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Emílio Odebrecht e ex-deputado depõem a Moro em ação sobre Lula

Processo apura suposto recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht para a compra de um terreno e um apartamento em São Bernard do Campo

Nesta segunda-feira, o juiz Sergio Moro dará prosseguimento à oitiva de testemunhas em outro dos processos em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é réu na Justiça Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. Desta vez, falarão, em juízo às 14h, o empresário Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração do Grupo Odebrecht, e o ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE).

O processo, que não tem relação com a ação do tríplex do Guarujá (SP), trata sobre a acusação de que o ex-presidente teria recebido vantagens indevidas da Odebrecht na aquisição de um terreno, que seria utilizado como nova sede do Instituto Lula, e de um segundo apartamento no mesmo prédio em que o petista mora, em São Bernardo do Campo (SP). Este imóvel, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), teria a finalidade de abrigar os policiais federais que fazem a segurança permanente de Lula.

Emílio Odebrecht é considerado um personagem-chave em processos que envolvam o ex-presidente, uma vez que era o nome mais próximo ao petista dentro do grupo empresarial. Incluído no acordo de colaboração da Odebrecht, Emílio é obrigado a comparecer à Justiça, para prestar esclarecimentos, quantas vezes forem necessárias.

O depoimento desta segunda, no entanto, ocorre como testemunha de defesa do filho, Marcelo Odebrecht. Emílio Odebrecht chegou a pedir para que seu depoimento fosse adiado em uma semana e acontecesse, por meio de videoconferência em São Paulo, apenas no dia 12. Substituta eventual de Sergio Moro, a juíza Gabriela Hardt recusou o pedido e determinou que permanecesse o agendamento original.

Já Pedro Correa, condenado nos processos do Mensalão e da Lava Jato, citou Lula de forma contundente em seu acordo de delação, alegando que o petista se envolvia de tal forma no esquema de corrupção da Petrobras que chegou a pedir a deputados do PP que fossem mais compreensivos na “divisão” dos recursos da diretoria de Abastecimento, à época ocupada por Paulo Roberto Costa, um aliado do partido.

Além de Lula e Marcelo Odebrecht, a ação tem como alvos o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT), o advogado Roberto Teixeira, o engenheiro Glaucos da Costamarques, o empreiteiro Dermeval Gusmão, o ex-assessor de Palocci Branislav Kontic e o ex-diretor da Odebrecht Paulo Ricardo Barqueiro de Melo. Originalmente, a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, falecida em fevereiro, também era ré na ação.