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Em áudio, Joesley diz qual é o ‘jogo’ do MPF para forçar delação

Em diálogo com Ricardo Saud, empresário demonstra acreditar que o objetivo do Ministério Público era fazer pressão calculada sobre a JBS

Em mais um trecho da nova gravação da conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, o empresário descreve o que acredita ser um “jogo” do Ministério Público Federal (MPF) para obter uma delação dos executivos da empresa. Para Batista, a ideia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, era “botar pressão” sobre a empresa sem atingi-la diretamente, de modo a “dar pânico” nos executivos.

Ele diz que Janot “sabe tudo”, porque a “turma já falou”. Questionado se teria sido o procurador Marcelo Miller, ex-auxiliar de Janot que depois passou a trabalhar em escritório de advocacia que atuou para a JBS, o responsável por levar a situação da JBS até ele, Joesley inclui no meio-de-campo Anselmo Lopes, procurador da força-tarefa da Operação Greenfield, e Eduardo Pelella, chefe de gabinete do procurador-geral. “Tá falando para o Anselmo, que falou para o Pelella, que falou para não sei quem lá, que falou para o Janot. O Janot está sabendo”, disse.

Ele concluiu seu raciocínio ironizando o procurador-geral, simulando a orientação que ele, “espertão”, teria dado aos seus comandados: “Põe pressão neles para eles entregarem tudo, mas não mexe com eles. Dá pânico neles, mas não mexe com eles”.

Joesley relembra que depois de um contato com Anselmo, “todo dia teve um bum bum bum bum“. “Nós estamos, mas não estamos, entende? Não teve nada contra nós. Olha que engraçado. Teve indireto, mas não teve nada. Conosco, não teve nada”, argumenta. Em resposta a um trecho inaudível de Ricardo Saud, que pode ser entendido como um questionamento à falta de clareza do MPF sobre suas intenções, Joesley argumenta que é “porque [o acordo] não pode ser combinado, você não pode entender isso (a estratégia dos procuradores)”.

O empresário admite a possibilidade de estar “completamente errado” a respeito do que imagina ser essa estratégia do Ministério Público, mas argumenta que, “em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que era previsível deles fazerem”. No esforço para superar a incredulidade de Saud de que a abertura para a delação estava garantida, Joesley ainda tenta convencê-lo: “Pensa você no lugar deles, o que você faria. Toca pressão nesse povo, mas não mexe com eles”.