Filho de ex-deputado nega pagamento a Cunha

Defesa do presidente da Câmara argumenta que dinheiro recebido no exterior é oriundo de uma dívida com o ex-deputado Fernando Diniz, morto em 2009

O economista Felipe Diniz, filho do ex-deputado Fernando Diniz, negou nesta terça-feira em depoimento à Procuradoria-Geral da República ter solicitado pagamentos no exterior ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele afirmou que não sabia da existência de contas secretas atribuídas ao peemedebista na Suíça.

Em VEJA desta semana: “Não tenho conta no exterior” – repete Eduardo Cunha

Diniz foi apontado pelo engenheiro João Augusto Henriques como o autor do pedido de pagamento de 1,3 milhão de francos suíços, que acabaram depositados numa conta que tem Cunha como beneficiário.

Em entrevista a VEJA, Cunha disse que mantinha uma “relação financeira” com o ex-deputado Fernando Diniz, pai de Felipe, e afirmou que havia feito um empréstimo ao ex-parlamentar, morto em 2009. Segundo Cunha, Henriques teria quitado a dívida de Diniz dois anos após a morte do devedor – com depósitos no exterior.

A versão de Eduardo Cunha para justificar os recursos nas contas bancárias na Suíça é que ele tem ativos oriundos das décadas de 1980 e 1990, resultado de operações de comércio exterior – e possivelmente de depósitos feito para pagar a dívida de Diniz., Ele diz que esses valores eram administrados por um trust, do qual é beneficiário. Para os investigadores da Lava Jato, os recursos, na verdade, são propina do esquema do petrolão.

Apontado pelo Ministério Público como um dos operadores do PMDB na Lava Jato, João Augusto Henriques disse aos investigadores que o repasse não era propina e que não sabia que o destinatário seria o parlamentar quando efetuou os depósitos. Henriques afirmou que a conta estava em nome de uma empresa.