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CPI do Cachoeira ouve nesta terça-feira o ex-diretor do Dnit

Pagot chegou a dizer que estava disposto a trazer à tona relações promíscuas da Delta com agentes públicos - mas não deve se tornar 'homem-bomba' da CPI

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, tem depoimento marcado nesta terça-feira na CPI do Cachoeira. A convocação dele foi aprovada há cerca de um mês pelos parlamentares que integram a comissão. A expectativa de parte dos integrantes da CPI é de que Pagot fale dos trabalhos realizados por ele para arrumar doadores de campanha para Dilma Rousseff.

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Pagot chegou ao comando do Dnit em 2007, apadrinhado pelo então governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR-MT), de quem foi secretário e coordenador de campanha. Acabou demitido pela presidente Dilma na esteira do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes, revelado por VEJA em julho do ano passado. O Dnit era justamente um dos principais focos de corrupção na pasta.

No começo do ano, Pagot tentou se transmutar em vítima, atribuindo sua demissão a um complô tramado pelo grupo de Carlos Cachoeira. Em sua versão, o defenestrado perdeu o cargo não por seus defeitos, mas por suas qualidades. Ele teria contrariado interesses da construtora Delta, empreiteira que, se sabe agora, tinha Cachoeira como lobista. Pagot chegou a insinuar que a reportagem de VEJA que trouxe o escândalo à tona teve origem em informações da quadrilha de Cachoeira. Não foi longe. Já se sabia que na gestão dele a Delta multiplicou seus negócios, transformando-se na maior prestadora de serviços do governo, com faturamento superior a 3 bilhões de reais em contratos de rodovias, muitos deles eivados de irregularidades.

Gravações telefônicas captadas pela Polícia Federal que desmontam a tese do ex-diretor do Dnit. Os diálogos mostram que a quadrilha de Cachoeira estava muito preocupada com a demissão de Pagot, que após a divulgação das irregularidades foi convocado para depor perante uma comissão do Senado e ameaçava fazer revelações sobre o esquema de propina no ministério. Em um dos diálogos, Cachoeira fala com o representante da construtora no Centro-Oeste que, se Pagot dissesse qualquer coisa sobre o esquema, estaria dando “um tiro no próprio pé”. Ele, de fato, se calou diante da comissão do Senado. O ex-diretor do Dnit, segundo a Polícia Federal, participou de um jantar com o senador Demóstenes, Cachoeira e o dono da Delta, Fernando Cavendish, para tratar dos negócios da empreiteira. Essa relação explicaria em parte o sucesso da Delta, que tinha em seu rol de “consultores” o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como o “chefe da quadrilha do mensalão”.

Antes de ser convocado, Pagot dizia estar à disposição da CPI para trazer à tona informações sobre a atuação da Delta e sobre suas relações promíscuas com agentes públicos. Ele chegou a afirmar que verbas públicas foram utilizadas como caixa dois de campanhas políticas. O depoimento de Pagot, porém, pode frustrar as expectativas de muitos parlamentares. Segundo a coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, o próprio Maggi tem cuidado de espalhar que o ex-diretor do Dnit não é candidato a homem-bomba da CPI. “O Pagot vai falar sobre aquilo que ele tem certeza e o que pode provar. Não vai ter muito fato novo”, afirmou.