação sobre possíveis omissões dos executivos do grupo nas delações. Após meses de críticas por ter firmado um acordo polêmico de colaboração com Joesley Batista e outros diretores da JBS, o procurador-geral foi obrigado a anunciar que pode rever a delação, depois de descobrir novos áudios do delator. “Ontem foi um dos dias mais tensos e um dos maiores desafios desse período. Alguém disse para mim: ‘você realmente é um homem de muita coragem’. Eu pensei: será que sou um homem de coragem mesmo? Cheguei à conclusão de que não tenho coragem alguma. Na verdade, o que eu tenho é medo e o medo nos faz alerta.”

O medo, disse Janot, é de “errar muito” e de “decepcionar” o Ministério Público. “Todas as questões que enfrentei, eu enfrentei muito mais por medo de errar, de me omitir, de decepcionar a minha instituição do que por coragem de enfrentar esses enormes desafios”, disse. Ele afirmou que tem vivido uma “montanha-russa”, pois surpresas têm aparecido no meio do caminho. “E a impressão que dá é uma montanha-russa que só tem queda livre, não te dá o respiro de uma subida para se preparar para a nova queda”, disse.

Dividindo o mesmo plenário estava a conselheira Raquel Dodge, que irá assumir o comando da PGR a partir de 18 de setembro. Janot disse à sua sucessora que está “tentando deixar a casa da melhor forma arrumada” e aconselhou, em tom emocionado: “Nos momentos difíceis, não desanime; converse”. Pouco antes, Raquel elogiou o antecessor e disse que ele deixa “um legado que honra a história do Ministério Público na construção de uma instituição forte”. Os dois são conhecidos desafetos dentro do Ministério Público Federal.

Ao citar um personagem de Fernando Pessoa, Janot falou: “Ele afirmava: ‘Cumpri contra o destino o meu dever. Inutilmente? Não, porque o cumpri’. Acho que esse é o compromisso do MP, o compromisso com nossa sociedade, ser Ministério Público de forma reta. De cumprir, ainda que seja contra o destino, nosso dever.” O procurador agradeceu sua equipe e disse que foi “muito difícil mesmo” enfrentar algumas situações: “E isso foi possível porque contei com o empenho pessoal de toda minha equipe, que se entregou de corpo e alma. Sozinho nessa cadeira não se faz nada.”

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Ô Janot, você já errooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Curtir

  2. Claudio Stainer

    Foi tudo preparado pelo Joesley. Tem que ser anulado e começar novas investigações pela PF podendo ela aproveitar as pistas, caso existam. Dos autos nada poderá ser juntado em novo Processo.

    Curtir

  3. Sergio Bertoni

    Janot, não deu pra você!
    Ou quase que deu certo.

    Curtir

  4. José Antonio Debon

    O Janot está com medo com o que vai acontecer depois do dia 17 de Setembro.

    Curtir