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De férias, Dilma é alvo de protesto de quilombolas

Área da base da Marinha na Bahia é disputada por grupo quilombola e militares

Moradores da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos, localizada ao lado da Base Naval de Aratu, em Salvador, aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff no local para protestar na manhã desta quarta-feira contra a cessão da área em que vivem para a ampliação das instalações militares. Dilma está passando férias na base desde o dia 28.

Com faixas, cartazes e apitos, o grupo se reuniu na praia de São Tomé de Paripe, ao lado do muro que separa a base da praia de Inema, e passou a gritar palavras de ordem. “Assim como fizemos no início do ano passado (quando Dilma também descansou na base naval), viemos alertar a presidente sobre nossa situação e cobrar ações”, disse a líder dos quilombolas, Rose Meire dos Santos Silva, de 34 anos. “Violação dos Direitos Humanos do Quilombo Rio dos Macacos pela Marinha: silêncio da presidente”, dizia uma das faixas que os manifestantes levaram até o local.

Disputas – A Comunidade de Rio dos Macacos é alvo de disputas entre os moradores e os militares desde a década de 1960, quando a prefeitura de Salvador fez a doação da área para a Marinha. Na década seguinte, 101 casas da comunidade foram derrubadas para a ampliação da infraestrutura das instalações. No início do ano 2000, a pressão para que os quilombolas deixassem o local foi intensificada e, em 2010, a Justiça baiana chegou a determinar, por meio de liminar, a desocupação da comunidade. A decisão, entretanto, foi derrubada por meio de recurso.

A Marinha manteve a pressão, cercando a área e impedindo o livre trânsito no local. Os moradores reclamam que militares teriam agredido habitantes para forçar a saída dos quilombolas da área. Das 160 famílias que moravam na comunidade há cinco anos, restam 90 no local.

Em julho último, um relatório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu o local como quilombola, delimitando uma área de 301 hectares para seus habitantes. A Marinha, porém, quer que a área destinada aos descendentes de escravos seja de 23 hectares.

Alheia à manifestação, a presidente Dilma Rousseff segue sem fazer aparições públicas na base naval – rotina que tem mantido desde que chegou ao local para passar a virada de ano com a família, no dia 28. Segundo a assessoria da Presidência, Dilma ainda não confirmou a data de seu retorno a Brasília.

(Com Estadão Conteúdo)